quarta-feira, 3 de abril de 2013
PER CAPITA / FREEDOM IS A LIE - split 12" [review]
PER CAPITA / FREEDOM IS A LIE - split 12”
(independente - 2013)
http://percapitacrust.bandcamp.com
http://freedomisalie.bandcamp.com
Duas forças demolidoras uniram esforços para lançar este split, dois ataques violentos que, do centro da Europa, lançam a sua própria versão de activismo e fúria, na forma de constantes ataques ensopados em crust, hardcore, punk e grindcore!
Por um lado, temos os alemães PER CAPITA, que debitam nove temas de agressão e poder, directamente de Munique para o mundo! Uma banda que, desde as suas raízes na sonoridade suja dos anos 80 ou 90, evoluiu até à presente formação de duplo ataque de guitarra e berros crust/grind! Os seus temas percorrem temáticas que atacam a crua realidade da vida e do mundo moderno, com a sua ausência de valores, aumento do fosso entre classes e violência sem quartel! É como ouvir um noticiário onde nos dizem a verdade!
Já os FREEDOM IS A LIE, lançam a sua dose de crust/hardcore acelerado a partir das proximidades da cidade de Budapeste, Hungria! Os seus temas também possuem um pequeno sabor grindcore, o que ajuda a temperar as vocalizações agressivas e as letras gritadas em húngaro! O foco das suas dissertações, à semelhança dos seus amigos alemães, passa pelos problemas sociais e políticos, com o objectivo de deixar a nú as falhas exixtentes no sistema vigente! No fecho, ainda presenteiam os amantes de música extrema com uma rendição de ‘Blinded - Time To Act’, original dos suecos Nasum! Uma bela dose de cacetada saudável! --- [Rui Marujo]
DEATHCULT - the test of time [review]
DEATHCULT – the test of time
(Do Or Die Records Records - 2013)
www.facebook.com/DeathcultChicago
Após um determinado número de experiências, não há como evitar um certo grau de expectativa, quando sabemos que estamos a lidar com uma one-man-band. São frequentes os projectos deste tipo que seguem o caminho negro do black metal, alguns com maior interesse que outros, principalmente devido à forma como a sua música soa fluida como uma banda completa e não como um trabalho de estúdio de cut and paste!
Com DEATHCULT, somos agradavelmente surpreendidos por essa fluidez e praticamente não nos apercebemos de que todos os instrumentos e vocalizações são feitos pelo mesmo homem, Tim Pearson! Escuro na sua natureza, este primeiro trabalho de longa duração assume musicalmente o que as suas influências afirmam ser no papel, fundamentos de black e thrash metal, mas sem grandes embelezamentos ou associações ao estilo híbrido mais acelerado de outras bandas desta latitude musical! Notam-se as orientações mais thrashy em alguns dos riffs, mas o espírito aqui presente pode ser comparado ao mundo de Satyricon, por exemplo, para terem uma imagem sonora em que se possam segurar!
Quando se olham para alguns dos títulos destes temas, ‘Hail The Antichrist’ ou ‘Born To Lose’, a dimensão da escrita parece estar um pouco embebida em lugares comuns, mas este último tema revelou-se um vício tremendo e difícil de deixar! ‘Doctrine of Hate’ tem um início a saudar o death metal clássico e ‘Inner Beast’ grita fiordes noruegueses por todas as notas, mas o crédito deve ser dado ao vento cortante de Chicago! Bom som! [Rui Marujo]
WASTEFALL - hearts in the gutter [video]
'Hearts in the Gutter' é o nome do tema escolhido para ilustrar o novo trabalho dos gregos WASTEFALL! O video pode ser visto no player em baixo:
sexta-feira, 29 de março de 2013
[07/04/13] ENFORCER + LEATHER SYNN + MIDNIGHT PRIEST + RAVENSIRE @ República da Música (Lisboa)
Metal's Alliance Management Contact and Booking:
Tel : (+00 351) ) 96 637 25 93
email: metalsalliance@gmail.com
www.myspace.com/metalsalliance
Tel : (+00 351) ) 96 637 25 93
email: metalsalliance@gmail.com
www.myspace.com/metalsalliance
agenda concertos Março/Abril 2013
Compêndio simples, mas informativo, acerca das próximas actividades de palco a ocorrer por essas salas fora! Enviem-nos a informação dos vossos eventos e concertos para: mordessabolacha@gmail.com:
29/MARÇO – Sacred Sin + Convidados + Hourswill @ Side B (Benavente)
30/MARÇO – Primitive Reason @ Ritz Club (Lisboa)
30/MARÇO – Booster @ Cinema São Jorge (Lisboa)
04/ABRIL – Labirinto (brasil) @ Side B (Benavente)
06/ABRIL – BENAVENTE EXTREME: Grog + Bleeding Display + Underneath + Besta + Anti-Void + Hunted Scriptum @ Side B (Benavente)
06/ABRIL – Cruz De Ferro + Chapel Of Sin @ Cave Bar (Marinha Grande)
06/ABRIL – 74 + Chapa Zero @ Parqe Club (Caldas da Rainha)
06/ABRIL – Los Carniceros Del Norte (esp) @ Heavens Club (Porto)
07/ABRIL – Enforcer (suécia) + Midnight Priest + Leather Synn + Ravensire @ República da Música (Lisboa)
12/ABRIL – Scar For Life + Digamma + The Royal Blasphemy @ Side B (Benavente)
18/ABRIL – Noidz @ Ritz Club (Lisboa)
20/ABRIL – Survive The Wasteland + E.A.K. @ Mercado Negro (Aveiro)
20/ABRIL – Heavenwood + Painted Black @ Side B (Benavente)
26/ABRIL – Science Of Demise (swe) + Aggrenation (swe) + Pneuma (cr) @ Side B (Benavente)
30/ABRIL – Forgotten Tomb (ita) + Isole (swe) + Inverno Eterno + Ereb Altor (swe) @ Side B (Benavente)
VARGSHEIM – erleuchtung [review]
VARGSHEIM – erleuchtung
(MDD Records - 2013)
Esta banda alemã surgiu no domínio da Bolacha sem que tivesse havido uma percepção prévia da sua existência, apesar de ser um nome que se tem mantido activo desde 2005, sendo que “Erleuchtung” é já o seu segundo registo de longa duração! Este trio bávaro constitui também a banda de suporte que acompanha o projecto Imperium Dekadenz nas suas aparições ao vivo.
