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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[review] ACRANIA - An Uncertain Collision (2012)


ACRANIA - An Uncertain Collision
(independente – 2012)

Já foi mencionada num texto anterior uma outra banda chamada ACRANIA, mas esta é mesmo outra coisa por completo. Antes de entrar em mais pormenores  imaginem a vossa banda do costume, com os ritmos balançados, o ocasional shred e a voz rouca... Agora imaginem que essa banda arranja um percussionista, e coloquem-nos no México!

O metal deve ser o estilo musical mais aberto a experimentação (sim, há muito elitista por ai, e muitas vezes um simples corte de cabelo chega para receber ódio da multidão. Mas a verdade é que, no plano geral, temos de tudo um pouco na nossa musica) e cada vez mais parece que bandas novas tentam propositadamente atravessar a linha do que parece inimaginável. Felizmente, algumas vão conseguindo fazer isto com sucesso, e este grupo vindo directamente da cidade do México é um belo exemplo. "An Uncertain Collision" conta com secções que poderiam ser directamente tiradas de um qualquer merengue, ou cha cha cha!

Estes ACRANIA tiraram o melhor partido possível da cultura que os rodeia e não hesitaram nem um bocado! Onde se poderia esperar talvez a mais ligeira passagem de congas pelo meio de uma faixa de puro metal, os mexicanos ousados puseram um ensemble completo com todo o tipo de instrumento familiar na musica latina, com trompetes a liderar na intro (como em 'A Praise To Madness') ou um solo de saxofone ('But Not Today').

Algo que faltava, era mesmo uma produção melhor. Mas aos olhos de alguns (aos meus, por exemplo) o valor do artista só é enaltecido pela aparente falta de condições. E de qualquer forma, quando as musicas incluem passagens de bossa nova, brilhantemente executadas, as falhas na produção passam para o plano de fundo e se este texto vos deixou curiosos, mas incertos, recomendo que vão ouvir 'A Praise To Madness 'ou 'Now'. --- [Diogo Alphonso]

[review] THUNDERKRAFT - totentanz (2012)


THUNDERKRAFT - totentanz
(Svarga Music - 2012)

Ainda estou a tentar encaixar bem a descrição atribuída à música que os THUNDERKRAFT praticam: industrial folk death/black metal!! De onde é que surge tamanha dobra no continuum espaço-temporal que permite a saudável convivência de algumas destas díspares inclinações sonoras, perguntam vocês? Bom, a julgar pela informação oferecida por esta banda ucraniana, no seu facebook, tudo se resume à conjugação de influências e de experiências levadas a cabo ao longo dos seus doze anos de actividade! O normal, portanto, numa banda que continuamente pretende moldar a sua sonoridade à sua visão criativa!

Acreditem que “Totentanz” (tradução: A Dança dos Mortos) não soa tão estranhamente desequilibrado quanto possa parecer à partida, apesar de conter os seus momentos em que a boa vontade em fundir todos aqueles elementos não é suficiente para ficarmos agarrados ao que se passa à nossa volta! Existem algumas passagens um pouco confusas (‘The Future World’), mas, basicamente, as partes mais industriais prendem-se com ambientes, samples e momentos criados através de computador, enquanto a presença mais forte se mantém na mistura de elementos tradicionalmente mais folk como os violinos ou mesmo o theremin com as inclinações death/black mencionadas no início!

O facto de os temas serem cantados ora em ucraniano, ora em russo ou alemão (‘Totentanz’) talvez não seja o mais apelativo, para quem está comodamente habituado a ouvir quase toda a sua música em inglês, mas aplaude-se o facto dos THUNDERKRAFT não vergarem a sua expressão à facilidade comercial anglo-saxónica! De resto, “Totentanz” não é um disco que vá entusiasmar um serão, mas é interessante pela forma como mistura e serve os seus diferentes géneros. --- [Rui Marujo]

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

BROKEN HOPE: avanço para o próximo album "Omen Of Disease"


directamente da inbox:

“Trazidos à vida em 1989, os BROKEN HOPE surgiram da mente do guitarrista e principal compositor, Jeremy Wagner, quando este ainda andava no secundário! Mas a sua ambição e motivação eram notórias desde o início!

