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sexta-feira, 26 de julho de 2013

[review] AS SILENCE BREAKS - The Architecture of Truth (2012)


AS SILENCE BREAKS - The Architecture of Truth
(New Justice Records - 2012)

Com “The Architecture of Truth”, o seu último álbum lançado em 2012, AS SILENCE BREAKS apresentam-nos quarenta e cinco minutos de música que prometem agradar aos fãs do som pelo qual se deram a conhecer nos seus esforços anteriores, mas que são bem mais orientados para o melodic death metal, contendo ainda umas influências de Trash Metal para além das suas raizes no metalcore.

O segundo LP do grupo foi gravado com Daniel Castleman no estúdio de Tim Lambesis (vocalista de As I Lay Dying, Austrian Death Machine e Pyrithion) e a produção foi feita por Alan Douches que já trabalhou com bandas como Cannibal Corpse, Unearth, Deicide e The Black Dahlia Murder.

A evolução da banda desde o seu primeiro álbum é notável e este é o seu lançamento mais maduro. Se já no EP “The Inferno” (2011) alguns avanços óbvios tinham sido feitos em relação ao seu debut auto-intitulado (2009), com o novo lançamento a banda deixou para trás os atalhos musicais que por vezes os condenavam a ser recebidos com o rótulo de “mais uma banda do metalcore”.

Melodias contagiosas recheiam "The Architecture of Truth" e não faltarão headbangs enquanto sonoros como ‘Decimate’ ou ‘Fire Borne Chaos’ tocarem. Os breakdowns são menos e bem mais moderados, e em algumas ocasiões (nas músicas ‘Freedom’, ‘Fire Borne Chaos’ e ‘Discord’) o guitarrista Ben Irwin empresta a sua voz, cantando uns versos com uma performance também melhorada em relação ao EP anterior. Mas os fãs da faceta mais pesada de AS SILENCE BREAKS não deverão ficar decepcionados pois continua a haver força no som do quintento. Os breakdowns existentes surgem nas alturas certas e complementam as músicas com a agressividade necessária.

Tudo isto cria um álbum que mostra que AS SILENCE BREAKS estão empenhados em melhorar o seu som em todas as oportunidades. “The Architecture of Truth” não vem quebrar paradigmas nem apresentar um som novo ao mundo, mas é um álbum que re-afirma o talento e empenho da banda australiana. --- [Diogo Alphonso]

[review] KROH - kroh (2012)


KROH - kroh
(Devizes Records - 2012)

Acontece por vezes em convívio com pessoal amigo (saravá Metal Horde Zine), o saudável jogo do inventa lá um sub-género novo, onde já nos saímos com pérolas como crustcore-acústico ou ska-industrial-depressivo! Uma que ainda não nos tínhamos lembrado era a do one-man-stoner-satânico! Pois aqui está ela, na pele deste projecto de Paul Kenney, músico com história numa série de outras coisas, que vai de Fukpig a Mistress, passando pelos Anaal Nathrakh ou Dethroned!

Talvez a associação entre o stoner e o Senhor das Trevas não seja tão descabida quanto isso, afinal de contas, existem bastantes bandas deste género ou por ele influenciado que patrocinam um ou outro pormenor alusivo, seja no artwork ou mesmo através de um piscar de olhos lírico, escondido nas metáforas das suas letras! Com os KROH a dúvida acerca da temática fica desfeita logo no arranque deste disco, quando no tema ‘The Plant We Seeded’ se ouve repetidamente o refrão “All in the name of Lucifer / The Plant we seeded, Lucifer / There when we needed”!

Considerações ocultistas à parte, é necessário sublinhar o quanto este disco encaixa bem à primeira tentativa, sem que passemos por um tema que nos leve a saltar imediatamente para o próximo! Mesmo com ‘How I Wish’, um tema quase ambiental e bastante sombrio, acabamos por abraçar essa escuridão momentânea como um momento de fuga, para elevar as nossas narinas acima do enxofre que alimenta peças como ‘Luciphoria’ ou ‘These Butterflies’, dois temas que facilmente ficam no ouvido!

Existem aqui muitos bons riffs, tal como seria de esperar num bom disco/banda que abrace uma sonoridade à volta do género stoner, mas também existe muita qualidade no que toca à forma como essas camadas de guitarras estão cosidas com as linhas robustas que fazem com que uma ideia se transforme num excelente conjunto de músicas! --- [Rui Marujo]

[review] GRIME – grime (2012)


GRIME – grime
(independente - 2012)

A presente visita lança-se para os arredores de Trieste, de onde surgem estes italianos, prontos a espalhar toda a sujidade do seu  lento e pesado sludge/doom! Este género tem tido maior visibilidade em tempos recentes e são diversas as bandas de variados países que aproveitam o embalo para fazer conhecer a sua música ou aproximar a sua sonoridade a estas cores mais negras e abafadas!