Desconhecendo o nome, desconhecia também que tipo de sonoridade estaria à minha espera quando premisse play e deixasse que os sete temas deste lançamento fizessem o seu estrago nos meus ouvidos! As primeiras impressões deixavam antever que seria mais uma fatia de black metal tradicional, dado o ataque inicial oferecido pelos primeiros minutos de ‘Welt In Schillerndem’, o tema de abertura, mas rapidamente o ponteiro alterou a sua direcção e, afinal, o que temos aqui cai mais na categoria da exploração de fronteiras entre géneros! Passo a explicar, existe aqui algum conteúdo que poderá ser encaixado dentro dos parâmetros black metal, o registo de voz talvez seja o mais declarado e em alguma da construcção do trabalho de guitarras esse ponto também se faz notar, mas a verdade é que os pratos da balança tendem mais para um campo progressivo em que essa origem black metal se funde com o explorar típico do post-rock a que se juntam ainda algumas paisagens atmosféricas em que a melodia interpreta um papel fundamental!
O título deste disco significa “Esclarecimento” e essa definição assenta muito bem nesta experiência, neste desvendar de páginas entre cada tema de VARGSHEIM! Não é o tradicional e fugaz registo black metal que se esperava no início, mas sim uma viagem mais complexa de diferentes camadas, diferentes velocidades e diferentes estados de espírito! [Rui Marujo]
SPACE MIRRORS – in darkness they whisper [review]
SPACE MIRRORS – in darkness they whisper
(Transubstans Records - 2012)
Antes de ouvir “In Darkness They Whisper” fui investigar um pouco esta banda russa de que ainda não tinha ouvido falar, tendo como alvo preferencial da minha curiosidade o género a que os moscovitas estariam mais próximamente ligados! A informação promocional mencionava space rock / metal e, a julgar por algum do artwork que a acompanhava, quando mergulhasse neste disco poderia muito bem ser sugado para um qualquer submundo psicadélico! Com o auxílio precioso da auto-estrada da informação, também fiquei a saber que existe quem estabeleça esta banda como dark metal ou uma qualquer outra ramificação progressiva!
Na verdade, depois de ouvir os temas de “In Darkness They Whisper”, podia muito bem colocar todas aquelas descrições dentro de um chapéu, adicionar-lhes mais algumas que possam por aí existir para descrever projectos que ultrapassam as linhas habitualmente aceites e, sem qualquer tipo de receio, começar a tirá-las novamente, uma a uma, pois todas elas estariam dentro da sombra provocada pela música dos SPACE MIRRORS!
Este disco inicia-se com uma passada quase new wave dark gothic e daqui para a frente dispara em quase todas as direcções, sem chegar realmente a abusar no peso ou velocidade, mas inserindo momentos de declarada esquizofrenia e psicadelismo, onde as teclas vão conferindo a tal vertente espacial e onde também existe lugar para flautas, saxofones, passagens jazz e letras que falam da geometria da bruxaria!! Decididamente, este não é um disco para todos os ouvidos! Quando chegamos ao seu final ficamos com a sensação de que algo de estranho acabou de acontecer. Sabemos que não foi mau, mas não estamos certos de que terá sido bom! [Rui Marujo]
VARIOUS ARTISTS – the sounds of summer vol 1 [review]
VARIOUS ARTISTS – the sounds of summer volume 1
(Paper+Plastick Records - 2012)
Mais uma compilação, disponibilizada pela label Paper+Plastick Records, com o objectivo de promover algumas das bandas do seu catálogo! Neste caso específico, o leque de géneros vai variando mas mantém uma linha mais ou menos constante, entre o punk/hardcore moderno e o rock alternativo que lhe é mais próximo!
Estão por aqui temas de bandas como The Gamits, Break Anchor ou Red City Radio, que aludem à vaga que deu a conhecer nomes como Rancid ou Green Day, mas também encontramos coisas como Tin Horn Prayer e a sua moldura cajun rock que me fez lembrar Sixteen Horsepower, mas com um caminho próprio, longe do plágio fácil!
