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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[review] A THOUSAND WORDS – vivre sa vie (2013)


A THOUSAND WORDS – vivre sa vie
(Salad Days Records – 2013)

Quem está familiarizado com o hardcore português já terá ouvido o nome A THOUSAND WORDS! O grupo tem vindo a afirmar-se entre as restantes bandas da cena portuguesa com uma forte presença no palco e um som energético, que com o tempo parece ficar mais negro e emotivo que nunca.

A banda já apontou como influencias RISE AND FALL e CONVERGE, entre outras, e essas são notáveis! Mas A THOUSAND WORDS mantém uma personalidade sua que vale bem a pena os minutos que leva para se ficar a conhecer.

O novo EP "Vivre Sa Vie" conta com dois novos temas que carregam toda uma aura de peso consigo! A força das faixas 'Vivre sa vie' e 'Gutters' vem do ambiente criado pelo instrumental e da emoção que a voz adiciona (tanto em tom como em conteúdo, com letras como “I refuse to be human enough for this world”) em vez da típica sucessão de power chords em velocidade que se poderia esperar de uma banda com menos experiência! "Vivre Sa Vie" traz uma forte carga emocional e realmente assalta os sentidos desde o primeiro acorde, e no fim, deixa-nos à espera de mais! Dificilmente será algum amante de Hardcore capaz de ignorar um EP assim! --- [Diogo Alphonso]

[review] BAXTER STOCKMAN – punter (2013)


BAXTER STOCKMAN – punter
(Elektro Recs / Full Contact / Kult Of Nihilow / Sideffect Recs - 2013)

É estranho, assustador e completamente fora de sítio. Não vou cair na armadilha elitista de dizer que só é musica até certo ponto, mas BAXTER STOCKMAN fazem-me ponderar sobre a questão! "Punter", o primeiro LP deste grupo da Finlândia, abre com a faixa do mesmo nome ('Punter') e esta por sua vez é composta pelo mesmo acorde a ser tocado intermitentemente durante mais de metade dos seus 3 minutos e 22! O que é de estranhar é que ainda assim, é difícil de acompanhar esta faixa, ou pelo menos bem mais do que aquilo que eu esperava.

Assim, sem mais nem menos (com umas variações no ritmo e um tom sinistro), BAXTER STOCKMAN tiram-nos da nossa zona de conforto, para que não possamos voltar até ao fim do álbum! O maior sucesso do grupo será com certeza a sua originalidade, já que não me consigo lembrar de absolutamente nada que alguma vez tenha passado pelos meus ouvidos e que se assemelhe de alguma forma ao lento e incansável assalto que é "Punter"! A voz é ora falada, ora gritada, mas sempre assombrosa! A guitarra enfeita o ar com notas arrastadas e acordes desconcertantes, enquanto o baixo e bateria ditam o ritmo que parece embalar a mente ao longo de uma viagem até ao fundo da proverbial toca do coelho.

O trio de Helsínquia diz que este é o rock'n'roll recriado segundo a sua visão pessoal, mas tudo acerca da sua musica faz lembrar uma instalação de arte contemporânea sobre o subconsciente, ou o abuso de substâncias, ou aquela vez em que o autor tinha cinco anos e viu um homem cometer suicídio... Se quiserem mergulhar no mundo de BAXTER STOCKMAN, espreitem o video de 'Labour', um belo exemplo do que podem esperar deste álbum, embora esta seja provavelmente a musica mais energética de entre as oito que o compõem.

Estes senhores estão de parabéns, "Punter" vai andar na minha mente durante algum tempo! --- [Diogo Alphonso]

[review] CHRONOSPHERE – envirusment (2012)


CHRONOSPHERE – envirusment
(independente - 2012)

Bastou a primeira audição a “Envirusment” para me tornar num crente! Pronto, foi a primeira audição e a enorme propensão para gostar de thrash metal bem feito, bem tocado e com bastante dinamismo à mistura! Estes gregos acertaram três em três e se ainda não tinha deitado mãos a estas linhas foi por manifesta falta de tempo da minha parte e não por estar me estar a tentar curar deste “Envirusment”!

De facto, é bastante fácil ser-se envolvido pela música dos CHRONOSPHERE, quando se abre um disco com a espécie tema-intro ‘Thrash In Cold Blood’ e, logo a seguir, somos levados a passear no ‘Light Leading Maze’ (rapidamente se tornou no tema preferido para rodar em volume alto)! Excelentes riffs, excelente presença vocal, enorme segurança na prestação geral de todos os músicos, transmitindo um forte poder de coesão e de mestria naquilo que estão a fazer! Não é de estranhar que os CHRONOSPHERE tenham representado a o seu país no famoso palco do Wacken Open Air, resultante da sua vitória no Wacken Metal Battle!

