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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[review] ILLNULLA – illnulla (2012)


ILLNULLA – illnulla
(independente - 2012)

Temos aqui um projecto italiano, constituído por duas mentes criativas, Cris (todos os instrumentos) e Al (todas as vozes), criado quando corria o ano 2011 e que trouxeram ao mundo este trabalho auto-intitulado, de forma totalmente independente! Trata-se de uma incursão no mundo do black metal, feito de forma capaz e imaginativa, fugindo da paisagem estéril da vertente mais tradicionalista e apresentando uma roupagem mais moderna.

O ritmo nunca aumenta exageradamente, aparte de algumas passagens aqui e ali (leia-se: existem partes rápidas, mas não é um album de black metal em velocidade), fazendo com que o foco principal acabe por ser depositado no poder da composição e na maldade que parece sair da voz de Al, a cada purga de palavras, todas elas em italiano, em temas como ‘La mia miseria, la mia grandezza’ ou ‘Non credo nel tuo dio’! Por vezes, o universo de Satyricon vem à mente, na forma como alguns destes temas se vão desenrolando, mas não creio que que se trate de uma questão de falta de originalidade, mas sim de partilha de visão e semelhantes estados de espírito!

Este é o primeiro e até agora único lançamento dos ILLNULLA, mas espera-se que esta dupla possa vir a oferecer mais música num futuro próximo, com ou sem editora por trás, uma vez que esta estreia soa muito segura e coesa, mesmo tendo sido gravada apenas por uma pessoa! Os temas aqui presentes possuem qualidade suficiente para arriscarmos diversas audições e ficarmos curiosos com o que possam vir a oferecer daqui para a frente! --- [Rui Marujo]

[review] WITCHCRAFT - hegyek felettem (2012)


WITCHCRAFT - hegyek felettem
(Neverheard Distro - 2012)

Existem discos muito mais fáceis de ouvir do que este “Hegyek Felettem”, com fórmulas diferentes, com dinâmicas diferentes e, sobretudo, com temas que, pelo menos, parecem diferentes! Seria de esperar que uma banda que anda representar o black metal húngaro de há tantos anos a esta parte (começaram em 1996) tivesse, entretanto, atingido um certo à vontade no que à composição diz respeito! E não estou a falar em criar black metal para as massas, cheio de ganchos e melodias facilmente assimiláveis e com rápido alcance para os ouvidos! Não! Estou a falar em conseguir gravar um disco de oito temas em que cinco deles não pareçam o mesmo!!

Existe muito pouca variedade aqui e a única coisa que salva este terceiro album dos WITCHCRAFT do verdadeiro marasmo, são os temas ‘Összeesküvés’ (The Conspiracy) e ‘Fekete és hideg’ (Dark and Cold), que nos deixam respirar um pouco com a cabeça fora da repetição, presença constante em todos os outros temas! Poderá ser suficiente para os puristas mas, para muitos outros, vai ser necessário um bom poder de encaixe para chegar ao fim deste disco! --- [Rui Marujo]

[review] NOCTE OBDUCTA - Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen) (2013)


NOCTE OBDUCTA - Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)
(MDD Records - 2013)

Sempre que me começo a convencer da estagnação que parece existir à volta de um género repleto de contribuições kvlt e trves e tudo o mais, quer o destino que me cruze com alguma coisa que me volta a oferecer esperança, no que diz respeito a black metal fora dos limites habituais e do enfado geral que muitas vezes ele consegue provocar! Desta feita, a ingrata tarefa recai sobre os alemães NOCTE OBDUCTA e este seu “Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)”!

Bom, certamente haverá algum purista, daqueles que passa os seus dias numa caverna a desenhar pentagramas na parede e a exercitar a sua misantropia, que queira afirmar a plenos pulmões que esta banda não é black metal mas, na verdade, quem é que lhe quer dar ouvidos? De facto, o prefixo avant-garde é aqui aplicado de uma forma bastante consistente, uma vez que os diferentes andamentos deste album estão instalados em ambientes que muitos podem considerar fora da sua zona de conforto, mesmo que alguns momentos sejam típicamente black metal, surgem sempre envoltos numa aura que parece convidar a percorrer caminhos ainda mais negros, com arranjos diferentes do habitual e vocalizações que podem facilmente oscilar entre dois registos totalmente polarizados!