Continuando a visita, descobrimos Jr. Juggernaut, uma banda que parece ter sido recuperada do indie rock comercial do final dos anos noventa, enquanto que Obi Fernandez oferece um reggae agradável! Os Flatfoot 56 aceleram o passo com o seu punk de influência celta, enquanto que quase no final deste sampler Rob Huddleston e Jon Snodgrass & Friends voltam às sonoridades mais comerciais, demonstrando como o leque de géneros desta editora consegue abranger essa variedade. [Rui Marujo]
terça-feira, 26 de março de 2013
SYMBOLICA - a letter for mankind [video]
Os brasileiros SYMBOLICA estão empenhados em divulgar o seu primeiro disco, "Precession", e a formação sulista que conta com Marcelo Moreira (Almah) na bateria, Diego Bittencourt e Zeka Jr na guitarreas, Lucas Pavei no baixo e Gus Monsanto (ex-Adagio e Revolution Renaissance) na voz, apresenta o video para o seu segundo single 'A Letter For Mankind', que podem conferir em baixo! Se quiserem espreitar os restantes temas do disco, sigam nesta direcção!
quinta-feira, 21 de março de 2013
ATTIC - the invocation (review)
ATTIC – the invocation (2012)
(Ván Records - 2012)
Nunca é fácil equilibrar as nossas tendências quando ouvimos heavy metal! Falo das minha, como é óbvio! Como é que nos desembaraçamos daquela posição difícil em que ficamos quando ouvimos um trabalho que gostamos bastante mas, ao mesmo tempo, temos a perfeita noção que aquilo que temos perante nós poderia ter sido traçado a papel químico da obra de outros ilustres que antes percorreram estes mesmos caminhos? Sou obrigado a apoiar-me em algumas velhas máximas que afirmam sábiamente que já foi tudo inventado e recordo-me de alguns minutos gastos a ver um mini-documentário intitulado Everything Is A Remix (aconselho)! No fundo, o que continua a ser o mais importante é a forma como a música nos faz sentir!
Tudo esta conversa anterior tem algum sentido, sentido quando falamos dos alemães ATTIC e deste seu trabalho “The Invocation”! Isto é bom heavy metal e estão aqui alguns temas que não consigo ouvir apenas uma vez, obrigando-me sempre a recorrer a uma breve incursão no mundo do toca & repete! Mas acontece que tudo aqui tresanda a Mercyful Fate e King Diamond! Quando digo tresanda: se fecharem os olhos e não souberem do que se passa, vão afirmar seguramente que se trata de um novo trabalho do vocalista dinamarquês!! Deve isto ser um impedimento para darem uma oportunidade a esta banda e a este disco? Deixem-se disso, que o que importa mesmo é que o tema título, ‘The Invocation’, é uma malha do cacete e o seguinte, ‘The Headless Horseman’, não lhe fica muito atrás!!
O ambiente é propício a sessões espíritas e existe muita da tradicional visita às histórias de fantasmas e fantasias envolvendo misteriosas personagens femininas, orfanatos assombrados e assembleias de bruxas, tudo servido com uma banda sonora de bom e clássico heavy metal que estes alemães, passe as obrigatórias comparações, conseguem criar e apresentar tão bem! É terreno batido? Sem dúvida. Mas não deixa de ser um terreno a visitar com alguma frequência e prazer! (Rui Marujo)
POMBAGIRA – maleficia lamiah (review)
POMBAGIRA – maleficia lamiah
(Black Axis Records - 2013)
Quando deparamos com uma banda inglesa que foi buscar o seu nome à mitologia religiosa brasileira, não podemos deixar de pensar até que ponto é que poderá a sua música ser influenciada por todas essas neblinas próprias dos contos mitológicos, sejam eles religiosos ou não! Acredito que, na música dos POMBAGIRA, exista algum desse universo desconhecido e fantástico, desafiante e assombroso, talvez não de uma forma directa nas palavras que surgem ao longo destes longos temas, mas não há dúvida que algo se esconde e aguarda nas curvas de “Maleficia Lamiah”!
Talvez sejam as imagens que estes nomes evocam e não deixam escapar sem serem lembrados, uma vez mais. Talvez seja a envolvência nebulosa oferecida pelas raízes doom de onde nasceram ramos psicadélicos de outras décadas, que quase podíamos jurar se terem perdido nas margens outrora percorridas por almas em busca de encontrarem o seu equilíbrio fora daquele limbo! Então, como saciar o apetite da serpente? Surjam as oferendas em forma de dentadas rock ambientais e influências que podem sussurrar outro Oriente! Surja a Natureza e a contemplação!
A voz da interpretação mais racional diz-me que, mais do que apenas dois temas, “Maleficia Lamiah” e “Grave Cardinal”, a música que aqui existe é formada por diferentes ideias, unidas por um único fio condutor, um mesmo caminho, um mesmo passo. Os POMBAGIRA poderiam ter optado por uma outra via, cortando os laços entre cada um dos momentos e apresentado-o como uma entidade diferente mas, ao escolher essa direcção na encruzilhada, muito provavelmente estaria aqui a falar de uma outra banda qualquer! (Rui Marujo)
FATAL IMPACT – esoteria (review)
FATAL IMPACT – esoteria
(Nadir Music - 2012)
Com uma carreira praticamente a tocar na celebração das suas vinte primaveras, esta banda norueguesa regista aqui apenas o seu segundo disco de longa duração, algo que pode surpreender, mas também levantar um pouco o véu acerca do apertado crivo criativo que cerca os FATAL IMPACT! Esta é apenas uma suposição, alicerçada também no facto de que lhes levou praticamente nove anos até gravarem a sua primeira demo, se bem que, nos anos imediatamente seguintes, a ciclo de gravações teve continuidade com mais um par de demos, um EP e o disco de estreia, “Law Of Repulsion”!