Quanto aos GRIME, acredito que a descrição que fazem da sua própria música, um pântano em decomposição cheio de lixo, se aproxima de forma bastante fiel daquilo que a metáfora pretende transmitir! Temos a velocidade arrastada, própria das influências assumidas pela banda, Black Sabbath, Grief, Sleep, etc., ao mesmo tempo que se deixa notar um cuidado com o tipo de riffs escolhidos, algo mais apontado ao doom rock setentista de uns Pentagram, por exemplo, ou às melodias de uns Candlemass, se estes tocassem numa afinação muito mais grave e pesada e desviassem um vocalista de uma banda screamo para assumir as vozes neste disco!

A questão da voz talvez venha a ser o aspecto mais problemático aqui, uma vez que, tema após tema, não existe grande variação ou modulação face à base musical em que assenta. Se se retirasse a trilha vocal de um tema e a colocássemos em cima de outro tema diferente, talvez não se notasse grande diferença! De qualquer das formas, a sua intensidade parece estar bem adequada ao pesado e opressivo ambiente criado por cada tema! --- [Rui Marujo]

[review] VANDERBUYST - flying dutchmen (2012)


VANDERBUYST - flying dutchmen
(Ván Records - 2012)

Ao segundo tema deste disco, ‘Waiting in the Wings’, já o meu pézinho batia e os meus lábios faziam tentativas ao refrão! Nada mau para uma banda que ouvimos pela primeira vez e da qual não conhecemos os trabalhos anteriores! Com os caminhos da investigação abertos, seguimos até à Holanda e descobrimos que os VANDERBUYST se têm mantido ocupados desde a sua formação em 2008! Este é o terceiro longa duração do trio e merece a nossa aprovação!

Talvez seja o nosso apreço pela sonoridade hard-rock/heavy-metal do início dos tempos, com todas as suas inclinações às bandas que durante a década de 70 começaram a moldar aquilo que outros continuaram durante os anos 80, mas o certo é que estes holandeses voadores não desiludem com cada piscar de olhos que fazem ao legado de Thin Lizzy, Led Zeppelin ou Diamond Head, apenas para vos dar uma imagem da coisa! Está cá o típico som de guitarra, construíndo todas as melodias e todos os ganchos que vos vão agarrar e transportar para um lugar onde a música continua a ser boa e interessada apenas naquilo que realmente conta!

Muitos poderão argumentar que os VANDERBUYST não estão a abrir novos caminhos no panorama e, contra isso, não há que argumentar! Mas ao contrário de repetir os clichés de um género e não conseguir criar música que seja interessante, os holandeses construíram um disco com muitos momentos de qualidade e que em nada irá desagradar aos adeptos do clássico rock de tendências metaleiras! --- [Rui Marujo]

[review] REVERENCE - when darkness calls (2012)


REVERENCE - when darkness calls
(Razar Ice Records - 2012)

Os REVERENCE não são nenhuma banda de amadores, nem de caras desconhecidas para os apreciadores de heavy metal, apesar deste ser o disco de estreia da banda! Formados por nomes ligados a bandas como Tokyo Blade, Savatage ou Jack Starr’s Burning Starr, a aposta aqui é, claramente, oferecer o melhor heavy metal possível aos ouvidos sedentos de bom sonoro! A missão parece ter sido cumprida com algumas doses de sucesso!

Concedo que nas primeiras voltas que dei neste disco, principalmente nos temas com maior ataque, a ideia de que esta banda me soava familiarmente próxima de uns Anthrax não me abandonou por completo mas, após mais umas rodadas, a atenção volta a ser focada apenas e só no que soam estes temas e na sua qualidade ou ausência dela! Mesmo que, quase ao cair do pano, ‘After The Leaves Have Fallen’, nos recorde de como os sujeitos do heavy metal gostam sempre de compor e incluir nos seus discos uma daquelas power-ballads de consistência melosa! Não havia qualquer necessidade de isto acontecer hoje em dia, pois não, rapazes?

O disco abre com o tema que lhe oferece o título, numa passada a cruzar os campos do power metal athrashalhado e, logo de seguida, ‘Bleed For Me’, segue-lhe o destino, marcando mais ou menos a toada para as restantes músicas, apesar do pé no acelerador de ‘Phantom Road’ e do fantasma de Anthrax assombrar o refrão de ‘Gatekeeper’ de uma forma verdadeiramente assustadora, mas num bom sentido! Pesando os temas seguintes e subtraindo a já mencionada power ballad, que dispensávamos, este colectivo de caras conhecidas acaba por apresentar uma estreia que talvez se aproxime daquilo que Bryan Holland tinha em mente quando formou os REVERENCE (“I wanted an album with a soaring vocalist, unstoppable riffs, screaming leads and crushing rhythms...”), no entanto, apenas o tempo poderá confirmar se estarão à altura dos seus critérios! --- [Rui Marujo]

[review] THE KONSTELLATION - Order Of The Universe (2012)


THE KONSTELLATION - Order Of The Universe
(independente - 2012)

Nunca sabemos muito bem ao que vamos, quando se trata de ouvir um disco que, para além das descrições que te podem deixar mais ou menos encaminhado, incluem a vinheta do progressive! Sabemos que pode significar muita coisa, mas normalmente este termo sai da cartola quando não se consegue encaixar muito bem o que temos em mãos, quando não existe uma zona de conforto perfeitamente identificável para nos deixar descansados e termos que evitar grandes explicações! Experimentalismo, fusão de géneros estranhos à partida, seja o que for!