Apesar da enorme energia que atravessa “Envirusment”, não existe aqui aquele sentido de urgência de querer chegar a todo o lado ao mesmo tempo e o pendular pausado entre cadências permite absorver de forma positiva o desempenho de todos os músicos! Permite também observar todas as influências que atravessam a música dos gregos, sem que toldem a sua forma pessoal ou a sua identidade! Podem ter visões que podem ir de Megadeth a Testament, de Destruction a D.R.I., mas podem ter a certeza de que estão a ouvir CHRONOSPHERE! --- [Rui Marujo]

[review] ILLNULLA – illnulla (2012)


ILLNULLA – illnulla
(independente - 2012)

Temos aqui um projecto italiano, constituído por duas mentes criativas, Cris (todos os instrumentos) e Al (todas as vozes), criado quando corria o ano 2011 e que trouxeram ao mundo este trabalho auto-intitulado, de forma totalmente independente! Trata-se de uma incursão no mundo do black metal, feito de forma capaz e imaginativa, fugindo da paisagem estéril da vertente mais tradicionalista e apresentando uma roupagem mais moderna.

O ritmo nunca aumenta exageradamente, aparte de algumas passagens aqui e ali (leia-se: existem partes rápidas, mas não é um album de black metal em velocidade), fazendo com que o foco principal acabe por ser depositado no poder da composição e na maldade que parece sair da voz de Al, a cada purga de palavras, todas elas em italiano, em temas como ‘La mia miseria, la mia grandezza’ ou ‘Non credo nel tuo dio’! Por vezes, o universo de Satyricon vem à mente, na forma como alguns destes temas se vão desenrolando, mas não creio que que se trate de uma questão de falta de originalidade, mas sim de partilha de visão e semelhantes estados de espírito!

Este é o primeiro e até agora único lançamento dos ILLNULLA, mas espera-se que esta dupla possa vir a oferecer mais música num futuro próximo, com ou sem editora por trás, uma vez que esta estreia soa muito segura e coesa, mesmo tendo sido gravada apenas por uma pessoa! Os temas aqui presentes possuem qualidade suficiente para arriscarmos diversas audições e ficarmos curiosos com o que possam vir a oferecer daqui para a frente! --- [Rui Marujo]

[review] YOUR LAST WISH – desolation (2012)


YOUR LAST WISH – desolation
(Cryogenic Records – 2012)

Por alguma razão, os países mais frios e mais desenvolvidos parecem lançar continuamente ondas e ondas de bom metal para o resto do globo! Desta vez os meus ouvidos foram acariciados por YOUR LAST WISH, um quinteto de Montreal, Quebec que traz o bom do melodic death a reboque com o seu título mais recente, “Desolation”.

Este é o segundo álbum de longa duração da banda, (tendo o primeiro saído em 2007) e contam também já com um EP de 2011, que é composto por três músicas presentes também em “Desolation”. Mas para a sua curta discografia, a banda já passou por algumas trocas de membros. Tantas até que o único membro fundador ainda na banda é Jean-François Gagné (guitarra)! Roxana Bouchard (vocals) e Steven Vacarella (bateria) são as adições mais recentes, sendo este álbum a primeira aparição do baterista!

Se resolverem realmente dar uma olhadela a este álbum, vão encontrar melodia em abundância, acompanhada de sweeps e o ocasional tapping, por parte dos três elementos de cordas na banda. Neste álbum o baixo não é nenhum estranho à ribalta, e até tem destaque em algumas músicas (como por exemplo 'Crisis To Creation' e 'Le Pact'). A voz de Roxana varia constantemente entre os dois pólos do agudo e do grave e vem por vezes em francês! A bateria é o mais previsível dos instrumentos, mas está ainda assim longe da banalidade.

Um pormenor agradável é que Jean-François Gagné e David Gagné (não relacionados) usam oito cordas nas suas guitarras, e enquanto que para muitos hoje em dia isso significa “mais peso” e “uns abafados do demónio”, (também os há, mais notavelmente em 'Colision Course') o duo realmente faz bom uso do grande espectro fornecido pelas cordas extra. Como resultado, qualquer música em “Desolation” percorre grande parte do neck com um certo à vontade. O mesmo pode ser dito, claro, do baixista Louis Goulet e as suas 6 cordas.

O álbum foi produzido pela própria banda, e como resultado, todos os instrumentos estão no seu devido lugar criando uma produção limpa e bastante agradável.