Atribuir as responsabilidades ao elevado grau de exigência auto-imposto por estes músicos serve perfeitamente para justificar, não só a frequência de visitas a estúdio, mas também as cores com que se pinta a música desta banda. Transportar um estandarte heavy/power metal talvez não fosse suficientemente satisfatório para estes rapazes, pelo que decidiram impregnar a sua sonoridade com a grandiosidade dos arranjos sinfónicos, aliados a estruturas muito próprias do metal progressivo e arriscando mesmo algumas passagens mais directas, que tão frequentemente podemos encontrar sob a forma de riffs e estruturas mais próximas do thrash metal e mesmo um breve piscar de olhos ao black metal sinfónico, não só graças a um registo vocal mais agressivo, mas também devido às próprias melodias apresentadas no tema ‘The Arrival’!
Normalmente a corrente mais progressiva neste tipo de bandas faz-me tender para que me perca ao longo dos seus discos, com pouco sucesso em cativar a minha atenção, e confesso que o início meio inerte que os primeiros temas me estavam a oferecer faziam recear um desfecho dessa natureza, mas as suas voltas e curvas foram tornando este “Esoteria” mais agradável a cada nova audição! (Rui Marujo)
BINGO – ett grindslagsmål i 2 delar (review)
BINGO – ett grindslagsmål i 2 delar (2012)
(Discouraged Records - 2012)
BINGO talvez não fosse o primeiro nome que vos ocorria à cabeça, na eventualidade de se verem na obrigação de baptizar a vossa banda de grindcore, mas acontece que, para estes suecos, a escolha não apresentou quaisquer dificuldades! Sigamos com eles, então!
A tradução do título deste disco lê qualquer coisa como “uma zaragata grind em 2 partes” e, basicamente, é exactamente com isso que levamos! Uma zaragata que termina em 25 minutos, depois de nos ter amassado os ossos todos quando passou por nós! São vinte e três temas de fúria punk/grind, com uma dupla de vozes a atacar-nos constantemente e sem darem quaisquer tréguas! A história destes temas já vem desde 2006, altura em que gravaram aquilo que seria o seu primeiro album (“Mer grind än din morsa”), tendo regressado ao estúdio em 2008, depois de algumas alterações de formação! Assim sendo, nesta ‘zaragata’ que aqui temos encontramos esse material!
Todos os temas são cantados em sueco mas, de acordo com a informação disponível e o historial desta banda, não estaremos longe da verdade se afirmarmos que o conteúdo lírico aqui é extremamente politizado, abrangendo também vários dos males do mundo moderno! Abordados de forma furiosa, é claro! (Rui Marujo)
BERKOWITZ - sent to dominate (review)
BERKOWITZ – sent to dominate (2012)
(Gravity Entertainment - 2012)
Robert Zimmermann é o nome que se esconde por detrás da designação BERKOWITZ, uma vez que é ele o responsável pela composição de todos os temas, letras, bateria, voz e artwork, sendo ajudado por N.K. na gravação deste trabalho, encarregue de gravar todas as partes de guitarra e baixo!
Apesar da afiliação ao black metal que é feita em alguns meios, a música apresentada por BERKOWITZ não responde aos tiques habituais do género, facilmente identificáveis e igualmente rápidos a vestirem a camuflagem de paisagens visitadas uma e outra vez. Seja devido ao tipo de produção apresentada ou a uma forte inclinação para passagens mais próximas do death metal, o certo é que em diversos momentos deste disco a única coisa que vai denunciando a vertente mencionada inicialmente são mesmo as melodias tão próprias desse lado negro da música!
Não consigo deixar de afastar o pensamento de uns Kataklysm, à medida que os temas de “Sent To Dominate” vão passando, não que esta associação seja feita de uma depreciativa, mas porque o imaginário aqui presente, alguma desta forma de composição e mesmo algum do jogo de dois tipos de vozes que aqui temos, se encaixaria perfeitamente no trabalho desses canadianos! (Rui Marujo)
BLACK MASS – of first and last things (review)
BLACK MASS – of first and last things
(independente - 2013)
Vindos de Inglaterra, os BLACK MASS começam o ano de 2013 com um lançamento em que regravaram e compilaram todos os temas que tinham já sido lançados pela banda, principalmente em splits e compilações! Seria de pensar que o track-list de “Of First and Last Things” seria imenso, não acham? Principalmente se tivermos em conta que na descrição da banda surge o género grindcore!! Mas não, nem por isso... Este compêndio de regravações lançado em Janeiro apresenta-se na magnitude dos seus 21 minutos com apenas 8 temas!!
Na verdade, estes ingleses soam como se alguém tentasse misturar death-metal, sludge, crust e um pouco de grind dentro de um enorme caldeirão cheio de massa betuminosa negra a tresandar a enxofre e com o poder silencioso do amianto! São oito temas que evoluem entre a velocidade abrasiva do blastbeat ao arrastar setentista de distorções escandinavas e vozes podres expurgadas dos confins da zona intestinal! É sujo e essa crosta de sujidade quase que define toda esta massa negra que se vai espalhando nestes temas revisitados enquanto não surgem novas purgas e novos títulos para espalhar pelos limites da tempestade! (Rui Marujo)
SCIENCE OF SLEEP – affliction EP (review)
SCIENCE OF SLEEP – affliction EP (2012)
(independente - 2012)
Conhecem aquela estranha sensação de apetite que, depois de tentativamente ser saciado com o pedaço de alimento mais elegante do frigorífico, teima em permanecer e enviar-nos mensagens contínuas àquela parte do cérebro que controla os apetites, apenas para o torturar, sussurrando uma e outra vez que não era bem aquilo que estava a apetecer?