Passagens acústicas com vozes limpas, cruzadas com pontos pesados e escuros com letras gritadas com a vontade de quem pretende rasgar a garganta de forma paciente, sintetizadores que tanto oferecem molduras fúnebres como podem trazer efeitos complementares às viagens que ocorrem à sua volta, podem encontrar um pouco de tudo isto neste “Umbriel (Das Schweigen Zwischen Den Sternen)”, uma visão diferente, ideal para quem gosta que a sua música siga caminhos mais experimentais e não lineares! --- [Rui Marujo]

[review] THUNDERKRAFT - totentanz (2012)


THUNDERKRAFT - totentanz
(Svarga Music - 2012)

Ainda estou a tentar encaixar bem a descrição atribuída à música que os THUNDERKRAFT praticam: industrial folk death/black metal!! De onde é que surge tamanha dobra no continuum espaço-temporal que permite a saudável convivência de algumas destas díspares inclinações sonoras, perguntam vocês? Bom, a julgar pela informação oferecida por esta banda ucraniana, no seu facebook, tudo se resume à conjugação de influências e de experiências levadas a cabo ao longo dos seus doze anos de actividade! O normal, portanto, numa banda que continuamente pretende moldar a sua sonoridade à sua visão criativa!

Acreditem que “Totentanz” (tradução: A Dança dos Mortos) não soa tão estranhamente desequilibrado quanto possa parecer à partida, apesar de conter os seus momentos em que a boa vontade em fundir todos aqueles elementos não é suficiente para ficarmos agarrados ao que se passa à nossa volta! Existem algumas passagens um pouco confusas (‘The Future World’), mas, basicamente, as partes mais industriais prendem-se com ambientes, samples e momentos criados através de computador, enquanto a presença mais forte se mantém na mistura de elementos tradicionalmente mais folk como os violinos ou mesmo o theremin com as inclinações death/black mencionadas no início!

O facto de os temas serem cantados ora em ucraniano, ora em russo ou alemão (‘Totentanz’) talvez não seja o mais apelativo, para quem está comodamente habituado a ouvir quase toda a sua música em inglês, mas aplaude-se o facto dos THUNDERKRAFT não vergarem a sua expressão à facilidade comercial anglo-saxónica! De resto, “Totentanz” não é um disco que vá entusiasmar um serão, mas é interessante pela forma como mistura e serve os seus diferentes géneros. --- [Rui Marujo]

terça-feira, 30 de julho de 2013

ECHELON: estreia a ser preparada para o Outono


Os ECHELON apresentam-se como uma banda de black metal avantgarde, pretendendo espalhar a sua visão musical e filosófica para além dos limites habituais do género! São oriundos da Áustria e encontram-se a preparar a sua apresentação ao mundo do metal, ainda durante o decorrer do ano presente, tentando encontrar uma editora que esteja interessada no seu trabalho!

Para mais informações, espreitem os seus links:



[review] ENTARTUNG - krypteia (2012)


ENTARTUNG - krypteia
(World Terror Committee - 2012)

ENTARTUNG é o nome dado ao esforço colaborativo entre Lykormas (guitarra/bateria/voz) e Vulfolaic (voz/baixo/teclas), que em meados de 2011 resolveram unir-se e começar a criar música descomprometida e sem qualquer tipo de noção comercialista! O resultado foi este “Krypteia”, um disco que visa de alguma forma representar o desprezo que os membros da banda sentem pela mercantilização do black metal! Pessoalmente, acho que têm que se esforçar um pouco mais...

Passo a explicar: não será através das efusivas manifestações estéticas, louvando o oculto e o lado negro da espiritualidade, que o black metal abandonará o seu lado mercantil! Essas facetas visuais há já algum tempo que fazem parte da cultura do entretenimento, mesmo em géneros que nada têm em comum com esta vertente da música pesada! Assim sendo, a solução talvez se encontre na criação de música que vá ao encontro desse lado negro e que represente de forma firme o desconforto e rebeldia, a individualidade e emancipação que deve representar!