A memorabilidade deste álbum fica à mercê de critérios como o gosto pessoal (como é o caso tantas vezes) mas não se pode realmente furar buracos na sua qualidade! “Desolation” são três quartos de hora de bom metal, recheados de melodia e com os seus momentos de destruição. --- [Diogo Alphonso]

[review] PURIFICATION – a torch to pierce the night (2012)


PURIFICATION – a torch to pierce the night
(Bastardized Records – 2012)

PURIFICATION é uma daquelas bandas que tem, mais que tudo, uma mensagem em mente! A banda italiana de Hardcore subscreve a um estilo de vida Straight Edge e “A Torch To Pierce The Night” é, em todos os aspectos, uma forma de espalhar a ideia do que é realmente uma vida bem vivida, de acordo com os elementos da banda.

O álbum conta com dez faixas das quais, uma é a intro, outra é um outro (ambas são faixas com nada mais que uns efeitos electrónicos), duas são a mesma faixa ('A Torch To Pierce The Night' é a terceira faixa do álbum e também a última, mas em espanhol) e uma é uma faixa de spoken word! Torna-se bastante claro logo aí que PURIFICATION não estavam muito preocupados em apresentar música aos seus fãs, mas em pregar a sua mensagem!

A música em si é simples, e até mesmo genérica! Power chords, ritmos rápidos e repetição é a receita, e PURIFICATION seguem-na à risca. Se estão à procura de música agressiva, vão encontrá-la, mas tornar-se-á mais fácil de apreciar para quem partilha a paixão da banda! Este é um álbum criado por militantes, e consequentemente, para militantes! A música é uma plataforma para os ideais dos italianos, e serve apenas esse propósito.

O Hardcore sempre foi um estilo de música bastante centrado na sua mensagem. As opiniões divergem sobre a importância desse aspecto e até do próprio ideal Straight Edge! Não vou entrar nessa discussão aqui, mas se vamos falar de "A Torch To Pierce The Night", ficam a saber que este não é um álbum pensado para ser casualmente apreciado entre tarefas do dia a dia! Os PURIFICATION têm umas opiniões que querem partilhar, e o resultado é "A Torch To Pierce The Night". --- [Diogo Alphonso]

[review] ACRANIA - An Uncertain Collision (2012)


ACRANIA - An Uncertain Collision
(independente – 2012)

Já foi mencionada num texto anterior uma outra banda chamada ACRANIA, mas esta é mesmo outra coisa por completo. Antes de entrar em mais pormenores  imaginem a vossa banda do costume, com os ritmos balançados, o ocasional shred e a voz rouca... Agora imaginem que essa banda arranja um percussionista, e coloquem-nos no México!

O metal deve ser o estilo musical mais aberto a experimentação (sim, há muito elitista por ai, e muitas vezes um simples corte de cabelo chega para receber ódio da multidão. Mas a verdade é que, no plano geral, temos de tudo um pouco na nossa musica) e cada vez mais parece que bandas novas tentam propositadamente atravessar a linha do que parece inimaginável. Felizmente, algumas vão conseguindo fazer isto com sucesso, e este grupo vindo directamente da cidade do México é um belo exemplo. "An Uncertain Collision" conta com secções que poderiam ser directamente tiradas de um qualquer merengue, ou cha cha cha!

Estes ACRANIA tiraram o melhor partido possível da cultura que os rodeia e não hesitaram nem um bocado! Onde se poderia esperar talvez a mais ligeira passagem de congas pelo meio de uma faixa de puro metal, os mexicanos ousados puseram um ensemble completo com todo o tipo de instrumento familiar na musica latina, com trompetes a liderar na intro (como em 'A Praise To Madness') ou um solo de saxofone ('But Not Today').

Algo que faltava, era mesmo uma produção melhor. Mas aos olhos de alguns (aos meus, por exemplo) o valor do artista só é enaltecido pela aparente falta de condições. E de qualquer forma, quando as musicas incluem passagens de bossa nova, brilhantemente executadas, as falhas na produção passam para o plano de fundo e se este texto vos deixou curiosos, mas incertos, recomendo que vão ouvir 'A Praise To Madness 'ou 'Now'. --- [Diogo Alphonso]

[review] NEURONIA - insanity relapse EP (2012)


NEURONIA - insanity relapse EP
(independente - 2012)

A Encyclopaedia Metallum (o Borda D’Água para quase todos os apreciadores de Metal), diz que estes polacos têm o seu quê de death metal melódico! Mas os NEURONIA são inteligentes e gravaram aqui quatro temas em que as vozes limpas se sobrepõem a tudo e deixam-nos com a ligeira impressão que esta banda é mais adepta de um heavy musculado, não fosse a aproximação ao thrash em ‘Kick The Fuckers Out’ e os ocasionais disparos do seu baterista!