Estabelecendo o paralelismo metafórico com a música dos SCIENCE OF SLEEP, o que se passa é que, apesar dos vinte minutos de agressão desmesurada apresentados em “Affliciton”, o sentimento que aqui se vai instalando é que esta estirpe de death metal modernaço se come, mas não alimenta muito! A principal causa para isto acontecer? A prescrição genérica que foi passada a estes cinco temas + intro!
Que não restem quaisquer dúvidas de que estes alemães são pesados! E aqui já não estou a fazer qualquer tipo de ginástica com metáforas! Não podemos negar que a sua música é agressiva, rápida e, aparentemente, com a devida quantidade de capacidade técnica que o género exige! O que acontece é que, chegando ao final de ‘Slice & Dice’, tema que encerra o EP, os SCIENCE OF SLEEP pouco deixaram para trás que os recorde! E o recurso frequente aos breakdowns não conta! (Rui Marujo)
REPRESSION – demo (review)
REPRESSION – demo
(independente - 2012)
Os REPRESSION são finlandeses e iniciaram as suas actividades como banda em meados de 2009! Este é o seu primeiro registo, uma demo de quatro temas lançada durante o Verão do ano passado!
Esta jovem banda de Helsínquia engrossa as fileiras do thrash metal com tendência vintage mas, ao contrário de outras incursões no género, os REPRESSION olham mais para o legado deixado pelos alemães Kreator em alguns dos seus primeiros discos, cruzando essa forma de thrash teutónico com algum do território traçado pelos Sepultura até ao início da década de noventa!
Não comprometem em nada as facções defensoras da tradição, mesmo que as referências em que a sua música aparenta ser suportada tenham essa marca híbrida na sua geneologia! Como primeiro registo apresenta-os ao mundo e ao panorama pesado em geral, mas não os transforma na nova sensação nórdica do underground! (Rui Marujo)
quinta-feira, 7 de março de 2013
MOITA METAL FEST 2013: dez anos de festival
O MOITA METAL FEST celebra a sua décima edição este ano e acontece nos próximos dias 22 e 23 de Março, na Sociedade Filarmónica Estrela Moitense, como já vem sendo hábito! A presente edição contará com as presenças de nomes que vão dos Nuklear Infektion aos Bizarra Locomotiva, mas o melhor mesmo é darem uma olhada no cartaz e alinhamento dos dois dias:
quarta-feira, 6 de março de 2013
SAPIENCY: segundo album em Março
Os alemães SAPIENCY editam "Tomorrow", o seu segundo album de originais, no próximo dia 15 de Março! O tema 'Free Within' é o single escolhido para este novo trabalho e podem ver o vídeo em baixo:
sapiency - free within (OFFICIAL VIDEO) - MyVideo
domingo, 24 de fevereiro de 2013
WASTEFALL: gregos preparam regresso
A banda de heavy metal progressivo grega WASTEFALL encontra-se empenhada no seu regresso ao activo, preparando para já o lançamento de um EP intitulado "Meridiem" para a próxima Primavera, enquanto o longa duração de regresso vai tomando forma!
Entretanto, estão também a ser ultimados os detalhes relativos a um novo contrato de gravação, bem como à marcação de algumas datas ao vivo, onde os WASTEFALL poderão apresentar a sua nova formação, que conta agora com o baterista Konstantinos Galimis (Agnosia, ex-Ravencult)!
Para já, podem ouvir o tema 'Recycle The Elite', gravado recentemente:
SCAR FOR LIFE: lançamento comemorativo
Para marcar 5 anos de actividade, os SCAR FOR LIFE disponibilizaram uma compilação gratuita, intitulada "Retrospective", contendo 10 temas e um novo instrumental que dá nome a este lançamento! Esta peça foi escrita e misturada por Alexandre Santos (guitarrista), com as partes de bateria a serem gravadas por Rómulo Herédia, a estrear-se aqui pela banda! Outras colaborações de relevo neste tema passam por pelo guitarrista Neil Fraser (Ten) ou pelo baixista Neil Murray (Whitesnake, Black Sabbath, etc)!
Para fazerem o download desta compilação, passem pelo website dos SCAR FOR LIFE em: wwww.scarforlife.com
Fiquem com a capa e o alinhamento de "Retrospective":
01. Kill The Past
02. Bleeding Gun
03. My Last Words
04. My Darkest Journey
05. Cold Blood
06. It All Fades Away
07. Never Smile Again
08. Last Crow
09. Metabolic
10. Old Man
11. Retrospective
Para fazerem o download desta compilação, passem pelo website dos SCAR FOR LIFE em: wwww.scarforlife.com
Fiquem com a capa e o alinhamento de "Retrospective":
01. Kill The Past
02. Bleeding Gun
03. My Last Words
04. My Darkest Journey
05. Cold Blood
06. It All Fades Away
07. Never Smile Again
08. Last Crow
09. Metabolic
10. Old Man
11. Retrospective
GATEKEEPER: "Prophecy and Judgement" chega em Março
Os canadianos GATEKEEPER lançam "Prophecy and Judgement", no próximo mês de Março, quatro temas de epic heavy metal, repartidos por 31 minutos e disponíveis através da label portuguesa A Forja!
Conheçam o trabalho da banda canadiana e façam as vossas encomendas aqui!
Conheçam o trabalho da banda canadiana e façam as vossas encomendas aqui!