Os húngaros THE KONSTELLATION também viajam com essa identificação na sua sequência genética, mas com linhas bem demarcadas na sonoridade que apresentam neste primeiro longa duração! Existem aqui os mapas para o black-metal de inclinação melódica, que cruza caminhos com um death-metal cujas inspirações líricas o coloca no infinito estelar! As vocalizações podem variar entre as frases limpas, mas assumidamente negras e obscuras, e as entregas guturais, com o meio termo moderadamente frio e rasgado! É uma dança de ímpetos que nos pode transportar a lugares diferentes dentro de um mesmo tema!

O tema de abertura ‘Macrocosmos’ tem aquele embalo próprio da influência black-metal no movimento pendular de uma forma de metal que não quer acelerar, mas que mantém o seu ímpeto seguro! Vão surgindo, em seguida, novos exemplos de como a estrutura destes temas é feita com base na desconstrução de moldes, apenas para voltar a juntar as peças em novas formas! Os ímpetos voltam a dançar e a negar as facilidades pré-concebidas dos géneros em que confiam para se manterem seguros! Mantenham-se atentos! --- [Rui Marujo]

[review] ETERNITY - pestiferous hymns rev. I-I-XXXIII (2012)


ETERNITY - pestiferous hymns rev. I-I-XXXIII
(World Terror Committee - 2012)

Confesso já aqui que não foi tarefa fácil ouvir este “Pestiferous Hymns Rev. I-I-XXXIII”! Assim, de repente, apenas posso depositar as culpas na minha desordem bipolar que facilmente é acometida por mudanças de humor de difícil tolerância! Quando se trata de ouvir black metal, os sintomas têm tendência a piorar e aí vamos nós numa espiral de caprichos imberbes!

Vejamos, ao pressionar o play e assistir ao desenrolar daquilo que me pareceu uma intro enorme, não consegui evitar o desejo sarcástico de agarrar num cronómetro e descobrir em quanto tempo é que este tema (‘Down To The Southern Abyss’) se iria transformar numa receita genérica: 3m54s foi quanto demorou até que os ETERNITY disparassem os blasts e passassem a soar a milhares de outras bandas de black metal! Na verdade, fiquei um pouco irritidado por os meus dotes de adivinhação não me terem desiludido, queria ser surpreendido e não embrulhado em papel pardo de mais-do-mesmo! Restava-me o conforto deste ser apenas o primeiro tema e que ainda havia tempo de encontrar a salvação um pouco mais à frente!

Uma espécie de redenção começou a surgir com ‘...Like 1000 Suns’, onde as linhas de guitarra se tornaram mais agradáveis e menos repetitivas, ao contrário do anterior ‘Temple Of Flesh’, apesar deste também não ser um tema totalmente descartável! O que me continuou a oferecer alguns pontos de desconforto prendeu-se com a duração dos temas, apenas um deles abaixo da marca dos 6 minutos e dois deles acima dos 8 minutos! Se bem que num ou noutro caso a composição assim o parecia pedir, na grande maioria das vezes as coisas pareciam apenas prolongar-se para lá do ideal. --- [Rui Marujo]

[review] ARSIS – lepers caress EP (2012)


ARSIS – lepers caress EP
(Scion Audio Visual - 2012)

Confesso aqui a minha ignorância face a esta banda, pois apesar dos seus actuais treze anos de carreira (e ainda a contar) e dos seus cinco albums, o meu primeiro contacto foi feito através deste EP, lançado em Dezembro de 2012, através da companhia Scion (o quinto disco de estúdio, “Unwelcome”, saiu em Abril 2013 pela Nuclear Blast)!

O desconhecimento assumiu tamanha ordem que, enquanto ouvia “Lepers Caress”, pensava que este tipo de death metal melódico sai sempre de uma forma pristina das mãos das bandas nórdicas, quando na verdade estava a ouvir uma banda americana! Caramba, já não se pode confiar em nada neste mundo!

Mas com o devido crédito agora atribuído à nação americana, há que dizê-lo com toda a frontalidade que me sinto agora tentado a descobrir o restante da discografia produzida por estes nativos da Virginia, pois estes seis temas souberam-me mesmo bem! Com mudanças de velocidade equilibradas e melodias cheias de ganchos, nem mesmo dos solos temos razão de queixa, uma vez que ocupam apenas e só o tempo e lugar que devem ocupar, sem se alongarem de forma desnecessária! Todos os temas têm algo que os favorece, mas ‘A Tearful Haunt, Condemned’ merece o nosso carinho pelo seu véu clássico, que parece ter sido baseado na cadência de uma valsa straussiana! Boa malha! --- [Rui Marujo]

[review] ACRANIA – the beginning of the end EP (2013)


ACRANIA – the beginning of the end EP
(independente - 2013)

Sabeis o que é o Politicore? Aparentemente, é o género praticado por estes amigos londrinos, se bem que alguns analistas atentos a estas coisas colocam-nos mais na categoria de brutal deathcore! Andamos sempre às voltas com estas coisas dos géneros e dos catálogos, não é verdade? Qual é o verdadeiro objectivo destes rótulos? Apenas proporcionar algum tipo de conforto aos leitores/ouvintes! No fundo, vocês são uns meninos mimados a quem é preciso apaparicar com agrados...