O facto dos ENTARTUNG apresentarem aqui temas bastante melódicos e que facilmente embalam quem ouvir a sua música, não está a servir o propósito que eles próprios pretendem alcançar! Sim, o departamento vocal é inteiramente retratado à imagem do registo que muitas bandas de black metal utilizam (o que talvez não abone muito a favor do conceito de aumentar os limites), sujo, agressivo e rasgado, mas ao mesmo tempo denota os aspectos melancólicos que as melodias instrumentais lhe oferecem! Não existem estruturas muito complexas e a experiência enquanto ouvintes faz-nos chegar à conclusão de que confiaram mais na segurança do que na experimentação e na audácia! De um ponto de vista meramente comparativo, a música presente em “Krypteia” é em muitos aspectos mais comerciável e facilmente assimilável que muitas outras bandas do mesmo género que existem hoje em dia! Mas não deixa de ser um disco de black metal perfeitamente aceitável! --- [Rui Marujo]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

[review] NORDHEIM - refill (2013)


NORDHEIM - refill
(Maple Metal Records - 2013)

As referências destes canadianos estendem-se um pouco através dos nórdicos campos do folk, das vozes que, em coro, elevam as mais valias do hidromel e da cidra e que cantam as paisagens montanhosas e os lagos gelados! Assumem-se estas referências como fazendo parte integrante do mesmo universo de Ensiferum, Finntroll, Korpiklaani, Turisas ou Alestorm! Este “Refill” é o segundo album desta banda, o primeiro a sair pela editora Maple Metal Records, depois de um primeiro disco auto-financiado em 2010, “Lost In The North”, e de uma demo em 2009!

Sabendo à partida quais os pontos cardeais que iríamos aqui encontrar, não foi surpresa nenhuma encontrar uma colecção de temas muito focados na melodia, apesar de esperarmos mais foco na parte folk festiva! Apesar de tudo, esse aspecto não é descurado e, por entre os vários argumentos explosivos de blastbeats suportando fragmentos de coros tipicamente folk aliados a uma entrega vocal muitas vezes próxima do black metal ou melodeath, lá vamos encontrando o balanço indicado para os brindes e danças pagãs de celebração! Em ‘Get Drunk Or Die Trying’, o potenciómetro da festa é elevado ao onze, com a participação dos convidados Trollfest que, directamente da Noruega, trouxeram as suas gargantas vikings para adornar este hino de celebração ao declínio hepático!

Mesmo que esteja aqui presente o aroma intenso a levedura, também não faltam momentos mais sérios e a tocar ombros com as entregas mais próximas do black metal melódico, isto em termos musicais, pois no que diz respeito à estética, os NORDHEIM encontram-se num lugar diferente! Temas competentes e bem estruturados, com os teclados a fazerem muitas vezes o papel de outros instrumentos habituais nestas andanças, mas oferecendo sempre uma moldura adequada à direcção pretendida em cada tema, este disco certamente encontrará aprovação entre os apreciadores das bandas referidas no início! --- [Rui Marujo]

[review] TORTORUM - extinctionist (2013)


TORTORUM - extinctionist
(World Terror Committee - 2013)

Se eu vos disser que os TORTORUM são noruegueses e vêm da cidade de Bergen, qual será a vertente de música pesada que vamos abordar nas linhas seguintes? Penso que não será difícil de perceber, que estamos perante uma banda de trve norwegian black metal, certo? Apesar desta designação em particular não ser utilizada pela banda, no fundo, sei que foi o que todos pensaram e a resposta é essa mesmo!

Que mais pode então ser dito acerca de black metal norueguês que ainda não tenha sido? Nem de propósito, ainda recentemente, em conversa com almas semelhantes, abordámos um pouco esta questão, o que dizer acerca de uma roda que já foi inventada, montada e viajada tantas e tantas vezes, mantendo a mesma objectividade e assertividade? Concluímos que, em muitos casos, ainda que as preferências pessoais possam estar presentes de forma dissimulada, será difícil não examinar um disco ou uma banda com base em algumas premissas e conceitos que abraçámos e tornámos nossos.

No presente caso dos TORTORUM, a dificuldade existe em atravessar o vago e estéril campo criativo que compõe estes nove temas, tornando-se um pouco complicado de encontrar uma margem onde possamos descansar um pouco e descobrir que estes noruegueses, afinal, também conseguem escrever coisas que chamem a atenção! Esta afirmação justifica-se com a opinião de que, brutalidade apenas por brutalidade não é suficientemente cativante para nos fazer regressar a estes temas!

