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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

DARKSIDE OF INNOCENCE - infernum liberus est



Este poderia muito bem ser conhecido como o disco que não chegou a ser, mas apesar da sua existência física ter sido negada pela própria banda, por motivos já explicados anteriormente pelos próprios, o facto é que os temas existem, estejam eles conjugados debaixo do título “Infernum Liberus Est” ou aliados a outras peças que a banda venha a criar no futuro! Antes de mais nada, vou já tirar isto de dentro de mim, para que não seja um entrave para poder prosseguir: os DARKSIDE OF INNOCENCE soam-me imenso a Cradle Of Filth! Pronto, já o disse! Mas eu até gosto da banda do pequeno hobbit maquiado, pelo que a questão que se coloca aqui é a seguinte: existe boa música na base desta banda e neste disco de metal lusitano? Dedicando alguma atenção aos temas aqui presentes e à forma como a produção os finalizou, não posso deixar de considerar que havendo possibilidade de escolha iria optar pela versão ao vivo da sua interpretação, pois a coesão que parece existir a ligá-los está aqui um pouco mais difusa o que acaba por retirar alguma da força final que poderiam apresentar! De qualquer das formas, existem alguns momentos bem conseguidos como em “Bloody Mistress” ou “The Eve To A Colder Epoch”, da mesma forma que em “To Her Spawn In Full Submission”, onde a composição oferece um tema com carácter, que a banda ganharia em explorar um pouco mais! Algo que não me parece necessitar de maior exploração é a constante utilização de teclados, mas cujo objectivo é simples de compreender, uma vez que a facilidade com que ajudam a criar os ambientes e tons à volta dos restantes instrumentos é mais do que notória e conhecida!
Sente-se que algo maior pode emergir deste colectivo, que pode existir uma identidade própria se evitarem colagens desnecessárias, ainda que possam ter surgido de forma não consciente, uma vez que o talento em termos de composição existe, resta aguardar que a verdadeira alma desta banda venha a emergir num futuro próximo!

www.myspace.com/darksideofinnocence

BLOODREALM - the domain to come


Esta banda oriunda de Lisboa começou a dar os seus primeiros em meados de 2004, mas apenas agora tomei contacto com o som do quarteto, na forma deste EP de oito temas (se incluirmos uma intro e o instrumental “From the Womb to the Tomb”), que a própria banda está a disponibilizar através de download directo no seu endereço de myspace! São oito composições completamente orientadas para o género death-metal de influências old-school, com as vocalizações habituais do género, os guturais muito fortes e profundos, a intercalar com um outro tipo de voz, mais gritada ou rasgada que acaba por terminar numa combinação interessante, ainda que não seja necessariamente original, mas que não os prejudica em nada, já que o mais importante são os temas em si e a forma final como acabam por sair... Nesse campo, temos coisas interessantes e outras que nem tanto, como é o caso do último tema, “Carnal Depravity”, que de uma forma geral soa mais a um grindcore meio confuso do que propriamente a death-metal da velha guarda! No entanto, agrada-me o facto de os blast-beats estarem presentes, mas não se sentirem demasiado importantes para tomar um protagonismo indevido que poderia riscar um pouco a pintura final da coisa! O uso de alguns samples, penso que de cenas de filmes, para adornar os temas também está bem encaixado, como em “Make Them Suffer”, “Neurotic Compulsion” ou na faixa instrumental já mencionada! De uma forma geral acaba por ser um lançamento positivo para os BLOODREALM, pois pode-lhes permitir limar algumas arestas para futuros trabalhos, que em “The Domain To Come” ainda não estão totalmente aprumadas, mas que antecipam o que pode ser um futuro com maior peso e destaque dentro deste género, sempre difícil de se conseguir conquistar um lugar na dianteira do pelotão!