Mas vamos ao que interessa, que é este “The Beginning Of The End”: trata-se do seu primeiro EP e, no que concerne ao departamento de brutalidade, está bem e recomenda-se! Não é necessário estar receoso de vir aqui encontrar algum malfadado breakdown repetido ad eternum e que, por norma, obriga a franzir o sobrolho de quem ouve metal e se depara com algum dos seus subgéneros core mais modernos! Por outro lado, também não esperem encontrar aqui grandes momentos que vos façam recordar algum destes quatro temas + introdução, depois de os terminarem de ouvir! Concede-se que existe aqui peso a rodos e a sucessão de blast beats, growls e pig squeals é de tamanha monta que chegamos a ficar fisicamente cansados, mas dá um bocado que pensar quando a peça musical que mais agrada neste lançamento é a sua intro... --- [Rui Marujo]

segunda-feira, 3 de junho de 2013

AGE OF WOE - inhumanform [review]


AGE OF WOE – inhumanform
(Give Praise / Suicide Records - 2013)

Apesar de, nos últimos anos, as descrições que tendem a adjectivar alguma banda como sendo uma experiência híbrida entre o metal e o hardcore terem a tendência de fazer com que as pessoas queiram fugir desses desgraçados como o tinhoso foge da cruz, o certo é que temos assistido, mais recentemente, ao surgir de muitos projectos que se afastam dos chuga-chugas monótonos e dos breakdowns previsíveis e apostam, sobretudo, em criar riffs e ambientes inspirados no melhor que o thrash, death ou black-metal têm para oferecer para depois sujar tudo (no melhor dos sentidos), com aquele carvão próprio que o crust consegue oferecer a quem quer que esteja disposto a fazer música agressiva!

O facto desta banda vir da Suécia pode levar muitos a crer que se trata de mais uma boca a mamar na teta das guitarras injectadas de sangue de Entombed mas, na verdade, os AGE OF WOE demonstram que as ruas em Gotemburgo têm muitas transversais e diversos são os caminhos possíveis que uma banda pode percorrer! É possível ser-se adepto da velocidade suja, na mesma medida em que os momentos de balanço moderado também podem fazer parte da nossa agressiva forma de enfrentar o mundo que nos suja!

Uma banda que decide registar a base musical para um disco, tocando de forma directa, com todos os membros ao vivo, em estúdio e que o consegue fazer em apenas 4 dias, merece a nossa atenção, se não for pelo resultado alcançado, que o seja então pela audácia de trabalhar de uma forma que visa capturar a energia pura da música que fazem, porque é disso mesmo que se trata e é isso mesmo que importa! Estamos a falar aqui de um primeiro álbum, uma afirmação de intenções!

Pela parte que nos toca, seja nos momentos crust mais acelerados de ‘The King Of Thieves’ ou ‘The Antagonist’, no início mais thrash de ‘At First Light’ ou nos passos mais arrastados de ‘Cold Cycle’, o certo é que os AGE OF WOE nos mostram, sem rodeios ou jogos de espelhos, qual é a sua visão, qual é o seu caminho! É duro, pesado e, se poderá afastar muita gente, vai certamente atrair muito mais! --- [Rui Marujo]

segunda-feira, 20 de maio de 2013

carreira de tiro: cartuchadas sem perder muito tempo #1


ACID DRINKERS – la part du diable
(Mystic Production - 2012)

Estes polacos loucos entraram no radar de muitos de nós durante o início dos anos noventa, muito por culpa do seu primeiro album, “Are You A Rebel?”, e da sua abordagem muito pouco ortodoxa ao thrash e ao metal em geral! Utilizar um tipo de vocalizações que quase roçavam o desenho animado, certamente não lembraria a nenhum de nós, mas tornou a banda perfeitamente identificável daí em diante!
Eis-nos vinte e três anos depois e os ACID DRINKERS continuam a espalhar a sua forma muito própria de fazer música! Continuam loucos e continuam bons, se bem que esta qualidade tem os seus normais desiquilibrios pois, tal como há anos atrás, para cada ‘I Mean Acid (Do You Like It?)’ lá vão aparecendo as suas antiteses, que nos deixam a pensar porque motivo gostaremos nós destas loucuras! Mas, em “La Part Du Diable”, destacam-se, por exemplo, ‘The Trick’, ‘The Payback’ ou ‘Bundy’s DNA’, para os mais fervorosos adeptos das velocidades típicas desta banda! --- [Rui Marujo]

ALL ELSE FAILS - ruins punk for everyone
(independente - 2012)