Curiosamente, os momentos que mais prendem a atenção e que escapam à tentação bocejante do resto de “Extinctionist” encontram-se em três temas consecutivos, com ‘Kindling The World Conflagration’, ‘Fucking Worthless’ e ‘Gloria In Extinction’ a justificar o constante replay nesta parte do disco, para compensar o tempo que perdemos, por exemplo, com ‘Mother Infirmity’ que, de tão agonizantemente repetitiva, somos obrigados a saltar! --- [Rui Marujo]

[review] THE KONSTELLATION - Order Of The Universe (2012)


THE KONSTELLATION - Order Of The Universe
(independente - 2012)

Nunca sabemos muito bem ao que vamos, quando se trata de ouvir um disco que, para além das descrições que te podem deixar mais ou menos encaminhado, incluem a vinheta do progressive! Sabemos que pode significar muita coisa, mas normalmente este termo sai da cartola quando não se consegue encaixar muito bem o que temos em mãos, quando não existe uma zona de conforto perfeitamente identificável para nos deixar descansados e termos que evitar grandes explicações! Experimentalismo, fusão de géneros estranhos à partida, seja o que for!

Os húngaros THE KONSTELLATION também viajam com essa identificação na sua sequência genética, mas com linhas bem demarcadas na sonoridade que apresentam neste primeiro longa duração! Existem aqui os mapas para o black-metal de inclinação melódica, que cruza caminhos com um death-metal cujas inspirações líricas o coloca no infinito estelar! As vocalizações podem variar entre as frases limpas, mas assumidamente negras e obscuras, e as entregas guturais, com o meio termo moderadamente frio e rasgado! É uma dança de ímpetos que nos pode transportar a lugares diferentes dentro de um mesmo tema!

O tema de abertura ‘Macrocosmos’ tem aquele embalo próprio da influência black-metal no movimento pendular de uma forma de metal que não quer acelerar, mas que mantém o seu ímpeto seguro! Vão surgindo, em seguida, novos exemplos de como a estrutura destes temas é feita com base na desconstrução de moldes, apenas para voltar a juntar as peças em novas formas! Os ímpetos voltam a dançar e a negar as facilidades pré-concebidas dos géneros em que confiam para se manterem seguros! Mantenham-se atentos! --- [Rui Marujo]

[review] ETERNITY - pestiferous hymns rev. I-I-XXXIII (2012)


ETERNITY - pestiferous hymns rev. I-I-XXXIII
(World Terror Committee - 2012)

Confesso já aqui que não foi tarefa fácil ouvir este “Pestiferous Hymns Rev. I-I-XXXIII”! Assim, de repente, apenas posso depositar as culpas na minha desordem bipolar que facilmente é acometida por mudanças de humor de difícil tolerância! Quando se trata de ouvir black metal, os sintomas têm tendência a piorar e aí vamos nós numa espiral de caprichos imberbes!

Vejamos, ao pressionar o play e assistir ao desenrolar daquilo que me pareceu uma intro enorme, não consegui evitar o desejo sarcástico de agarrar num cronómetro e descobrir em quanto tempo é que este tema (‘Down To The Southern Abyss’) se iria transformar numa receita genérica: 3m54s foi quanto demorou até que os ETERNITY disparassem os blasts e passassem a soar a milhares de outras bandas de black metal! Na verdade, fiquei um pouco irritidado por os meus dotes de adivinhação não me terem desiludido, queria ser surpreendido e não embrulhado em papel pardo de mais-do-mesmo! Restava-me o conforto deste ser apenas o primeiro tema e que ainda havia tempo de encontrar a salvação um pouco mais à frente!

Uma espécie de redenção começou a surgir com ‘...Like 1000 Suns’, onde as linhas de guitarra se tornaram mais agradáveis e menos repetitivas, ao contrário do anterior ‘Temple Of Flesh’, apesar deste também não ser um tema totalmente descartável! O que me continuou a oferecer alguns pontos de desconforto prendeu-se com a duração dos temas, apenas um deles abaixo da marca dos 6 minutos e dois deles acima dos 8 minutos! Se bem que num ou noutro caso a composição assim o parecia pedir, na grande maioria das vezes as coisas pareciam apenas prolongar-se para lá do ideal. --- [Rui Marujo]

quarta-feira, 3 de abril de 2013

DEATHCULT - the test of time [review]


DEATHCULT – the test of time
(Do Or Die Records Records - 2013)
www.facebook.com/DeathcultChicago

Após um determinado número de experiências, não há como evitar um certo grau de expectativa, quando sabemos que estamos a lidar com uma one-man-band. São frequentes os projectos deste tipo que seguem o caminho negro do black metal, alguns com maior interesse que outros, principalmente devido à forma como a sua música soa fluida como uma banda completa e não como um trabalho de estúdio de cut and paste!