O facto de os NEURONIA continuarem ser estar ligados a uma editora, dez anos após a sua formação e com uma discografia que conta com dois albums, dois EP’s (“Insanity Relapse” é o segundo) e uma demo, é caso para admiração! Talvez seja uma abordagem escolhida pela própria banda, mas o facto é que se têm visto coisas qualitativamente bem inferiores, com chancelas oficiais de labels por esse mundo fora! --- [Rui Marujo]

[review] WITCHCRAFT - hegyek felettem (2012)


WITCHCRAFT - hegyek felettem
(Neverheard Distro - 2012)

Existem discos muito mais fáceis de ouvir do que este “Hegyek Felettem”, com fórmulas diferentes, com dinâmicas diferentes e, sobretudo, com temas que, pelo menos, parecem diferentes! Seria de esperar que uma banda que anda representar o black metal húngaro de há tantos anos a esta parte (começaram em 1996) tivesse, entretanto, atingido um certo à vontade no que à composição diz respeito! E não estou a falar em criar black metal para as massas, cheio de ganchos e melodias facilmente assimiláveis e com rápido alcance para os ouvidos! Não! Estou a falar em conseguir gravar um disco de oito temas em que cinco deles não pareçam o mesmo!!

Existe muito pouca variedade aqui e a única coisa que salva este terceiro album dos WITCHCRAFT do verdadeiro marasmo, são os temas ‘Összeesküvés’ (The Conspiracy) e ‘Fekete és hideg’ (Dark and Cold), que nos deixam respirar um pouco com a cabeça fora da repetição, presença constante em todos os outros temas! Poderá ser suficiente para os puristas mas, para muitos outros, vai ser necessário um bom poder de encaixe para chegar ao fim deste disco! --- [Rui Marujo]

[review] NOCTE OBDUCTA - Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen) (2013)


NOCTE OBDUCTA - Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)
(MDD Records - 2013)

Sempre que me começo a convencer da estagnação que parece existir à volta de um género repleto de contribuições kvlt e trves e tudo o mais, quer o destino que me cruze com alguma coisa que me volta a oferecer esperança, no que diz respeito a black metal fora dos limites habituais e do enfado geral que muitas vezes ele consegue provocar! Desta feita, a ingrata tarefa recai sobre os alemães NOCTE OBDUCTA e este seu “Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)”!

Bom, certamente haverá algum purista, daqueles que passa os seus dias numa caverna a desenhar pentagramas na parede e a exercitar a sua misantropia, que queira afirmar a plenos pulmões que esta banda não é black metal mas, na verdade, quem é que lhe quer dar ouvidos? De facto, o prefixo avant-garde é aqui aplicado de uma forma bastante consistente, uma vez que os diferentes andamentos deste album estão instalados em ambientes que muitos podem considerar fora da sua zona de conforto, mesmo que alguns momentos sejam típicamente black metal, surgem sempre envoltos numa aura que parece convidar a percorrer caminhos ainda mais negros, com arranjos diferentes do habitual e vocalizações que podem facilmente oscilar entre dois registos totalmente polarizados!

Passagens acústicas com vozes limpas, cruzadas com pontos pesados e escuros com letras gritadas com a vontade de quem pretende rasgar a garganta de forma paciente, sintetizadores que tanto oferecem molduras fúnebres como podem trazer efeitos complementares às viagens que ocorrem à sua volta, podem encontrar um pouco de tudo isto neste “Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)”, uma visão diferente, ideal para quem gosta que a sua música siga caminhos mais experimentais e não lineares! --- [Rui Marujo]

[review] SANGRE ETERNA - asphyxia (2012)


SANGRE ETERNA - asphyxia
(Maple Metal Records - 2012)

Lembro-me de, recentemente, ter retido uma simples descrição, ou distinção, se preferirem, respeitante à forma como o chamado death metal melódico era interpretado em diversos pontos do globo, mas apontando principalmente aos dois lados do Atlântico, valorizando a forma como as bandas europeias apostam de forma consistente e capaz nos intrincados arranjos de guitarra, para sublinhar as partes partes melódicas dos seus temas!

Apesar dos SANGRE ETERNA não estarem propriamente no lote de bandas que nos lembramos numa hora de aperto, num qualquer quiz-show ficcional com uma categoria de death metal melódico, este disco é um bom exemplo daquela aposta! Estes sérvios sabem compor e têm excelentes temas para o comprovar! Seja com a abertura do disco com ‘The End Of Beauty’ ou com o tema título, ‘Asphyxia’, onde aquela parte de piano soa realmente bem, seja no riff principal de ‘Confession and Death’ ou no seu imediato, ‘Illusions Of Fate’, o facto é que a música que os SANGRE ETERNA aqui apresentam tem muita qualidade!

A fórmula certamente não estará assente na novidade mas, tal como sempre foi a opinião destes ouvidos, é a forma como misturas essa fórmula que conta e se a coisa for bem feita, o resultado final, a música, será apreciado de forma efusiva! Assim acontece com este disco! Óptimo equilíbrio oferecido pelos teclados, que estão rendilhados de uma forma que serve de apoio às melodias, mas não são eles que as impõem! Boa nota também para as vocalizações de Ilija Stevanović, a servirem bem o exigido pelo instrumental!