Podia encarnar aqui o papel de um pseudo-crítico amargo e de mal com a vida, abatendo logo à partida a possibilidade de alguém se vir sequer a interessar por esta colecção de versões gravadas pelos ALL ELSE FAILS, mas seria demasiado fácil! E estúpido! Se, por um lado, não conheço a fundo o trabalho original que possuem (e não me envergonho disso!), por outro, não nego que o que me trouxe a “Ruins Punk For Everyone”, para além do seu aspecto gratuito, foi o facto de se tratar de covers de temas punk! Mas vamos utilizar este termo, aqui, de uma forma abrangente...
Não há aqui grandes segredos, nem grandes mensagens subliminares a serem enviadas. A própria banda afirma, para que não restem dúvidas, que se trata apenas de ALL ELSE FAILS a tocarem temas que eles gostam de tocar! Simples, como tudo deveria ser! E é nesta simplicidade que eles agarram em ‘Dig Up Her Bones’ (Misfits), ‘No Cigar’ (Millencolin), ‘Fertile Fields’ (Good Riddance) ou ‘Rio de Santa Atlanta, Manitoba’ (Propagandhi), por exemplo! Mas, há também um pouco de ‘I Don’t Wanna Be Me’ (Type O Negative) ou ‘Seminole Wind’ (John Anderson)! Nada como experimentar! --- [Rui Marujo]

ANTISECT - 4 Minutes Past Midnight/Out From The Void (Part 2) 10”
(independente - 2011)

Foram precisos 24 anos para que os ANTISECT voltassem ao activo, recebendo os louros por se terem tornado numa das bandas mais influentes na cena anarko-punk mundial e ajudado também a estabelecer algumas das raízes do crust!
Em 2011 lançaram estes dois temas, num formato apenas disponível durante as suas digressões! Temos então, ‘4 Minutes Past Midnight’, um tema que data de ‘82, mas que ainda não tinha sido editado e também uma regravação do single de ‘85, ‘Out From The Void’, que, na sua altura, chegou ao número 2 na tabela de singles de música independente no Reino Unido e que muitos consideram como sendo um dos pontos de partida para a cena crust-punk! --- [Rui Marujo]

MAN AMONG WOLVES - this city will rot
(independente - 2011)

Banda de São Francisco, estes MAN AMONG WOLVES versam no ramo extremo da mistura entre o crust abusado e o tradicional ataque do grindcore americano! Apesar do marcador registar nove minutos neste EP, os temas passam de tal forma rápidos que quase não temos noção do que se está a passar! Com nomes como ‘Scum Like You’, ‘Punished’ ou ‘Violent Existence’, acho que não existem grandes dúvidas acerca dos conteúdos abordados por estes americanos! Violência, agressividade e peso, são os três ingredientes principais temperados pelas vocalizações rasgadas e gritadas que cospem tudo menos frases fofinhas! Até mesmo no mais longo, ‘Animus Nocendi’ somos atacados com o poder de uma mistura sludge-grind que não quer oferecer tréguas a ninguém! Violento! --- [Rui Marujo]

RAW DECIMATING BRUTALITY - obra ó diabo!
(Vomit Your Shirt - 2011)

Quando deparados com certos conceitos que se vão encontrando por esse mundo metaleiro fora, não vos ocorre, por vezes, pensar: mas porque é que ainda ninguém se tinha lembrado disto? Para mim, é o que se passa com os nacionais RAW DECIMATING BRUTALITY e o seu grind influenciado pelo mundo da construção civil! Num género saturado pelo imaginário de fezes, sémen, entranhas e canibalismo, é refrescante ouvir alguém queixar-se que ‘As Portas Vieram Trocadas’ ou que ‘O Muro Está Mal Pintado’!
Não só os temas são divertidos, como toda a música que lhes serve de moldura incentiva-nos a demonstrar a nossa presença através de algum tipo de movimento! Desafio qualquer um a estar presente num concerto destes tipos e não se sentir impelido a mexer-se de uma forma ou de outra! Nem que seja através de um espasmo nervoso ou de uma dança de louvor ao cimento! --- [Rui Marujo]

WITCH MOUNTAIN - EP
(Scion Audio Visual - 2012)

Encontramos apenas dois temas neste EP lançado em Outubro de 2012, em mais uma iniciatica da Scion Audio Visual, mas o espírito do doom tradicional apresenta-se em ambos! A voz de Uta Plotkin oferece o enquadramento ideal para os riffs fabricados pelos seus companheiros de banda e o pacote final certamente não desilude, quer se tratem de apreciadores de banda em particular ou deste género de doom, bastante vincado nas suas origens setentistas!
O tema ‘A Power Greater’ quase nos ilude com um arranque típico do stoner, mas as dúvidas não tardam a ser desfeitas nos segundos imediatos, quando o ritmo regressa à passada lenta que preenche este lançamento! --- [Rui Marujo]

ABRIOSIS – vessel EP


ABRIOSIS – vessel EP (2012)
(Torn Flesh Records - 2012)

Ah... O doce desafio de enfrentar uma sucessão de minutos de um género do qual desconfiamos fortemente e que, na grande maioria dos casos, nos perde pelo caminho que nem uma aula de trigonometria às oito e meia da manhã!