VATICAN - shotgun evangelium



Houve alguém que me referenciou estes canadianos como uma banda de black-and-roll e os próprios, no seu myspace se apresentam como um colectivo que pratica este tipo de som. Uma audição mais atenta a este “Shotgun Evangelium” revela, no entanto, que o espectro musical do quarteto não se esgota apenas na mistura da obscuridade do black-metal e na velocidade do rock metalizado! Na verdade, podemos mesmo detectar influências de uma toada mais hardcore, como no tema “The Nobility”, que podia muito bem ter sido escrito numa sala de ensaios nova-iorquina, onde se misturassem os Sick Of It All e os Carpathian Forest! Em que ficamos então? Estes nativos de Montreal, que também destilam música em projectos como The Last Felony, Dopethrone, Blight ou Liber Inferus Messor, apresentam nesta estreia em formato EP melodias e riffs de guitarra negros, pedaços de velocidade motorheadianos, breakdowns e backing vocals, como se toda a malta de Brooklyn estivesse presente no estúdio quando “Dysangile” estava a ser gravado, “Hope: you miserable fucking cunt” tem todo o aspecto de que a chamada nova vaga do metal americano se fundiu com a raiva negra norueguesa, pelo menos no que a vocalizações diz respeito e “Borgian Excesses” volta a oferecer breakdowns com melodias próprias de quem anda a ouvir muita banda sonora apocaliptica! Não deixa de ser uma mistura de influências curiosa, mas que os Vatican não se importam de ostentar, não receando o que os puristas de um ou outro género possam ter a dizer em contrário, já que o mais importante é o resultado final e nesse aspecto ficamos bem servidos!

vatican_rock@yahoo.ca
www.myspace.com/vaticanqc

THE CREEPSHOW - run for your life



Um disco que se inicia com uma intro a fazer lembrar aquelas rimas declamadas por um tal de Vincent Price, naqueles velhinhos filmes de terror, só podia prometer coisas boas! Assim foi que dei de caras com estes canadianos, praticantes de uma saudável mistura entre punk-rock, psychobilly e rockabilly, sempre com o potenciómetro da animação elevado ao máximo, neste que é o seu segundo disco de originais, depois de em 2006 terem tido a sua estreia com “Sell Your Soul”! Dada a sua vertente visual próxima dos filmes de série B e da temática das letras também andar por essas vizinhanças, podemos ser tentados a associá-los a uma banda como Misfits o que, por vezes, nem é tão descabido assim, se estivermos atentos a algumas das linhas melódicas como por exemplo em “Take My Hand”! Mas os THE CREEPSHOW vão para além disso, pois a sua interpretação acelerada de puro rock’n’roll atira-nos com as suas visões vintage à cara, para nos obrigar a mexer o cadáver! Para adornar o frenesim, temos os quatro elementos que criam todos estes ritmos: Sarah Sin (guitarra/voz), Sick Boy (contrabaixo), The Reverend McGinty (teclas) e Pomade (bateria), verdadeiros viciados em tocar ao vivo e que certamente terão no futuro mais e maiores oportunidades para o fazer uma vez que, graças a este “Run For Your Life”, os THE CREEPSHOW se juntaram recentemente à família que vive no catálogo da editora Hellcat Records, gerida por Tim Armstrong, alma inquieta do mundo da música e, nomeadamente, dos Rancid!


THE CREEPSHOW - take my hand

http://www.thecreepshow.org/
www.myspace.com/thecreepshow

JELLO BIAFRA & T.G.S. of M. - the audacity of hype



Este é um regresso aos discos muito saudado por muito boa gente, na qual me vou incluir, sem qualquer receio de soar a voz suspeita! O ex-vocalista dos míticos Dead Kennedys (DK) decidiu que estava na altura de voltar a ter a sua prórpia banda, depois de passar anos em colaborações com diversas outras pessoas (Melvins, D.O.A., No Means No, Mojo Nixon ou L.A.R.D.) e o resultado dessa vontade são os The Guantanamo School of Medicine e este recente “The Audacity of Hype” é a sua estreia em disco! Para aqueles que tinham saudades de DK, sejam bem vindos! Aquela que é uma das vozes mais míticas da história do punk e uma das mentes activistas mais incisivas de sempre, regista neste album nove temas onde pontuam as letras sempre ácidas e inspiradas que têm marcado o registo de JELLO BIAFRA ao longo dos anos! Ao ouvir músicas como “Clean As A Thistle”, “Electronic Plantation”, “Strength Thru Shopping”, poderíamos até pensar que estamos presentes à continuação lógica desse album marcante de Dead Kennedys que foi “Franckenchrist”, mas a estes músicos não se limitam a reavivar essa sonoridade, criando paredes sonoras diferentes para as palavras do senhor Biafra, “Pets Eat Their Masters”é um exemplo, tal como “I Won’t Give Up” com os seus toques de southern-rock! “New Feudalism” é um clássico instântaneo com o seu passo acelerado e um refrão pronto para se instalar na cabeça de muita gente, mesmo não sendo um tema criado propositadamente para este disco, mas sim uma reciclagem do mesmo, uma vez que foi originalmente criado aquando do projecto No WTO Combo, durante as manifestações ocorridas em Seattle e posteriores motins! A rodar em modo contínuo aqui no player do estaminé...

