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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[review] BAXTER STOCKMAN – punter (2013)


BAXTER STOCKMAN – punter
(Elektro Recs / Full Contact / Kult Of Nihilow / Sideffect Recs - 2013)

É estranho, assustador e completamente fora de sítio. Não vou cair na armadilha elitista de dizer que só é musica até certo ponto, mas BAXTER STOCKMAN fazem-me ponderar sobre a questão! "Punter", o primeiro LP deste grupo da Finlândia, abre com a faixa do mesmo nome ('Punter') e esta por sua vez é composta pelo mesmo acorde a ser tocado intermitentemente durante mais de metade dos seus 3 minutos e 22! O que é de estranhar é que ainda assim, é difícil de acompanhar esta faixa, ou pelo menos bem mais do que aquilo que eu esperava.

Assim, sem mais nem menos (com umas variações no ritmo e um tom sinistro), BAXTER STOCKMAN tiram-nos da nossa zona de conforto, para que não possamos voltar até ao fim do álbum! O maior sucesso do grupo será com certeza a sua originalidade, já que não me consigo lembrar de absolutamente nada que alguma vez tenha passado pelos meus ouvidos e que se assemelhe de alguma forma ao lento e incansável assalto que é "Punter"! A voz é ora falada, ora gritada, mas sempre assombrosa! A guitarra enfeita o ar com notas arrastadas e acordes desconcertantes, enquanto o baixo e bateria ditam o ritmo que parece embalar a mente ao longo de uma viagem até ao fundo da proverbial toca do coelho.

O trio de Helsínquia diz que este é o rock'n'roll recriado segundo a sua visão pessoal, mas tudo acerca da sua musica faz lembrar uma instalação de arte contemporânea sobre o subconsciente, ou o abuso de substâncias, ou aquela vez em que o autor tinha cinco anos e viu um homem cometer suicídio... Se quiserem mergulhar no mundo de BAXTER STOCKMAN, espreitem o video de 'Labour', um belo exemplo do que podem esperar deste álbum, embora esta seja provavelmente a musica mais energética de entre as oito que o compõem.

Estes senhores estão de parabéns, "Punter" vai andar na minha mente durante algum tempo! --- [Diogo Alphonso]

[review] ACRANIA - An Uncertain Collision (2012)


ACRANIA - An Uncertain Collision
(independente – 2012)

Já foi mencionada num texto anterior uma outra banda chamada ACRANIA, mas esta é mesmo outra coisa por completo. Antes de entrar em mais pormenores  imaginem a vossa banda do costume, com os ritmos balançados, o ocasional shred e a voz rouca... Agora imaginem que essa banda arranja um percussionista, e coloquem-nos no México!

O metal deve ser o estilo musical mais aberto a experimentação (sim, há muito elitista por ai, e muitas vezes um simples corte de cabelo chega para receber ódio da multidão. Mas a verdade é que, no plano geral, temos de tudo um pouco na nossa musica) e cada vez mais parece que bandas novas tentam propositadamente atravessar a linha do que parece inimaginável. Felizmente, algumas vão conseguindo fazer isto com sucesso, e este grupo vindo directamente da cidade do México é um belo exemplo. "An Uncertain Collision" conta com secções que poderiam ser directamente tiradas de um qualquer merengue, ou cha cha cha!

Estes ACRANIA tiraram o melhor partido possível da cultura que os rodeia e não hesitaram nem um bocado! Onde se poderia esperar talvez a mais ligeira passagem de congas pelo meio de uma faixa de puro metal, os mexicanos ousados puseram um ensemble completo com todo o tipo de instrumento familiar na musica latina, com trompetes a liderar na intro (como em 'A Praise To Madness') ou um solo de saxofone ('But Not Today').

Algo que faltava, era mesmo uma produção melhor. Mas aos olhos de alguns (aos meus, por exemplo) o valor do artista só é enaltecido pela aparente falta de condições. E de qualquer forma, quando as musicas incluem passagens de bossa nova, brilhantemente executadas, as falhas na produção passam para o plano de fundo e se este texto vos deixou curiosos, mas incertos, recomendo que vão ouvir 'A Praise To Madness 'ou 'Now'. --- [Diogo Alphonso]

terça-feira, 30 de julho de 2013

[review] BORG 64 - Anywhere But Here EP (2013)


BORG 64 - Anywhere But Here
(Discouraged Records - 2013)