Os ABRIOSIS são canadianos, naturais de Vancouver, e existem desde 2007, sendo que este “Vessel” é o seu segundo EP, intervalado apenas pelo lançamento de um longa duração e distanciando quatro anos desde a sua estreia com um título homónimo! São descritos como death metal técnico e os quatro temas aqui apresentados não estão nada longe desse manto! Resumidamente, são plenos de registos temporais complexos, diversas partes de guitarra que se incluem no campo do ‘olhem o que eu consigo fazer’, uma vocalista feminina que grita como dois homens em combate gladiador até à morte (o que é muito agradável, apesar de hoje em dia já não ser tão fora do comum quanto isso) e algumas partes que se prolongam sem grande necessidade!

Aquilo que “Vessel” não consegue fazer é deixar-te interessado a voltares novamente para mais uma voltinha! No fundo, acaba por ser um dos grandes problemas com este tipo de bandas e lançamentos, em que a técnica se sobrepõe às melodias e estruturas que constroem riffs que te apetecem revisitar e mostrar a toda a gente! Salva-se metade do último tema, ‘Apochra’, até acabarem de o manchar com mais tecnicismos desnecessários! --- [Rui Marujo]

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PER CAPITA / FREEDOM IS A LIE - split 12" [review]


PER CAPITA / FREEDOM IS A LIE - split 12”

(independente - 2013)
http://percapitacrust.bandcamp.com
http://freedomisalie.bandcamp.com

Duas forças demolidoras uniram esforços para lançar este split, dois ataques violentos que, do centro da Europa, lançam a sua própria versão de activismo e fúria, na forma de constantes ataques ensopados em crust, hardcore, punk e grindcore!

Por um lado, temos os alemães PER CAPITA, que debitam nove temas de agressão e poder, directamente de Munique para o mundo! Uma banda que, desde as suas raízes na sonoridade suja dos anos 80 ou 90, evoluiu até à presente formação de duplo ataque de guitarra e berros crust/grind! Os seus temas percorrem temáticas que atacam a crua realidade da vida e do mundo moderno, com a sua ausência de valores, aumento do fosso entre classes e violência sem quartel! É como ouvir um noticiário onde nos dizem a verdade!

Já os FREEDOM IS A LIE, lançam a sua dose de crust/hardcore acelerado a partir das proximidades da cidade de Budapeste, Hungria! Os seus temas também possuem um pequeno sabor grindcore, o que ajuda a temperar as vocalizações agressivas e as letras gritadas em húngaro! O foco das suas dissertações, à semelhança dos seus amigos alemães, passa pelos problemas sociais e políticos, com o objectivo de deixar a nú as falhas exixtentes no sistema vigente! No fecho, ainda presenteiam os amantes de música extrema com uma rendição de ‘Blinded - Time To Act’, original dos suecos Nasum! Uma bela dose de cacetada saudável! --- [Rui Marujo]

DEATHCULT - the test of time [review]


DEATHCULT – the test of time
(Do Or Die Records Records - 2013)
www.facebook.com/DeathcultChicago

Após um determinado número de experiências, não há como evitar um certo grau de expectativa, quando sabemos que estamos a lidar com uma one-man-band. São frequentes os projectos deste tipo que seguem o caminho negro do black metal, alguns com maior interesse que outros, principalmente devido à forma como a sua música soa fluida como uma banda completa e não como um trabalho de estúdio de cut and paste!

Com DEATHCULT, somos agradavelmente surpreendidos por essa fluidez e praticamente não nos apercebemos de que todos os instrumentos e vocalizações são feitos pelo mesmo homem, Tim Pearson! Escuro na sua natureza, este primeiro trabalho de longa duração assume musicalmente o que as suas influências afirmam ser no papel, fundamentos de black e thrash metal, mas sem grandes embelezamentos ou associações ao estilo híbrido mais acelerado de outras bandas desta latitude musical! Notam-se as orientações mais thrashy em alguns dos riffs, mas o espírito aqui presente pode ser comparado ao mundo de Satyricon, por exemplo, para terem uma imagem sonora em que se possam segurar!

Quando se olham para alguns dos títulos destes temas, ‘Hail The Antichrist’ ou ‘Born To Lose’, a dimensão da escrita parece estar um pouco embebida em lugares comuns, mas este último tema revelou-se um vício tremendo e difícil de deixar! ‘Doctrine of Hate’ tem um início a saudar o death metal clássico e ‘Inner Beast’ grita fiordes noruegueses por todas as notas, mas o crédito deve ser dado ao vento cortante de Chicago! Bom som! [Rui Marujo]

sexta-feira, 29 de março de 2013

VARGSHEIM – erleuchtung [review]


VARGSHEIM – erleuchtung
(MDD Records - 2013)

Esta banda alemã surgiu no domínio da Bolacha sem que tivesse havido uma percepção prévia da sua existência, apesar de ser um nome que se tem mantido activo desde 2005, sendo que “Erleuchtung” é já o seu segundo registo de longa duração! Este trio bávaro constitui também a banda de suporte que acompanha o projecto Imperium Dekadenz nas suas aparições ao vivo.