Com DEATHCULT, somos agradavelmente surpreendidos por essa fluidez e praticamente não nos apercebemos de que todos os instrumentos e vocalizações são feitos pelo mesmo homem, Tim Pearson! Escuro na sua natureza, este primeiro trabalho de longa duração assume musicalmente o que as suas influências afirmam ser no papel, fundamentos de black e thrash metal, mas sem grandes embelezamentos ou associações ao estilo híbrido mais acelerado de outras bandas desta latitude musical! Notam-se as orientações mais thrashy em alguns dos riffs, mas o espírito aqui presente pode ser comparado ao mundo de Satyricon, por exemplo, para terem uma imagem sonora em que se possam segurar!

Quando se olham para alguns dos títulos destes temas, ‘Hail The Antichrist’ ou ‘Born To Lose’, a dimensão da escrita parece estar um pouco embebida em lugares comuns, mas este último tema revelou-se um vício tremendo e difícil de deixar! ‘Doctrine of Hate’ tem um início a saudar o death metal clássico e ‘Inner Beast’ grita fiordes noruegueses por todas as notas, mas o crédito deve ser dado ao vento cortante de Chicago! Bom som! [Rui Marujo]

sexta-feira, 29 de março de 2013

VARGSHEIM – erleuchtung [review]


VARGSHEIM – erleuchtung
(MDD Records - 2013)

Esta banda alemã surgiu no domínio da Bolacha sem que tivesse havido uma percepção prévia da sua existência, apesar de ser um nome que se tem mantido activo desde 2005, sendo que “Erleuchtung” é já o seu segundo registo de longa duração! Este trio bávaro constitui também a banda de suporte que acompanha o projecto Imperium Dekadenz nas suas aparições ao vivo.

Desconhecendo o nome, desconhecia também que tipo de sonoridade estaria à minha espera quando premisse play e deixasse que os sete temas deste lançamento fizessem o seu estrago nos meus ouvidos! As primeiras impressões deixavam antever que seria mais uma fatia de black metal tradicional, dado o ataque inicial oferecido pelos primeiros minutos de ‘Welt In Schillerndem’, o tema de abertura, mas rapidamente o ponteiro alterou a sua direcção e, afinal, o que temos aqui cai mais na categoria da exploração de fronteiras entre géneros! Passo a explicar, existe aqui algum conteúdo que poderá ser encaixado dentro dos parâmetros black metal, o registo de voz talvez seja o mais declarado e em alguma da construcção do trabalho de guitarras esse ponto também se faz notar, mas a verdade é que os pratos da balança tendem mais para um campo progressivo em que essa origem black metal se funde com o explorar típico do post-rock a que se juntam ainda algumas paisagens atmosféricas em que a melodia interpreta um papel fundamental!

O título deste disco significa “Esclarecimento” e essa definição assenta muito bem nesta experiência, neste desvendar de páginas entre cada tema de VARGSHEIM! Não é o tradicional e fugaz registo black metal que se esperava no início, mas sim uma viagem mais complexa de diferentes camadas, diferentes velocidades e diferentes estados de espírito! [Rui Marujo]

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

XUL - malignance (2012)


XUL - malignance
(independente - 2012)

Para bandas que estão a tentar alcançar e firmar o seu lugar no meio underground, a frequência com que lhes são atribuídas características semelhantes a nomes estabelecidos na cena é enorme! Umas vezes por manifesto elogio, outras pela sobreposição que a sua sonoridade sugere, outras, apenas e só, para um exercício de localização, uma espécie de orientação para se saber concretamente do que estamos a falar!

Com os canadianos XUL, penso que a aproximação feita a nomes como Behemoth ou Dissection (citados na própria press-release), se prende muito com a inclinação elogiosa que deve ser feita a uma banda com este tipo de lançamento para um album de estreia! Sim, editaram um EP em 2010 (“Beyond Darkened Mountains”), mas este é o primeiro longa-duração e, é preciso dizê-lo, conseguido de forma independente!

Poderá não possuir a mesma dimensão em termos de produção ou aquela sonoridade absolutamente devastadora que a banda de Nergal tem apresentado a cada lançamento, mas também não está tão longe disso como possam pensar! Mas, mais importante que isso, a qualidade da música que estes canadianos criaram para este “Malignance”, está bem acima da média, podendo muito bem sustentar o nome dos XUL para futuras edições! Não são apenas nas fontes do death-metal blackenizado que estes temas vão beber, havendo também alguns detalhes mais thrash mas, no geral, a quantidade de bons riffs e excelentes transições que se vão ouvindo ao longo destes oito temas apenas servem para elevar a qualidade deste disco! (Rui Marujo)