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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[review] NOCTE OBDUCTA - Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen) (2013)


NOCTE OBDUCTA - Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)
(MDD Records - 2013)

Sempre que me começo a convencer da estagnação que parece existir à volta de um género repleto de contribuições kvlt e trves e tudo o mais, quer o destino que me cruze com alguma coisa que me volta a oferecer esperança, no que diz respeito a black metal fora dos limites habituais e do enfado geral que muitas vezes ele consegue provocar! Desta feita, a ingrata tarefa recai sobre os alemães NOCTE OBDUCTA e este seu “Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)”!

Bom, certamente haverá algum purista, daqueles que passa os seus dias numa caverna a desenhar pentagramas na parede e a exercitar a sua misantropia, que queira afirmar a plenos pulmões que esta banda não é black metal mas, na verdade, quem é que lhe quer dar ouvidos? De facto, o prefixo avant-garde é aqui aplicado de uma forma bastante consistente, uma vez que os diferentes andamentos deste album estão instalados em ambientes que muitos podem considerar fora da sua zona de conforto, mesmo que alguns momentos sejam típicamente black metal, surgem sempre envoltos numa aura que parece convidar a percorrer caminhos ainda mais negros, com arranjos diferentes do habitual e vocalizações que podem facilmente oscilar entre dois registos totalmente polarizados!

Passagens acústicas com vozes limpas, cruzadas com pontos pesados e escuros com letras gritadas com a vontade de quem pretende rasgar a garganta de forma paciente, sintetizadores que tanto oferecem molduras fúnebres como podem trazer efeitos complementares às viagens que ocorrem à sua volta, podem encontrar um pouco de tudo isto neste “Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)”, uma visão diferente, ideal para quem gosta que a sua música siga caminhos mais experimentais e não lineares! --- [Rui Marujo]

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

TOXIC WALTZ: em busca de uma editora para a estreia


Os TOXIC WALTZ são uma jovem banda alemã, formada no início de 2009, com o intuito de se lançarem no mundo do thrash metal, com declaradas influências da Bay Area (Exodus, Heathen, Dark Angel)!

Desde a sua formação, têm apostado na sua evolução e na construção de uma experiência de palco que os tem levado a palcos cada vez maiores, partilhando já alguns concertos com bandas como Six Feet Under, Alpha Tiger ou Debauchery!

Neste momento, a banda tem o seu disco de estreia pronto para ser lançado, faltando apenas uma editora que esteja interessada em associar-se ao nome dos TOXIC WALTZ para que este album consiga ver a luz do dia!

A todos os possíveis interessados em vir a conhecer melhor o trabalho destes alemães, basta seguir os seus links:

terça-feira, 30 de julho de 2013

[review] ENTARTUNG - krypteia (2012)


ENTARTUNG - krypteia
(World Terror Committee - 2012)

ENTARTUNG é o nome dado ao esforço colaborativo entre Lykormas (guitarra/bateria/voz) e Vulfolaic (voz/baixo/teclas), que em meados de 2011 resolveram unir-se e começar a criar música descomprometida e sem qualquer tipo de noção comercialista! O resultado foi este “Krypteia”, um disco que visa de alguma forma representar o desprezo que os membros da banda sentem pela mercantilização do black metal! Pessoalmente, acho que têm que se esforçar um pouco mais...

Passo a explicar: não será através das efusivas manifestações estéticas, louvando o oculto e o lado negro da espiritualidade, que o black metal abandonará o seu lado mercantil! Essas facetas visuais há já algum tempo que fazem parte da cultura do entretenimento, mesmo em géneros que nada têm em comum com esta vertente da música pesada! Assim sendo, a solução talvez se encontre na criação de música que vá ao encontro desse lado negro e que represente de forma firme o desconforto e rebeldia, a individualidade e emancipação que deve representar!

O facto dos ENTARTUNG apresentarem aqui temas bastante melódicos e que facilmente embalam quem ouvir a sua música, não está a servir o propósito que eles próprios pretendem alcançar! Sim, o departamento vocal é inteiramente retratado à imagem do registo que muitas bandas de black metal utilizam (o que talvez não abone muito a favor do conceito de aumentar os limites), sujo, agressivo e rasgado, mas ao mesmo tempo denota os aspectos melancólicos que as melodias instrumentais lhe oferecem! Não existem estruturas muito complexas e a experiência enquanto ouvintes faz-nos chegar à conclusão de que confiaram mais na segurança do que na experimentação e na audácia! De um ponto de vista meramente comparativo, a música presente em “Krypteia” é em muitos aspectos mais comerciável e facilmente assimilável que muitas outras bandas do mesmo género que existem hoje em dia! Mas não deixa de ser um disco de black metal perfeitamente aceitável! --- [Rui Marujo]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

[review] ETERNITY - pestiferous hymns rev. I-I-XXXIII (2012)


ETERNITY - pestiferous hymns rev. I-I-XXXIII
(World Terror Committee - 2012)

Confesso já aqui que não foi tarefa fácil ouvir este “Pestiferous Hymns Rev. I-I-XXXIII”! Assim, de repente, apenas posso depositar as culpas na minha desordem bipolar que facilmente é acometida por mudanças de humor de difícil tolerância! Quando se trata de ouvir black metal, os sintomas têm tendência a piorar e aí vamos nós numa espiral de caprichos imberbes!