www.myspace.com/jellobiafraandthegsm
http://www.alternativetentacles.com/

PRESTO? - comportamento macabro



Este quarteto de São Paulo (Brasil) carrega às costas uma história de dez anos enquanto banda a descarregar poder e força, com o seu hardcore atravessado de influências thrash, com aquela atitude de pé na tábua e saiam da frente, um pouco à semelhança do que os suecos Raised Fist faziam há uns tempos atrás (não é uma comparação, é apenas para ficarem situados), mas com umas gotas de blast-beats aqui e ali, para tornar tudo mais agressivo ainda! Este “Comportamento Macabro” é o quinto album de originais lançado pelos PRESTO?, sucedendo a um disco lançado em 2007 em formato split com os compatriotas D.F.C., e oferece 18 temas maioritariamente cantados em português, com a excepção do tema “Lawyer = Liar”! O vocalista Daniel é um verdadeiro gritador o que acaba por tornar o som destes paulistas ainda mais agressivo e poderoso, a que não deve ser alheio o facto da banda sentir alguma afinidade com sonoridades mais próximas do grindcore, ainda que neste registo elas só apareçam a espaços, o que até se torna positivo, pois ajuda a dinamizar as variações de ritmo dos diferentes temas, à medida que eles se vão sucedendo a uma velocidade nefasta, que nem gatinhos persas numa máquina de triturar carne! A abertura deste disco é feita a levantar paralelos com o crossover rápido de “Tsunami do Mal” e assim se vão sucedendo as descargas sonoras com “Necrosocial”, “Escola do Bandido da Luz Vermelha”, “Hora Extra no Mundo” (com direito a voz à la Brujeria), “Criança Mutante Com Problema na Cabeça” ou “Exército Paralelo”, apenas para mencionar alguns! A conferir este “Comportamento Macabro”, prova que a música extrema brasileira continua bem servida de valores e de peso!

www.myspace.com/paunasualontra
http://www.peculiodiscos.com.br/

DREAMING DEAD - within one



No momento em que escrevo estas linhas já os DREAMING DEAD estão em plena digressão com a Those Whom The Gods Detest North American Tour, juntado trapinhos com Nile, Immolation, Krisiun e Abigail Williams pelo menos durante os primeiros dois meses deste novo 2010! O disco que vão continuar a tocar e promover é este “Within One”, espécie de reminescência dos tempos em que Chuck Schuldiner ainda dominava o planeta com a sua inovadora forma de compor e de tocar, criando o death-metal que ainda não se ouvia na altura! Assim mesmo, com essa influência e reverência, Elizabeth Elliot lidera estes californianos, utilizando a sua guitarra e a sua voz para alimentar os DREAMING DEAD com uma mistura que ainda bebe algo de um thrash muito disfarçado por entre a malha apertada criada à volta do progressismo que decidiu fundear-se neste disco! Não estou a falar de desconstruções típicas de bandas que gostam de soar como a banda de jazz das profundezas do Inferno, mas é claro que existiu por aqui trabalho de dedicação, por forma a não criar temas demasiado simplistas e redutores, mas com os limites bem presentes para que esses temas não se tornassem enigmas sonoros para quem os ouvisse! Não são pioneiros, nem criadores de novas fórmulas, mas o interesse está presente e certamente que muito podem ainda oferecer se lhes for concedido o espaço para o fazer! A voz de Elizabeth não sofre de mau enquadramento onde está colocada e parece até ser a mais indicada, pelo menos com estes temas! Se existirem destaques a fazer, a escolha pessoal talvez recaia sobre “Manslaughter”, “Putrid Is The Sky” ou “War Machine”, mais equilibrados entre os passeios melódicos, por vezes mesmo semi-acústicos no caso dos dois primeiros, os ataques agressivos de guitarra ou as colocações de voz! “Perpetual Pretext” também consegue deixar-se ouvir sem grandes alaridos e “Shadows In The Dark” soa mesmo a qualquer coisa que Chuck poderia ter criado ele próprio se ainda estivesse entre nós!