Em 1989 e 1990, os BROKEN HOPE gravaram duas demos que lhes valeram um contrato com a editora Grind Core Records! Em 1991, cuspiram o seu album de estreia, “Swamped In Gore”, que consequentemente lançou a banda para além das fronteiras do underground!”

Avancemos então para 2013, mais precisamente para o próximo mês de Setembro, que é quando chegará o novo disco de BROKEN HOPE, a que foi dado o nome “Omen Of Disease”!

Fica uma amostra do que aí vem, com o tema ‘The Flesh Mechanic’:

terça-feira, 30 de julho de 2013

[review] GONOBA - endless cycles (2013)


GONOBA - endless cycles
(On-Parole Productions - 2013)

Existe certamente uma inside joke qualquer com estes eslovenos que explica o porquê de encontrarmos referência ao seu amor por camelos! Caramba, até mesmo o tema que encerra este disco se intitula ‘Camel Metal’! A sério, vejam as fotos do seu facebook, se não acreditam! O porquê desta estranha associação ficará, para já, reservada aos membros desta banda originária de Trzin que, apesar do que possa parecer, levam muito a sério as suas vestes encharcadas da quantidade certa de thrash, com o suficiente de death-metal!
“Endless Cycles” é o segundo trabalho de originais e a estreia pela On-Parole Productions! Representa também uma afirmação no estilo de sonoridade que os GONOBA adoptaram, depois de um início orientado para um registo mais tradicional onde, ainda assim, o thrash-metal era figura de destaque! O que acontece agora é uma onda mais agressiva e com maior atenção aos detalhes e aspectos técnicos de composição! Acrescentam algo mais no departamento do peso, quando assumem algumas influências death-metal, talvez mais a nível musical, uma vez que o registo vocal de Matic Babic mantém-se bem enquadrado e seguro em ambos os lados da vedação! Pensem em Dew-Scented ou Destinity!
Um dos temas que mais nos prendeu a atenção foi ‘As Bridges Fall’, a merecer honras de repetição, enquanto se organizavam papéis e notas, mas deve ser salientada também a inclusão de dois instrumentais, ‘Inevitable’ e ‘Endless Cycles’, que funcionam enquanto verdadeiras peças instrumentais thrash e não como interlúdios ou intros! E se o press-kit falava em fantásticas linhas de baixo, não estava assim tão longe da verdade quanto isso, pois o senhor Branimir Tkalec demonstra dominar muito bem o poder das suas cinco cordas (‘Blame Game’)!
Com “Endless Cycles”, os GONOBA não vão revolucionar em nada o panorama, mas podem certamente contar com eles para acrescentar uma boa dose de qualidade e peso à cena thrash actual! --- [Rui Marujo]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

[review] THE KONSTELLATION - Order Of The Universe (2012)


THE KONSTELLATION - Order Of The Universe
(independente - 2012)

Nunca sabemos muito bem ao que vamos, quando se trata de ouvir um disco que, para além das descrições que te podem deixar mais ou menos encaminhado, incluem a vinheta do progressive! Sabemos que pode significar muita coisa, mas normalmente este termo sai da cartola quando não se consegue encaixar muito bem o que temos em mãos, quando não existe uma zona de conforto perfeitamente identificável para nos deixar descansados e termos que evitar grandes explicações! Experimentalismo, fusão de géneros estranhos à partida, seja o que for!

Os húngaros THE KONSTELLATION também viajam com essa identificação na sua sequência genética, mas com linhas bem demarcadas na sonoridade que apresentam neste primeiro longa duração! Existem aqui os mapas para o black-metal de inclinação melódica, que cruza caminhos com um death-metal cujas inspirações líricas o coloca no infinito estelar! As vocalizações podem variar entre as frases limpas, mas assumidamente negras e obscuras, e as entregas guturais, com o meio termo moderadamente frio e rasgado! É uma dança de ímpetos que nos pode transportar a lugares diferentes dentro de um mesmo tema!