Vejamos, ao pressionar o play e assistir ao desenrolar daquilo que me pareceu uma intro enorme, não consegui evitar o desejo sarcástico de agarrar num cronómetro e descobrir em quanto tempo é que este tema (‘Down To The Southern Abyss’) se iria transformar numa receita genérica: 3m54s foi quanto demorou até que os ETERNITY disparassem os blasts e passassem a soar a milhares de outras bandas de black metal! Na verdade, fiquei um pouco irritidado por os meus dotes de adivinhação não me terem desiludido, queria ser surpreendido e não embrulhado em papel pardo de mais-do-mesmo! Restava-me o conforto deste ser apenas o primeiro tema e que ainda havia tempo de encontrar a salvação um pouco mais à frente!

Uma espécie de redenção começou a surgir com ‘...Like 1000 Suns’, onde as linhas de guitarra se tornaram mais agradáveis e menos repetitivas, ao contrário do anterior ‘Temple Of Flesh’, apesar deste também não ser um tema totalmente descartável! O que me continuou a oferecer alguns pontos de desconforto prendeu-se com a duração dos temas, apenas um deles abaixo da marca dos 6 minutos e dois deles acima dos 8 minutos! Se bem que num ou noutro caso a composição assim o parecia pedir, na grande maioria das vezes as coisas pareciam apenas prolongar-se para lá do ideal. --- [Rui Marujo]

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PER CAPITA / FREEDOM IS A LIE - split 12" [review]


PER CAPITA / FREEDOM IS A LIE - split 12”

(independente - 2013)
http://percapitacrust.bandcamp.com
http://freedomisalie.bandcamp.com

Duas forças demolidoras uniram esforços para lançar este split, dois ataques violentos que, do centro da Europa, lançam a sua própria versão de activismo e fúria, na forma de constantes ataques ensopados em crust, hardcore, punk e grindcore!

Por um lado, temos os alemães PER CAPITA, que debitam nove temas de agressão e poder, directamente de Munique para o mundo! Uma banda que, desde as suas raízes na sonoridade suja dos anos 80 ou 90, evoluiu até à presente formação de duplo ataque de guitarra e berros crust/grind! Os seus temas percorrem temáticas que atacam a crua realidade da vida e do mundo moderno, com a sua ausência de valores, aumento do fosso entre classes e violência sem quartel! É como ouvir um noticiário onde nos dizem a verdade!

Já os FREEDOM IS A LIE, lançam a sua dose de crust/hardcore acelerado a partir das proximidades da cidade de Budapeste, Hungria! Os seus temas também possuem um pequeno sabor grindcore, o que ajuda a temperar as vocalizações agressivas e as letras gritadas em húngaro! O foco das suas dissertações, à semelhança dos seus amigos alemães, passa pelos problemas sociais e políticos, com o objectivo de deixar a nú as falhas exixtentes no sistema vigente! No fecho, ainda presenteiam os amantes de música extrema com uma rendição de ‘Blinded - Time To Act’, original dos suecos Nasum! Uma bela dose de cacetada saudável! --- [Rui Marujo]

CRIPPER - totmann [video]



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sexta-feira, 29 de março de 2013

VARGSHEIM – erleuchtung [review]


VARGSHEIM – erleuchtung
(MDD Records - 2013)

Esta banda alemã surgiu no domínio da Bolacha sem que tivesse havido uma percepção prévia da sua existência, apesar de ser um nome que se tem mantido activo desde 2005, sendo que “Erleuchtung” é já o seu segundo registo de longa duração! Este trio bávaro constitui também a banda de suporte que acompanha o projecto Imperium Dekadenz nas suas aparições ao vivo.

Desconhecendo o nome, desconhecia também que tipo de sonoridade estaria à minha espera quando premisse play e deixasse que os sete temas deste lançamento fizessem o seu estrago nos meus ouvidos! As primeiras impressões deixavam antever que seria mais uma fatia de black metal tradicional, dado o ataque inicial oferecido pelos primeiros minutos de ‘Welt In Schillerndem’, o tema de abertura, mas rapidamente o ponteiro alterou a sua direcção e, afinal, o que temos aqui cai mais na categoria da exploração de fronteiras entre géneros! Passo a explicar, existe aqui algum conteúdo que poderá ser encaixado dentro dos parâmetros black metal, o registo de voz talvez seja o mais declarado e em alguma da construcção do trabalho de guitarras esse ponto também se faz notar, mas a verdade é que os pratos da balança tendem mais para um campo progressivo em que essa origem black metal se funde com o explorar típico do post-rock a que se juntam ainda algumas paisagens atmosféricas em que a melodia interpreta um papel fundamental!

O título deste disco significa “Esclarecimento” e essa definição assenta muito bem nesta experiência, neste desvendar de páginas entre cada tema de VARGSHEIM! Não é o tradicional e fugaz registo black metal que se esperava no início, mas sim uma viagem mais complexa de diferentes camadas, diferentes velocidades e diferentes estados de espírito! [Rui Marujo]