A curiosidade final passa pelo tema ‘Seventh Angel’, que tem aqui direito a duas versões diferentes, uma mais agressiva, forte e pujante e a outra, mais suave e soft-rock, com um registo vocal completamente diferente e com um início que me levou a pensar tratar-se de um arranjo diferente para ‘Say Just Words’ de Paradise Lost! Mais um bom exemplo da versatilidade de SANGRE ETERNA! Bom som! --- [Rui Marujo]

[review] THUNDERKRAFT - totentanz (2012)


THUNDERKRAFT - totentanz
(Svarga Music - 2012)

Ainda estou a tentar encaixar bem a descrição atribuída à música que os THUNDERKRAFT praticam: industrial folk death/black metal!! De onde é que surge tamanha dobra no continuum espaço-temporal que permite a saudável convivência de algumas destas díspares inclinações sonoras, perguntam vocês? Bom, a julgar pela informação oferecida por esta banda ucraniana, no seu facebook, tudo se resume à conjugação de influências e de experiências levadas a cabo ao longo dos seus doze anos de actividade! O normal, portanto, numa banda que continuamente pretende moldar a sua sonoridade à sua visão criativa!

Acreditem que “Totentanz” (tradução: A Dança dos Mortos) não soa tão estranhamente desequilibrado quanto possa parecer à partida, apesar de conter os seus momentos em que a boa vontade em fundir todos aqueles elementos não é suficiente para ficarmos agarrados ao que se passa à nossa volta! Existem algumas passagens um pouco confusas (‘The Future World’), mas, basicamente, as partes mais industriais prendem-se com ambientes, samples e momentos criados através de computador, enquanto a presença mais forte se mantém na mistura de elementos tradicionalmente mais folk como os violinos ou mesmo o theremin com as inclinações death/black mencionadas no início!

O facto de os temas serem cantados ora em ucraniano, ora em russo ou alemão (‘Totentanz’) talvez não seja o mais apelativo, para quem está comodamente habituado a ouvir quase toda a sua música em inglês, mas aplaude-se o facto dos THUNDERKRAFT não vergarem a sua expressão à facilidade comercial anglo-saxónica! De resto, “Totentanz” não é um disco que vá entusiasmar um serão, mas é interessante pela forma como mistura e serve os seus diferentes géneros. --- [Rui Marujo]

terça-feira, 30 de julho de 2013

[review] BORG 64 - Anywhere But Here EP (2013)


BORG 64 - Anywhere But Here
(Discouraged Records - 2013)

A cena sueca transborda de melo death e não é o primeiro sítio de onde eu esperava ver sair uma banda com grandes níveis de experimentação e mistura de estilos, até ouvir BORG 64! O nome só por si levanta algumas questões, no entanto, nada a que um metaleiro não esteja habituado. A verdadeira confusão vem quando a música irrompe das colunas e enche o ar em picos espásticos e intercalados de distorção e psicadelismo. A verdade é que BORG 64 começou como um projecto de drum & bass nos finais dos anos 90, e algures no caminho os suecos sentiram falta de umas guitarras na mistura e resolveram acelerar a drum machine.
Depois de sete anos parados, BORG 64 entregam-nos um álbum daquilo a que chamam de pissed off hardcore (porque todos sabemos que o hardcore já por si é calminho) mas que sinceramente é difícil de descrever com etiquetas de géneros. 
Por vezes, BORG 64 até parece uma banda de grindcore (a voz não está longe do que se poderia esperar de J. R. Hayes em Pig Destroyer), e há momentos (como a intro de ‘Late Nights At Quarks’) em que realmente a veia hardcoreana se manifesta, mas num ápice a componente electrónica toma as rédeas e redefine o som que ainda à um segundo atrás poderia parecer familiar! ‘Luleå’, a última faixa do EP, é a de mais fácil acesso para os ouvidos acostumados ao canto familiar da música metalada, ainda assim, tal como nas restantes músicas, as surpresas abundam. Mas se a leitura desta review vos despertou a curiosidade e querem sentir todo o esplendor de BORG 64, saltem de cabeça para a primeira faixa, ‘Death To False Power Chords’.
Se procuram novidades para a vossa colecção ou têm uma ampla curiosidade musical, provem “Anywhere But Here”. Este não é um EP para qualquer gosto, mas para os que procuram quebrar algumas barreiras é um EP para ter em mente. --- [Diogo Alphonso]

[review] ECLIPSE PROPHECY - days of judgement (2013)


ECLIPSE PROPHECY - days of judgement
(Maple Metal Records - 2013)

Misturando as diversas facetas do power-metal com algum tempero progressivo, é assim que se apresentam os ECLIPSE PROPHECY neste “Days Of Judgement”, disco lançado em Fevereiro passado, através da editora Maple Metal Records! Este é o primeiro album dos canadianos, depois de em 2012 terem gravado um single com os temas ‘Through The Storm’ e ‘Days Of Judgement’, que surgem agora incluídos no alinhamento deste álbum.