Desconhecendo o nome, desconhecia também que tipo de sonoridade estaria à minha espera quando premisse play e deixasse que os sete temas deste lançamento fizessem o seu estrago nos meus ouvidos! As primeiras impressões deixavam antever que seria mais uma fatia de black metal tradicional, dado o ataque inicial oferecido pelos primeiros minutos de ‘Welt In Schillerndem’, o tema de abertura, mas rapidamente o ponteiro alterou a sua direcção e, afinal, o que temos aqui cai mais na categoria da exploração de fronteiras entre géneros! Passo a explicar, existe aqui algum conteúdo que poderá ser encaixado dentro dos parâmetros black metal, o registo de voz talvez seja o mais declarado e em alguma da construcção do trabalho de guitarras esse ponto também se faz notar, mas a verdade é que os pratos da balança tendem mais para um campo progressivo em que essa origem black metal se funde com o explorar típico do post-rock a que se juntam ainda algumas paisagens atmosféricas em que a melodia interpreta um papel fundamental!

O título deste disco significa “Esclarecimento” e essa definição assenta muito bem nesta experiência, neste desvendar de páginas entre cada tema de VARGSHEIM! Não é o tradicional e fugaz registo black metal que se esperava no início, mas sim uma viagem mais complexa de diferentes camadas, diferentes velocidades e diferentes estados de espírito! [Rui Marujo]

SPACE MIRRORS – in darkness they whisper [review]


SPACE MIRRORS – in darkness they whisper
(Transubstans Records - 2012)

Antes de ouvir “In Darkness They Whisper” fui investigar um pouco esta banda russa de que ainda não tinha ouvido falar, tendo como alvo preferencial da minha curiosidade o género a que os moscovitas estariam mais próximamente ligados! A informação promocional mencionava space rock / metal e, a julgar por algum do artwork que a acompanhava, quando mergulhasse neste disco poderia muito bem ser sugado para um qualquer submundo psicadélico! Com o auxílio precioso da auto-estrada da informação, também fiquei a saber que existe quem estabeleça esta banda como dark metal ou uma qualquer outra ramificação progressiva!

Na verdade, depois de ouvir os temas de “In Darkness They Whisper”, podia muito bem colocar todas aquelas descrições dentro de um chapéu, adicionar-lhes mais algumas que possam por aí existir para descrever projectos que ultrapassam as linhas habitualmente aceites e, sem qualquer tipo de receio, começar a tirá-las novamente, uma a uma, pois todas elas estariam dentro da sombra provocada pela música dos SPACE MIRRORS!

Este disco inicia-se com uma passada quase new wave dark gothic e daqui para a frente dispara em quase todas as direcções, sem chegar realmente a abusar no peso ou velocidade, mas inserindo momentos de declarada esquizofrenia e psicadelismo, onde as teclas vão conferindo a tal vertente espacial e onde também existe lugar para flautas, saxofones, passagens jazz e letras que falam da geometria da bruxaria!! Decididamente, este não é um disco para todos os ouvidos! Quando chegamos ao seu final ficamos com a sensação de que algo de estranho acabou de acontecer. Sabemos que não foi mau, mas não estamos certos de que terá sido bom! [Rui Marujo]

VARIOUS ARTISTS – the sounds of summer vol 1 [review]


VARIOUS ARTISTS – the sounds of summer volume 1
(Paper+Plastick Records - 2012)

Mais uma compilação, disponibilizada pela label Paper+Plastick Records, com o objectivo de promover algumas das bandas do seu catálogo! Neste caso específico, o leque de géneros vai variando mas mantém uma linha mais ou menos constante, entre o punk/hardcore moderno e o rock alternativo que lhe é mais próximo!

Estão por aqui temas de bandas como The Gamits, Break Anchor ou Red City Radio, que aludem à vaga que deu a conhecer nomes como Rancid ou Green Day, mas também encontramos coisas como Tin Horn Prayer e a sua moldura cajun rock que me fez lembrar Sixteen Horsepower, mas com um caminho próprio, longe do plágio fácil!

Continuando a visita, descobrimos Jr. Juggernaut, uma banda que parece ter sido recuperada do indie rock comercial do final dos anos noventa, enquanto que Obi Fernandez oferece um reggae agradável! Os Flatfoot 56 aceleram o passo com o seu punk de influência celta, enquanto que quase no final deste sampler Rob Huddleston e Jon Snodgrass & Friends voltam às sonoridades mais comerciais, demonstrando como o leque de géneros desta editora consegue abranger essa variedade. [Rui Marujo]

quinta-feira, 21 de março de 2013

ATTIC - the invocation (review)


ATTIC – the invocation (2012)
(Ván Records - 2012)

Nunca é fácil equilibrar as nossas tendências quando ouvimos heavy metal! Falo das minha, como é óbvio! Como é que nos desembaraçamos daquela posição difícil em que ficamos quando ouvimos um trabalho que gostamos bastante mas, ao mesmo tempo, temos a perfeita noção que aquilo que temos perante nós poderia ter sido traçado a papel químico da obra de outros ilustres que antes percorreram estes mesmos caminhos? Sou obrigado a apoiar-me em algumas velhas máximas que afirmam sábiamente que já foi tudo inventado e recordo-me de alguns minutos gastos a ver um mini-documentário intitulado Everything Is A Remix (aconselho)! No fundo, o que continua a ser o mais importante é a forma como a música nos faz sentir!