O tema de abertura ‘Macrocosmos’ tem aquele embalo próprio da influência black-metal no movimento pendular de uma forma de metal que não quer acelerar, mas que mantém o seu ímpeto seguro! Vão surgindo, em seguida, novos exemplos de como a estrutura destes temas é feita com base na desconstrução de moldes, apenas para voltar a juntar as peças em novas formas! Os ímpetos voltam a dançar e a negar as facilidades pré-concebidas dos géneros em que confiam para se manterem seguros! Mantenham-se atentos! --- [Rui Marujo]

segunda-feira, 3 de junho de 2013

AGE OF WOE - inhumanform [review]


AGE OF WOE – inhumanform
(Give Praise / Suicide Records - 2013)

Apesar de, nos últimos anos, as descrições que tendem a adjectivar alguma banda como sendo uma experiência híbrida entre o metal e o hardcore terem a tendência de fazer com que as pessoas queiram fugir desses desgraçados como o tinhoso foge da cruz, o certo é que temos assistido, mais recentemente, ao surgir de muitos projectos que se afastam dos chuga-chugas monótonos e dos breakdowns previsíveis e apostam, sobretudo, em criar riffs e ambientes inspirados no melhor que o thrash, death ou black-metal têm para oferecer para depois sujar tudo (no melhor dos sentidos), com aquele carvão próprio que o crust consegue oferecer a quem quer que esteja disposto a fazer música agressiva!

O facto desta banda vir da Suécia pode levar muitos a crer que se trata de mais uma boca a mamar na teta das guitarras injectadas de sangue de Entombed mas, na verdade, os AGE OF WOE demonstram que as ruas em Gotemburgo têm muitas transversais e diversos são os caminhos possíveis que uma banda pode percorrer! É possível ser-se adepto da velocidade suja, na mesma medida em que os momentos de balanço moderado também podem fazer parte da nossa agressiva forma de enfrentar o mundo que nos suja!

Uma banda que decide registar a base musical para um disco, tocando de forma directa, com todos os membros ao vivo, em estúdio e que o consegue fazer em apenas 4 dias, merece a nossa atenção, se não for pelo resultado alcançado, que o seja então pela audácia de trabalhar de uma forma que visa capturar a energia pura da música que fazem, porque é disso mesmo que se trata e é isso mesmo que importa! Estamos a falar aqui de um primeiro álbum, uma afirmação de intenções!

Pela parte que nos toca, seja nos momentos crust mais acelerados de ‘The King Of Thieves’ ou ‘The Antagonist’, no início mais thrash de ‘At First Light’ ou nos passos mais arrastados de ‘Cold Cycle’, o certo é que os AGE OF WOE nos mostram, sem rodeios ou jogos de espelhos, qual é a sua visão, qual é o seu caminho! É duro, pesado e, se poderá afastar muita gente, vai certamente atrair muito mais! --- [Rui Marujo]

quinta-feira, 21 de março de 2013

BLACK MASS – of first and last things (review)


BLACK MASS – of first and last things
(independente - 2013)

Vindos de Inglaterra, os BLACK MASS começam o ano de 2013 com um lançamento em que regravaram e compilaram todos os temas que tinham já sido lançados pela banda, principalmente em splits e compilações! Seria de pensar que o track-list de “Of First and Last Things” seria imenso, não acham? Principalmente se tivermos em conta que na descrição da banda surge o género grindcore!! Mas não, nem por isso... Este compêndio de regravações lançado em Janeiro apresenta-se na magnitude dos seus 21 minutos com apenas 8 temas!!

Na verdade, estes ingleses soam como se alguém tentasse misturar death-metal, sludge, crust e um pouco de grind dentro de um enorme caldeirão cheio de massa betuminosa negra a tresandar a enxofre e com o poder silencioso do amianto! São oito temas que evoluem entre a velocidade abrasiva do blastbeat ao arrastar setentista de distorções escandinavas e vozes podres expurgadas dos confins da zona intestinal! É sujo e essa crosta de sujidade quase que define toda esta massa negra que se vai espalhando nestes temas revisitados enquanto não surgem novas purgas e novos títulos para espalhar pelos limites da tempestade! (Rui Marujo)

SCIENCE OF SLEEP – affliction EP (review)


SCIENCE OF SLEEP – affliction EP (2012)
(independente - 2012)

Conhecem aquela estranha sensação de apetite que, depois de tentativamente ser saciado com o pedaço de alimento mais elegante do frigorífico, teima em permanecer e enviar-nos mensagens contínuas àquela parte do cérebro que controla os apetites, apenas para o torturar, sussurrando uma e outra vez que não era bem aquilo que estava a apetecer?