OPRICH: teaser para "Birdless Heavens"
Os russos OPRICH lançaram recentemente o seu segundo trabalho de longa duração, intitulado "Birdless Heavens", onde prevalece o folk metal pagão de linhagem russa!
A label Casus Belli Musica está por trás desta edição e podem escutar um pouco de todos os temas deste trabalho no player em baixo:
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
EDGE OF ATTACK: lançam disco de estreia
Vindos de Alberta (Canadá), os EDGE OF ATTACK acabam de lançar o seu album de estreia auto-intitulado, através da editora Spread The Metal Records! Este lançamento tem obtido boas reviews por parte da imprensa e o seu híbrido entre o power e o thrash metal certamente encontrará muitos seguidores entre os fans de música pesada!
O disco foi produzido pelo guitarrista/vocalista Jurekk Whipple e conta com as participações especiais de Ivan Gianinni, Ryan Boivard (Hallows Die) e Pelleck (Damnation Angels)!
A vocalista Roxanne Gordey partilhou estas palavras acerca deste lançamento:
“Depois de termos esperado tanto tempo por este album, não podíamos estar mais satisfeitos com o resultado! A nossa única esperança é que toda a gente o possa ouvir e sentir a nossa dedicação a esta música! Mais do que tudo, estamos gratos por quem arriscou o pescoço para que chegássemos até aqui! Este album é o nosso primeiro grande marco!”
'In Hell' é o segundo tema a ter direito a video e podem vê-lo em baixo! O primeiro video a ser divulgado ilustrou o tema 'Forever' e podem vê-lo aqui
STEAK NUMBER EIGHT assinam pela Indie Recordings
Os STEAK NUMBER EIGHT assinaram recentemente com a label Indie Recordings, abrindo desta forma caminho para o lançamento do seu segundo album, “The Hutch”! Esta banda começou a surgir em meados de 2008 e não demorou muito a lançar o seu primeiro album, “All Is Chaos”! Entretanto, diversos concertos e passagens por vários festivais depois, surgem os 11 temas que agora farão parte do novo trabalho a ser editado entre Março e Abril!
Em baixo, podem ouvir um primeiro avanço do novo disco! O tema chama-se ‘Black Eyed’:
IN VAIN: mostram temas do novo disco
Os IN VAIN têm um disco novo a sair durante Março e para, aguçar os ouvidos de toda a gente, divulgaram esse teaser que podem ouvir em baixo, com excertos de todos os temas presentes em “Ænigma”:
Morde Essa Bolacha Zine # 3
Nova edição em papel da fanzine Morde Essa Bolacha! Inaugura-se esta fase com um pequeno número de 24 páginas em formato A5, com entrevistas com as bandas portuguesas SUBDARK e KONAD, algumas reviews a sonoros, películas e leituras, bem como artigos e considerações diversas acerca do papel das avózinhas no contrabando de Heavy Metal alemão, o clássico dos Riot “Thundersteel” e coisas que acontecem a pessoas muthafuckas!!
Para receberem gratuitamente uma cópia em casa, através do correio, enviem um email para mordessabolacha@gmail.com com a mensagem: “enviem um exemplar desse almanaque para o meu doce lar” juntamente com o vosso endereço postal e nós tratamos do resto! Em alternativa, peçam-na num concerto onde encontrem o gajo da barba (este indivíduo)! Esta segunda alternativa custa-vos uma cerveja!
Para receberem gratuitamente uma cópia em casa, através do correio, enviem um email para mordessabolacha@gmail.com com a mensagem: “enviem um exemplar desse almanaque para o meu doce lar” juntamente com o vosso endereço postal e nós tratamos do resto! Em alternativa, peçam-na num concerto onde encontrem o gajo da barba (este indivíduo)! Esta segunda alternativa custa-vos uma cerveja!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
RORCAL: stream disponível para novo disco "Világvége"
"Világvége", o novo disco da banda suíça RORCAL está disponível para audição no site da Infektion Magazine! Este novo album, a oscilar entre o doom e o black metal, sai oficialmente no dia 28 de Fevereiro e terá edições em vinil e cassete através das editoras Calofror Records, Sick Man Getting Sick Records, Lost Pilgrims Records e Wolves And Vibrancy Records e podem adquiri-lo, directamente, na página oficial da banda: www.rorcal.com
FEN - a long line final (video)
A onda progressiva dos FEN (os Canadianos, não confundir com estes ingleses) fez nascer mais um video, desta feita para o tema 'A Long Line Final'! mais um tema a sair do disco lançado em 2012, "Of Losing Interest", que podem ver no player em baixo:
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
AGE OF WOE: estreia chega em Maio
Os suecos AGE OF WOE lançam o seu album de estreia intitulado “Inhumanform” no final do mês de Maio! Este disco terá distribuição numa versão em vinil branco a cargo da Suicide Records e uma versão em CD pelas mãos da Give Praise Records! A produção esteve entregue a Carlos Sepulveda (Psycore, No Hawaii) e Lennart Östlund (Led Zeppelin, Candlemass)!
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
cemitério de prazeres: RIOT - thundersteel (1988)
Sabem daquelas recordações que, de vez em quando, resgatamos do nosso sotão de memórias e em que nos emocionamos de uma forma indescritível?! Daquelas que nos provocam um arrepio na espinha e em que sentimos vida nova a correr dentro de nós? Eu tenho muitas dessas e resgato-as frequentemente. Não sei se isso é ser nostálgico, se é saudade, não sei... Talvez o possa simplesmente descrever como o momento em que fomos felizes, na sua forma mais pura, simples e inocente ou como pequenos recortes da nossa existência que nos dão o oxigénio - essencial - para a batalha diária que são as nossas banais rotinas, monótonas vidas.