A cena sueca transborda de melo death e não é o primeiro sítio de onde eu esperava ver sair uma banda com grandes níveis de experimentação e mistura de estilos, até ouvir BORG 64! O nome só por si levanta algumas questões, no entanto, nada a que um metaleiro não esteja habituado. A verdadeira confusão vem quando a música irrompe das colunas e enche o ar em picos espásticos e intercalados de distorção e psicadelismo. A verdade é que BORG 64 começou como um projecto de drum & bass nos finais dos anos 90, e algures no caminho os suecos sentiram falta de umas guitarras na mistura e resolveram acelerar a drum machine.
Depois de sete anos parados, BORG 64 entregam-nos um álbum daquilo a que chamam de pissed off hardcore (porque todos sabemos que o hardcore já por si é calminho) mas que sinceramente é difícil de descrever com etiquetas de géneros. 
Por vezes, BORG 64 até parece uma banda de grindcore (a voz não está longe do que se poderia esperar de J. R. Hayes em Pig Destroyer), e há momentos (como a intro de ‘Late Nights At Quarks’) em que realmente a veia hardcoreana se manifesta, mas num ápice a componente electrónica toma as rédeas e redefine o som que ainda à um segundo atrás poderia parecer familiar! ‘Luleå’, a última faixa do EP, é a de mais fácil acesso para os ouvidos acostumados ao canto familiar da música metalada, ainda assim, tal como nas restantes músicas, as surpresas abundam. Mas se a leitura desta review vos despertou a curiosidade e querem sentir todo o esplendor de BORG 64, saltem de cabeça para a primeira faixa, ‘Death To False Power Chords’.
Se procuram novidades para a vossa colecção ou têm uma ampla curiosidade musical, provem “Anywhere But Here”. Este não é um EP para qualquer gosto, mas para os que procuram quebrar algumas barreiras é um EP para ter em mente. --- [Diogo Alphonso]

segunda-feira, 8 de julho de 2013

THE BLACK HEART REBELLION - har nevo [review]


THE BLACK HEART REBELLION - har nevo
(Smoke & Dust / Adagio-830 / Tokio Jupiter - 2013)

Eis-nos de volta ao jogo dos lugares comuns enganadores, do logro e dos fumos que nos turvam a visão, ainda que dela precisemos apenas para encontrar o início deste trilho que nos propomos a percorrer agora! Ainda que o nome assim o possa sugerir, para quem atravessa horas de música e páginas atrás de páginas de informação, THE BLACK HEART REBELLION não nos quer levar para nenhum pântano impregnado de rock sujo, onde homens barbudos e tatuados se alongam em considerações várias acerca dos benefícios de psicotrópicos aliados a largas quantidades de bebidas espirituosas ou milhas percorridas em poderosos motores de duas rodas! A viagem que aqui se apresenta é bem diferente!

A fazer crer na informação disponível acerca destes belgas, podemos afirmar que estão bem longe das suas raízes como uma banda punk, surgida por volta de 2004! Pelo menos, no que diz respeito aos moldes em que a sua música se faz apresentar hoje em dia, uma vez que o espírito livre parece continuar presente, dada a roupagem pouco ortodoxa em que os temas desta banda parecem encaixar! Quando nos atiramos a “Har Nevo”, somos envolvidos mais por um ambiente experimentalista do que propriamente pela tela habitual de qualquer género de música pesada, apesar das suas impressões ainda se fazerem sentir ocasionalmente!

Deambulando por momentos que me chegaram a levar a pensar nuns Sixteen Horsepower mais densos e embrenhados na sua viagem, ou mesmo no paralelismo com algum material de Ancient VVisdom, sentimo-nos, em algumas passagens, chegados a um universo ritualístico onde a música faz parte dos nossos movimentos e nós somos quem a transporta! Numa tradução muito mais sóbria, vamos levando com algum psicadelismo e com as paredes de som levantadas por incursões no post-rock ilustrado por vocalizões limpas e ocasionalmente gritadas! “Har Nevo” é um disco que agrada pelas suas camadas de melodia e pela forma como somos levados a passear por ela, com um sentimento ritual muito profundo e com uma densa complexidade que não nos perde pelo caminho! --- [Rui Marujo]

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

LADDER DEVILS – nowhere plans (2012)


LADDER DEVILS – nowhere plans
(Brutal Panda Records - 2012)

Esta banda americana, original de Philadelphia, define o seu género de eleição como música alta! É, definitivamente, uma boa apresentação se formos totalmente estranhos à história e som deste quarteto! Na verdade, a sonoridade dos LADDER DEVILS pode ser melhor definida como rock barulhento que passou algum tempo na escola do hardcore experimental! Faz sentido para vocês?

Existem por aqui odores a uma vontade post-qualquer-coisa, mas com vontade de não serem demasiado introspectivos ou experimentalistas ao ponto de verem as nossas costas! A energia e rudeza rock está presente em todos os temas e fica-se com a nítida sensação que esta banda ao vivo deverá ser bastante dinâmica e agitada! Aquela voz soa-nos caracteristicamente familiar, mas sem que consigamos fazer, à primeira tentativa, uma ligação directa a outra garganta!

Passeando a nossa atenção ao longo dos nove temas que atravessam este disco e recorrendo a uma rápida pesquisa acerca do historial desta banda, ficamos a saber que andam por aqui alguns membros dos extintos The Minor Times e que ‘Nowhere Plans’ se divide entre quatro temas mais recentes, ‘Kids Get Meaner’, ‘I Have A Name (Minders)’, ‘Good Enough Methodology’ e ‘Limited Too’, enquanto os restantes já tinham sido divulgados no EP digital “Forget English”, mas surgem aqui remasterizados e, pela primeira vez, em formato físico! (Rui Marujo)