A influência progressiva mostra-se aqui, principalmente, devido à forma como algumas das partes de teclados foram compostas e introduzidas, para aumentar o factor melódico destes temas! Não que existisse uma necessidade tremenda de o fazer, uma vez que o trabalho de guitarras de David McGregor (guitarra/voz) e Martin Machado (guitarra solo) se encarrega de nos embalar melodicamente, quer sejam nos riffs que vão suportando os refrões orelhudos ou nos solos em que podem espalhar toda a sua técnica, mantendo-se fiéis ao objectivo de cada tema e não exagerando em demonstrações desnecessárias de tecnicismo!

As partes vocais estão, na sua maioria, dentro dos parâmetros habituais para este género, com algumas das tentativas para as notas mais altas talvez a soarem um pouco forçadas demais, principalmente se tivermos em consideração que, não raras vezes, McGregor opta por um registo com um pouco mais de gravilha no fundo da garganta! Consegue-se ainda espaço suficiente para incluir um vocalista convidado em ‘The Shattered Mirror’, com a presença de Patrick Loisel, vocalista dos também canadianos Augury, numa prestação death-metal, para reforçar o confronto que é retratado na letra desse tema!

Em resumo, apesar da etiqueta power-metal que os marca, existe aqui força suficiente para que se notem também algumas influências de géneros um pouco mais agressivos (guitarras por vezes thrash, blastbeats, vozes um pouco mais duras), que se misturam de uma forma descomplicada com as melodias e trabalho instrumental intrincado próprio deste estilo! --- [Rui Marujo]

[review] GONOBA - endless cycles (2013)


GONOBA - endless cycles
(On-Parole Productions - 2013)

Existe certamente uma inside joke qualquer com estes eslovenos que explica o porquê de encontrarmos referência ao seu amor por camelos! Caramba, até mesmo o tema que encerra este disco se intitula ‘Camel Metal’! A sério, vejam as fotos do seu facebook, se não acreditam! O porquê desta estranha associação ficará, para já, reservada aos membros desta banda originária de Trzin que, apesar do que possa parecer, levam muito a sério as suas vestes encharcadas da quantidade certa de thrash, com o suficiente de death-metal!
“Endless Cycles” é o segundo trabalho de originais e a estreia pela On-Parole Productions! Representa também uma afirmação no estilo de sonoridade que os GONOBA adoptaram, depois de um início orientado para um registo mais tradicional onde, ainda assim, o thrash-metal era figura de destaque! O que acontece agora é uma onda mais agressiva e com maior atenção aos detalhes e aspectos técnicos de composição! Acrescentam algo mais no departamento do peso, quando assumem algumas influências death-metal, talvez mais a nível musical, uma vez que o registo vocal de Matic Babic mantém-se bem enquadrado e seguro em ambos os lados da vedação! Pensem em Dew-Scented ou Destinity!
Um dos temas que mais nos prendeu a atenção foi ‘As Bridges Fall’, a merecer honras de repetição, enquanto se organizavam papéis e notas, mas deve ser salientada também a inclusão de dois instrumentais, ‘Inevitable’ e ‘Endless Cycles’, que funcionam enquanto verdadeiras peças instrumentais thrash e não como interlúdios ou intros! E se o press-kit falava em fantásticas linhas de baixo, não estava assim tão longe da verdade quanto isso, pois o senhor Branimir Tkalec demonstra dominar muito bem o poder das suas cinco cordas (‘Blame Game’)!
Com “Endless Cycles”, os GONOBA não vão revolucionar em nada o panorama, mas podem certamente contar com eles para acrescentar uma boa dose de qualidade e peso à cena thrash actual! --- [Rui Marujo]

[review] ENTARTUNG - krypteia (2012)


ENTARTUNG - krypteia
(World Terror Committee - 2012)

ENTARTUNG é o nome dado ao esforço colaborativo entre Lykormas (guitarra/bateria/voz) e Vulfolaic (voz/baixo/teclas), que em meados de 2011 resolveram unir-se e começar a criar música descomprometida e sem qualquer tipo de noção comercialista! O resultado foi este “Krypteia”, um disco que visa de alguma forma representar o desprezo que os membros da banda sentem pela mercantilização do black metal! Pessoalmente, acho que têm que se esforçar um pouco mais...