Em 1988 o mundo viu nascer mais uma obra perfeita, obra esta que se poderá comparar com uma Mona Lisa, uma Torre Eiffel, um Guggenheim ou até mesmo uma ida à Lua. A escultura musical, feita de ferro intemporal, daquele que não corrói com o tempo e adversidade, chama-se "Thundersteel" e os seus autores, os norte-americanos RIOT.
Eu ouvi o tema-título "Thundersteel" pela primeira vez no saudoso Rock Em Stock, emitido na Rádio Comercial de segunda a sexta-feira e apresentado pelo Luís Filipe Barros. Entre outros temas marcantes de várias bandas, não sei porquê, mas este destacou-se de uma forma especial. Era diferente? Era algo que imaginava ouvir um dia e esse dia tinha chegado? A verdade é que casei-me imediatamente com aquela música e desejava ardentemente amantizar-me com as restantes oito o mais rápido possível. Acho que na altura acabei por ouvir mais um tema (penso que tenha sido o "Sign Of The Crimson Storm") através da rádio, obviamente.
Durante muito tempo vi-me privado de conhecer os restantes temas (todos espectaculares, imaginava eu) e enquanto essa proibição não se desfez - através de tape-trading efectuado com o Tó "Coroner" de Leiria, um bacano que gravava álbuns em cassetes de crómio por um preço razoável face aos preços dos discos, completamente proibitivos e ao alcance de poucos - contentava-me em espreitar as montras dos (igualmente saudosos) centros comerciais dos anos 80 com as suas linhas pragmáticas e paredes brancas e onde a lojinha de música era quase sempre lá ao fundo. E lá ao fundo estava ele, imponente, inalcançável. Aquela capa fazia-me sonhar, literalmente. Poderá não ser nada do outro mundo (para muitos até um pouco tosca) mas aquele desenho e as suas cores eram agradavelmente sufocantes na minha cabeça e só sonhava em poder abraçar aquele disco um dia...
O ajuste de contas foi feito, por circunstâncias várias, longos anos depois. Eu tenho poucos discos, cassetes e CD's, não sou coleccionador de itens físicos. Acho que sempre preferi ouvir e arrumar tudo na minha memória, no meu armazém pessoal de antiguidades. Passaram-se cerca de 20 anos até ao dia em que comprei o "Thundersteel". FINALMENTE!! À semelhança de outros poucos casos de extrema e inexplicável loucura, vulgo MAGIA, caro amigo Mark Reale, esteja onde estiveres, tenho a dizer-te o seguinte: “Tardou mas não falhou!!”
Rui Vieira (Machinergy - voz/guitarra)
entrevista: SUBDARK
Os SUBDARK podem muito bem ser um dos grandes "segredos" escondidos do undertuga! Depois do EP "Noir Coating", os portuenses voltaram à carga em 2012 com o álbum de estreia "Infinite Walls"! Enviámos algumas perguntas para os Subdark que nos responderam prontamente e de forma bem elucidativa!
MEB: Como vão os Subdark e as coisas por aí no Porto?
SD: Vão muito bem, acabamos de ter um concerto na Torre de Moncorvo e foi mais uma experiência bastante enriquecedora.
Continuamos a promover o nosso álbum Infinite Walls e à procura de mais concertos.
MEB: Para quem não vos conhece, façam um breve resumo da vossa história, como surgiram, etc.
SD: A banda formou-se em 2005 com o propósito de gravar um álbum de originais. O objectivo seria o de criar algo musicalmente excitante sem que para isso tivéssemos uma ideia concebida de antemão do que nos iríamos tornar. Tomámos o nosso tempo a desenvolver a nossa sonoridade e a enriquecer musicalmente. Foi então que em 2009 gravamos o EP "Noir Coating" como uma primeira abordagem a um registo gravado. Foi incrivelmente bem recebido, e isso deu-nos motivação para prosseguir em frente e gravar o álbum "Infinite Walls" em 2011 no qual a nossa atenção agora se deposita. Definiríamos o nosso som como uma mistura de imensas influências muito díspares que surgem em pequenas doses. No entanto, os momentos centrais das nossas composições recaem sobretudo no death em que jogamos com alguma progressividade com o jogo entre intensidades e velocidades.
MEB: O EP "Noir Coating" recebeu boas críticas na generalidade e foi um bom cartão de visita. Temos ali três músicas com um sabor diferente do habitual por cá. Como correu essa divulgação e, já agora, a vossa opinião acerca do EP?
SD: Foi muito desafiante na altura gravar o "Noir Coating". Já conhecíamos o Paulo Lopes dos estúdios Soundvision, e gravámos o EP com muita seriedade. Escolhemos 3 músicas muito distintas, diante de muitas que tínhamos preparadas, para podermos expor de maneira muito resumida o nosso som. A opinião que temos do EP é a de um esforço colectivo extremamente bom. Felizmente a nível de críticas, tal ideia confirmou-se. Foi sem dúvida um reconhecimento do nosso trabalho que nos deixou muito empolgados e com vontade de seguir em frente. Notamos que o EP deixou alguma curiosidade no ar e que fez com que as pessoas se mantivessem atentas aos nossos movimentos e de certa forma antevissem e procurassem activamente o lançamento do "Infinite Walls".