Tudo esta conversa anterior tem algum sentido, sentido quando falamos dos alemães ATTIC e deste seu trabalho “The Invocation”! Isto é bom heavy metal e estão aqui alguns temas que não consigo ouvir apenas uma vez, obrigando-me sempre a recorrer a uma breve incursão no mundo do toca & repete! Mas acontece que tudo aqui tresanda a Mercyful Fate e King Diamond! Quando digo tresanda: se fecharem os olhos e não souberem do que se passa, vão afirmar seguramente que se trata de um novo trabalho do vocalista dinamarquês!! Deve isto ser um impedimento para darem uma oportunidade a esta banda e a este disco? Deixem-se disso, que o que importa mesmo é que o tema título, ‘The Invocation’, é uma malha do cacete e o seguinte, ‘The Headless Horseman’, não lhe fica muito atrás!!

O ambiente é propício a sessões espíritas e existe muita da tradicional visita às histórias de fantasmas e fantasias envolvendo misteriosas personagens femininas, orfanatos assombrados e assembleias de bruxas, tudo servido com uma banda sonora de bom e clássico heavy metal que estes alemães, passe as obrigatórias comparações, conseguem criar e apresentar tão bem! É terreno batido? Sem dúvida. Mas não deixa de ser um terreno a visitar com alguma frequência e prazer! (Rui Marujo)

POMBAGIRA – maleficia lamiah (review)


POMBAGIRA – maleficia lamiah
(Black Axis Records - 2013)

Quando deparamos com uma banda inglesa que foi buscar o seu nome à mitologia religiosa brasileira, não podemos deixar de pensar até que ponto é que poderá a sua música ser influenciada por todas essas neblinas próprias dos contos mitológicos, sejam eles religiosos ou não! Acredito que, na música dos POMBAGIRA, exista algum desse universo desconhecido e fantástico, desafiante e assombroso, talvez não de uma forma directa nas palavras que surgem ao longo destes longos temas, mas não há dúvida que algo se esconde e aguarda nas curvas de “Maleficia Lamiah”!

Talvez sejam as imagens que estes nomes evocam e não deixam escapar sem serem lembrados, uma vez mais. Talvez seja a envolvência nebulosa oferecida pelas raízes doom de onde nasceram ramos psicadélicos de outras décadas, que quase podíamos jurar se terem perdido nas margens outrora percorridas por almas em busca de encontrarem o seu equilíbrio fora daquele limbo! Então, como saciar o apetite da serpente? Surjam as oferendas em forma de dentadas rock ambientais e influências que podem sussurrar outro Oriente! Surja a Natureza e a contemplação!

A voz da interpretação mais racional diz-me que, mais do que apenas dois temas, “Maleficia Lamiah” e “Grave Cardinal”, a música que aqui existe é formada por diferentes ideias, unidas por um único fio condutor, um mesmo caminho, um mesmo passo. Os POMBAGIRA poderiam ter optado por uma outra via, cortando os laços entre cada um dos momentos e apresentado-o como uma entidade diferente mas, ao escolher essa direcção na encruzilhada, muito provavelmente estaria aqui a falar de uma outra banda qualquer! (Rui Marujo)

FATAL IMPACT – esoteria (review)


FATAL IMPACT – esoteria
(Nadir Music - 2012)

Com uma carreira praticamente a tocar na celebração das suas vinte primaveras, esta banda norueguesa regista aqui apenas o seu segundo disco de longa duração, algo que pode surpreender, mas também levantar um pouco o véu acerca do apertado crivo criativo que cerca os FATAL IMPACT! Esta é apenas uma suposição, alicerçada também no facto de que lhes levou praticamente nove anos até gravarem a sua primeira demo, se bem que, nos anos imediatamente seguintes, a ciclo de gravações teve continuidade com mais um par de demos, um EP e o disco de estreia, “Law Of Repulsion”!

Atribuir as responsabilidades ao elevado grau de exigência auto-imposto por estes músicos serve perfeitamente para justificar, não só a frequência de visitas a estúdio, mas também as cores com que se pinta a música desta banda. Transportar um estandarte heavy/power metal talvez não fosse suficientemente satisfatório para estes rapazes, pelo que decidiram impregnar a sua sonoridade com a grandiosidade dos arranjos sinfónicos, aliados a estruturas muito próprias do metal progressivo e arriscando mesmo algumas passagens mais directas, que tão frequentemente podemos encontrar sob a forma de riffs e estruturas mais próximas do thrash metal e mesmo um breve piscar de olhos ao black metal sinfónico, não só graças a um registo vocal mais agressivo, mas também devido às próprias melodias apresentadas no tema ‘The Arrival’!

Normalmente a corrente mais progressiva neste tipo de bandas faz-me tender para que me perca ao longo dos seus discos, com pouco sucesso em cativar a minha atenção, e confesso que o início meio inerte que os primeiros temas me estavam a oferecer faziam recear um desfecho dessa natureza, mas as suas voltas e curvas foram tornando este “Esoteria” mais agradável a cada nova audição! (Rui Marujo)