Passo a explicar: não será através das efusivas manifestações estéticas, louvando o oculto e o lado negro da espiritualidade, que o black metal abandonará o seu lado mercantil! Essas facetas visuais há já algum tempo que fazem parte da cultura do entretenimento, mesmo em géneros que nada têm em comum com esta vertente da música pesada! Assim sendo, a solução talvez se encontre na criação de música que vá ao encontro desse lado negro e que represente de forma firme o desconforto e rebeldia, a individualidade e emancipação que deve representar!

O facto dos ENTARTUNG apresentarem aqui temas bastante melódicos e que facilmente embalam quem ouvir a sua música, não está a servir o propósito que eles próprios pretendem alcançar! Sim, o departamento vocal é inteiramente retratado à imagem do registo que muitas bandas de black metal utilizam (o que talvez não abone muito a favor do conceito de aumentar os limites), sujo, agressivo e rasgado, mas ao mesmo tempo denota os aspectos melancólicos que as melodias instrumentais lhe oferecem! Não existem estruturas muito complexas e a experiência enquanto ouvintes faz-nos chegar à conclusão de que confiaram mais na segurança do que na experimentação e na audácia! De um ponto de vista meramente comparativo, a música presente em “Krypteia” é em muitos aspectos mais comerciável e facilmente assimilável que muitas outras bandas do mesmo género que existem hoje em dia! Mas não deixa de ser um disco de black metal perfeitamente aceitável! --- [Rui Marujo]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

[review] DEATH RAY VISION - Get Lost or Get Dead (2013)


DEATH RAY VISION - Get Lost or Get Dead
(Bullet Tooth Records - 2013)

Se alguma vez houve uma cena conhecida pela sua agressividade e peso foi a cena de Boston. Grandes bandas já saíram de lá para virem a dominar o relmo do Metal em todo o mundo, e quando levamos em conta que Killswitch Engage e Shadows Fall são duas das bandas nessa categoria torna-se fácil de prever o tipo de som resultante de uma união entre membros dos dois lados.

Mike D (baixista de Killswitch Engage) e Brian Fair (vocalista de Shadows Fall) já trabalharam juntos em Overcast no passado, o que explica a escolha de Mike D quando se viu com algumas musicas que não encaixavam exactamente no repertório de Killswitch. Os dois gigantes do metal reuniram-se para mais um projecto capaz de partir pescoços, e só para boa medida chamaram Pete Cortese, que já teve também a sua parte em KSE e Overcast. O lineup é completado por Colin Conway na bateria (actualmente também em Frozen) e Zach Wells na guitarra (também em Razors In The Night).

“Get Lost or Get Dead”, o primeiro EP de Death Ray Vision (nota: agora reeditado pela Bullet Tooth Recs) são 14 minutos de old school hardcore e thrash distribuídos por cinco musicas que não perdem tempo e assaltam os sentidos de imediato com a energia e ferocidade típica do som de Boston que inspirou já tantas bandas. Gang shouts e um certo apelo ao 2-tep são elementos presentes pelo EP fora, mas parecem tornar-se mais aparentes em “Get Lost Or Get Dead”, a musica que empresta o seu titulo ao EP e que se destaca das restantes à primeira passagem, com uma melodia simples e ainda assim apelativa. “Shattered Frames” e “Not For Glory” arrancam a toda a velocidade e não pedem desculpas a ninguém, são pura energia e incitam headbangs a torto e a direito. “Chainsaw Of Bees” é um instrumental, e possivelmente o ponto baixo do ep. Dá a sensação de que nos foi dado um momento para descansar mas de que estamos constantemente a avançar para uma secção da musica que nunca chega, e depois passamos para “Drown The Light”, que rapidamente retoma o balanço das musicas anteriores. 

Mas não pensem que vão ouvir uma reciclagem do som de anos passados com este EP. DEATH RAY VISION é um novo projecto, e deve ser encarado como tal. Vai com certeza satisfazer aqueles que estavam esperançosamente à espera que Overcast regressasse ao activo, mas trás as suas raízes para os dias de hoje, em vez de nos transportar no sentido contrário. Está planeado um LP para 10 de Setembro deste ano com o titulo “We Ain’t Leavin Until You’re Bleedin’“, por isso fiquem atentos. --- [Diogo Alphonso]

[review] NORDHEIM - refill (2013)


NORDHEIM - refill
(Maple Metal Records - 2013)

As referências destes canadianos estendem-se um pouco através dos nórdicos campos do folk, das vozes que, em coro, elevam as mais valias do hidromel e da cidra e que cantam as paisagens montanhosas e os lagos gelados! Assumem-se estas referências como fazendo parte integrante do mesmo universo de Ensiferum, Finntroll, Korpiklaani, Turisas ou Alestorm! Este “Refill” é o segundo album desta banda, o primeiro a sair pela editora Maple Metal Records, depois de um primeiro disco auto-financiado em 2010, “Lost In The North”, e de uma demo em 2009!