MEB: O álbum de estreia "Infinite Walls" mostra uma banda madura, fiel a si própria e de espírito independente. Quais as vossas expectativas pessoais quando iniciaram a composição deste registo?
SD: Este álbum marca o cumprimento do primeiro objectivo e obviamente que depositamos as nossas mais altas expectativas neste álbum. É afinal o culminar do nosso já relativamente longo período de existência. Durante a composição dos temas, tal contudo não nos passou pela cabeça. Passamos por um período de grande inspiração e grande parte deste trabalho ficou pronta muito rapidamente. As músicas fluem de forma muito natural e nós simplesmente deixámo-nos levar.
Chega até a parecer que alguns dos temas ganharam vida própria e se compuseram sozinhos. Exemplo disso é a parte do solo da música "Sowing the Lunacy" que dura 4 minutos e foi gravado exactamente da forma que saiu à primeira vez que alguma vez a tocamos. Isso são pequenos detalhes que nos fazem sentir que a musicalidade do trabalho é muito profunda e que terá o potencial de chegar a muitas pessoas, mesmo tendo em conta que o género não é necessariamente "fácil".
MEB: As letras são intrincadas, parecem-me peças de um puzzle em que o ouvinte/leitor terá de se esforçar para descortinar a mensagem. Querem levantar um pouco o véu sobre o conteúdo lírico de alguns temas?
SD: Os temas recaem sobretudo acerca do conceito do álbum. Interpretá-los não será fácil, pois também não existe uma interpretação única dos mesmos. As temáticas centrais recaem nomeadamente sobre o espaço, a sua infinidade, a mente, a sua complexidade e o seu potencial. Quando pensamos por exemplo na infinidade do espaço, podemos falar que nos invade um sentimento de fragilidade, de quase insignificância. Contudo o modo como cada pessoa sente e absorve esse estado de espírito é-lhe pessoal e é dificilmente expressável por palavras. Desse mesmo modo, as letras serão interpretadas pela forma como cada pessoa as sente. As letras deste álbum são fragmentos de algo muito maior. Para descobrir isso cada um terá que ligar esses fragmentos da forma que achar correcta. Mesmo dentro da banda, cada um sente as letras de uma forma muito diferente. As letras de "Infinite Walls" são como que uma pintura abstracta em que cada um irá ver aquilo que quer ver.
MEB: Não sendo um álbum fácil às primeiras audições, como achas que será a reacção das pessoas?
SD: De facto o álbum necessita de uma certa atenção aquando da sua escuta. Trata-se de um trabalho com muitas subtilezas que não fazem sentido a um ouvido mais distraído. No entanto, achamos que essas tais subtilezas, quando compreendidas, dão uma dimensão muito superior à intensidade das músicas. Sabemos que há ouvintes que procuram músicas orelhudas que chamem directamente à atenção. No entanto, esse tipo de música entra-nos na cabeça com a mesma facilidade com a qual irá eventualmente sair. Aqui sabemos que vai ser mais difícil atrair ouvintes mas que os que derem uma merecida oportunidade ao álbum irão tirar uma satisfação maior e mais duradoura e sentirão uma maior intensidade ao longo do álbum.
MEB: Vocês vão dando um passo de cada vez, seguramente e sem pressas, não tendo urgência de reconhecimento rápido e fácil. Acham que essa é a melhor arma de um artista, ou seja, o facto de não criar muitas expectativas com o impacto que a sua obra possa ter sendo totalmente livres no acto da criação?
SD: A melhor arma de um artista é criar música que goste. É isso que fazemos e sentimos que desta forma ninguém nos pode acusar de nada. Adoramos o que tocamos. Tocamos com paixão à música e nisso somos intocáveis!
MEB: Existem bastantes bandas no Porto e arredores, ensaiam muitas bandas no mesmo local onde vocês também ensaiam (Centro Comercial Stop). Como é o ambiente entre-bandas e como co-habitam? Há união em iniciativas, inter-ajuda, etc?
SD: O Stop é um mundo em termos musicais. Há muita cooperação naquele espaço. A irmandade que se vive está por exemplo num concerto no Stop para angariar fundos para uma sala cujo material ardeu durante um incêndio. São situações que nos fazem ver o poder da música na sua capacidade de aproximar as pessoas.
MEB: Como se vêm numa formação a 3? Torna-se mais fácil o processo de composição, comunicação entre elementos ou não é por aí?
SD: Não sabemos ao certo porque não temos experiências de ter bandas com mais elementos. No entanto, todos nós já tivemos outros projectos e não sentíamos a ligação que se sente nesta banda. A comunicação transcende as palavras. Quando improvisamos algo ou compomos algo novo existe uma aura que nos encaminha a todos numa mesma direcção. Sentimos isso uns nos outros. Sabemos perfeitamente o lugar de cada um na banda e daí vem uma coesão que nos caracteriza.
MEB: Últimas palavras e mensagem para o pessoal. Obrigado!
SD: Agradecemos a entrevista, desejando a melhor das sortes para o vosso jornalismo. Gostaríamos de relembrar que o nosso EP está disponível para download gratuito no nosso facebook - www.facebook.com/subdarkpt . Na página também poderão saber como encomendar o álbum "Infinite Walls" e ver também o merchandise disponível para venda. Ao adquirir o nosso trabalho estão-nos a ajudar directamente. Cheers!!
(entrevista elaborada por: Rui Vieira)
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