Estabelecendo o paralelismo metafórico com a música dos SCIENCE OF SLEEP, o que se passa é que, apesar dos vinte minutos de agressão desmesurada apresentados em “Affliciton”, o sentimento que aqui se vai instalando é que esta estirpe de death metal modernaço se come, mas não alimenta muito! A principal causa para isto acontecer? A prescrição genérica que foi passada a estes cinco temas + intro!

Que não restem quaisquer dúvidas de que estes alemães são pesados! E aqui já não estou a fazer qualquer tipo de ginástica com metáforas! Não podemos negar que a sua música é agressiva, rápida e, aparentemente, com a devida quantidade de capacidade técnica que o género exige! O que acontece é que, chegando ao final de ‘Slice & Dice’, tema que encerra o EP, os SCIENCE OF SLEEP pouco deixaram para trás que os recorde! E o recurso frequente aos breakdowns não conta! (Rui Marujo)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

XUL - malignance (2012)


XUL - malignance
(independente - 2012)

Para bandas que estão a tentar alcançar e firmar o seu lugar no meio underground, a frequência com que lhes são atribuídas características semelhantes a nomes estabelecidos na cena é enorme! Umas vezes por manifesto elogio, outras pela sobreposição que a sua sonoridade sugere, outras, apenas e só, para um exercício de localização, uma espécie de orientação para se saber concretamente do que estamos a falar!

Com os canadianos XUL, penso que a aproximação feita a nomes como Behemoth ou Dissection (citados na própria press-release), se prende muito com a inclinação elogiosa que deve ser feita a uma banda com este tipo de lançamento para um album de estreia! Sim, editaram um EP em 2010 (“Beyond Darkened Mountains”), mas este é o primeiro longa-duração e, é preciso dizê-lo, conseguido de forma independente!

Poderá não possuir a mesma dimensão em termos de produção ou aquela sonoridade absolutamente devastadora que a banda de Nergal tem apresentado a cada lançamento, mas também não está tão longe disso como possam pensar! Mas, mais importante que isso, a qualidade da música que estes canadianos criaram para este “Malignance”, está bem acima da média, podendo muito bem sustentar o nome dos XUL para futuras edições! Não são apenas nas fontes do death-metal blackenizado que estes temas vão beber, havendo também alguns detalhes mais thrash mas, no geral, a quantidade de bons riffs e excelentes transições que se vão ouvindo ao longo destes oito temas apenas servem para elevar a qualidade deste disco! (Rui Marujo)

FUGAX - bury the hatchet wound (2012)

 
FUGAX - bury the hatchet wound
(independente - 2012)

Proctalgia Fugax: ataques de dor espásmica anal, frequentemente ocorridos durante a noite, que podem durar entre alguns segundos até vários minutos! Por norma, estes episódios ocorrem durante a infância, mas estudos também detectaram o mesmo padrão em idades até aos 45 anos! Durante cada episódio, o paciente sente uma dor espásmica, por vezes intensa, no ânus, dando-lhe a falsa sensação de que algum tipo de actividade defecatória estará prestes a ocorrer!

Estou a providenciar toda esta informação para que não sintam que o vosso tempo tenha sido gasto em vão, uma vez que existe tão pouco a dizer acerca de FUGAX e deste “Bury The Hatchet Wound”: slamming death-metal, lento, com voz saturada e imperceptível, com toda a sensação de que tudo foi gravado durante uma tarde com uma bateria electrónica! ‘Chuncky Bits Of Ass’ e ‘The Trouble With Bees’ são temas com nomes engraçados. Ao que parece, a banda é americana. Acho que é tudo. (Rui Marujo)