Sabendo à partida quais os pontos cardeais que iríamos aqui encontrar, não foi surpresa nenhuma encontrar uma colecção de temas muito focados na melodia, apesar de esperarmos mais foco na parte folk festiva! Apesar de tudo, esse aspecto não é descurado e, por entre os vários argumentos explosivos de blastbeats suportando fragmentos de coros tipicamente folk aliados a uma entrega vocal muitas vezes próxima do black metal ou melodeath, lá vamos encontrando o balanço indicado para os brindes e danças pagãs de celebração! Em ‘Get Drunk Or Die Trying’, o potenciómetro da festa é elevado ao onze, com a participação dos convidados Trollfest que, directamente da Noruega, trouxeram as suas gargantas vikings para adornar este hino de celebração ao declínio hepático!

Mesmo que esteja aqui presente o aroma intenso a levedura, também não faltam momentos mais sérios e a tocar ombros com as entregas mais próximas do black metal melódico, isto em termos musicais, pois no que diz respeito à estética, os NORDHEIM encontram-se num lugar diferente! Temas competentes e bem estruturados, com os teclados a fazerem muitas vezes o papel de outros instrumentos habituais nestas andanças, mas oferecendo sempre uma moldura adequada à direcção pretendida em cada tema, este disco certamente encontrará aprovação entre os apreciadores das bandas referidas no início! --- [Rui Marujo]

[review] DREADFIRE - rearview sinner EP (2013)


DREADFIRE - rearview sinner EP
(independente - 2013)

”Rearview Sinner” é uma curta espreitadela por detrás da cortina de DREADFIRE, o quinteto Lisboeta que, depois de algumas alterações no line up, consiste em Kevin Palma (voz), Thiago Fonseca (bateria), Bruno Pereira (guitarra), Pedro Soares (guitarra) e Tiago Pereira (baixo), lançaram o ano passado o single acompanhado de uma musica já conhecida pelos seguidores da banda, 'Face The Storm'.

Esta é a primeira participação dos novos membros (Kevin e Thiago) e é um óptimo começo. A voz de Kevin é uma novidade especialmente notável e complementa a musica com uma força incrível, enquanto que Thiago não se acanha na sua participação, com rolls constantes e uma aproximação própria aos riffs.

"Rearview Sinner" é uma musica rápida e energética que, mais ainda do que esforços anteriores, parece demonstrar algumas influencias por parte de nomes como Lamb of God e Mastodon (pre-Crack The Skye). Parece ser a forma perfeita de introduzir os novos membros ao mundo, pois o som de DREADFIRE é perfeitamente reconhecível, mas Kevin e Thiago não passam despercebidos. E a mensagem passa claramente, de que DREADFIRE ainda não passou o seu auge e ainda tem algo para dar à cena portuguesa. --- [Diogo Alphonso]

[review] TORTORUM - extinctionist (2013)


TORTORUM - extinctionist
(World Terror Committee - 2013)

Se eu vos disser que os TORTORUM são noruegueses e vêm da cidade de Bergen, qual será a vertente de música pesada que vamos abordar nas linhas seguintes? Penso que não será difícil de perceber, que estamos perante uma banda de trve norwegian black metal, certo? Apesar desta designação em particular não ser utilizada pela banda, no fundo, sei que foi o que todos pensaram e a resposta é essa mesmo!

Que mais pode então ser dito acerca de black metal norueguês que ainda não tenha sido? Nem de propósito, ainda recentemente, em conversa com almas semelhantes, abordámos um pouco esta questão, o que dizer acerca de uma roda que já foi inventada, montada e viajada tantas e tantas vezes, mantendo a mesma objectividade e assertividade? Concluímos que, em muitos casos, ainda que as preferências pessoais possam estar presentes de forma dissimulada, será difícil não examinar um disco ou uma banda com base em algumas premissas e conceitos que abraçámos e tornámos nossos.

No presente caso dos TORTORUM, a dificuldade existe em atravessar o vago e estéril campo criativo que compõe estes nove temas, tornando-se um pouco complicado de encontrar uma margem onde possamos descansar um pouco e descobrir que estes noruegueses, afinal, também conseguem escrever coisas que chamem a atenção! Esta afirmação justifica-se com a opinião de que, brutalidade apenas por brutalidade não é suficientemente cativante para nos fazer regressar a estes temas!

Curiosamente, os momentos que mais prendem a atenção e que escapam à tentação bocejante do resto de “Extinctionist” encontram-se em três temas consecutivos, com ‘Kindling The World Conflagration’, ‘Fucking Worthless’ e ‘Gloria In Extinction’ a justificar o constante replay nesta parte do disco, para compensar o tempo que perdemos, por exemplo, com ‘Mother Infirmity’ que, de tão agonizantemente repetitiva, somos obrigados a saltar! --- [Rui Marujo]