www.myspace.com/dreamingdead

HEADCHARGER - the end starts here



Terceiro album de originais para estes franceses, depois de terem editado “Watch The Sun” nos idos de 2007! Três anos passaram entretanto e para além do novo disco, os HEADCHARGER têm também uma nova máquina editorial a trabalhar com eles, algo que poderá levar este “The End Starts Here” a muitos mais ouvidos! Falando da música própriamente dita, estes novos 14 temas trazem de novo a toada stoner-rock-hardcore que os franceses andaram a apurar nos dois discos anteriores, mas ligeiramente mais apurada e com mais ambiente sulista conseguido com a utilização, a espaços, de harmónicas e slide guitars, mas apenas em dose suficiente para soar bem e apenas no momento preciso, como se pode constatar no tema que abre o disco, “Intoxicated”! Com uma composição mais sólida presente nesta entrega, a variação entre os momentos mais melódicos e os mais duros parece ser feita com propósito e sentido, dando origem ao que poderá ser descrito como uma espécie de rock musculado, que não se perde em demasia longe desse percurso ao longo de temas como “Without a Nation”, “Harvey Keitel’s Syndrom”, “The Invention of Solitude” ou aquele que foi escolhido para primeira amostra do novo trabalho, “A Thousand Tides”, que pode ser ouvido no myspace da banda! O album foi produzido por Alan Douches e a editora XIII Bis/Sony decidiu apostar neste grupo, que já durante o mês de Janeiro se lança numa digressão que os vai manter ocupados durante quase o ano inteiro!



http://www.headcharger.com/
www.myspace.com/headcharger

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

COLDFEAR - decadence in the heart of man



Os COLDFEAR são originários de Barcelos e este “Decadence In The Heart Of Man” é o seu segundo lançamento, sucedendo a “What Lies Beneath”, primeiro EP que viu a luz do dia em 2007, dois anos após a formação da banda! A sonoridade desta banda divide-se um pouco entre as influências provenientes das castas thrash/death, que soam bem presentes nos cinco temas que compõem esta edição! A produção em estúdio foi muito bem conseguida e equilibrada, conferindo uma coesão muito positiva a este trabalho, a que obviamente não será também alheio o trabalho de composição e execução dos cinco músicos que aqui demonstram o fruto da sua inspiração! Existe aqui peso em quantidade suficiente para agradar a todos quantos se alimentem de adrenalina, mas aqueles que apreciam uma boa dose de melodia também não foram esquecidos e o resultado final pode ser descrito como as quantidades certas de dias de tempestade e tardes de primavera! Não querendo menosprezar a descrição a um exercício redutor de comparação com outros nomes já firmados no panorama musical de peso, posso no entanto arriscar que os apreciadores de Dew-Scented ou Centinex não vão desdenhar uma audição atenta a este EP! Em temas como “Creators Of Blinded Evolution”, “Pull The Trigger” ou “The Failure”, os COLDFEAR vão jogando com as descargas directas de energia e velocidade ao mesmo tempo que abrandam o passo e dão destaque aos elementos mais melódicos da sua música, entrelaçando as mensagens de reflexão presentes nas letras que abordam não apenas a condição humana como um todo, mas também a luta pessoal no sentido da compreensão do mundo em redor! Pode-se afirmar que este trabalho antevê um futuro promissor para esta banda, lançando também uma sólida base para uma eventual aventura em formato longa-duração, algo que espero possa vir a acontecer daqui a não muito tempo!


COLDFEAR: Creators of Blinded Evolution (ao vivo @ Panoias)

www.myspace.com/coldfearband

LOS FASTIDIOS - all'arrembaggio



Aqui temos um grupo italiano de veteranos das ruas, que é quase o mesmo que estar a falar de uma banda de street-punk, cuja história começou meados de 1991 e cujo mais recente disco é este “All´ Arrembaggio”, o seu décimo sétimo lançamento na contagem (inclui-se aqui um best of, um disco ao vivo e um DVD)! Aqui canta-se ora em italiano ora em inglês e canta-se acerca de coisas que nos são comuns a todos, cenas do quotidiano, mas também existe aqui uma costela mais interventiva ou não fossem os LOS FASTIDIOS defensores da igualdade, socialistas nas convicções e agentes activos contra a discriminação! Mas música aqui não conhece quaisquer cores políticas e tanto pode envergar a bandeira do punk-rock suave e cantarolado de “Football Is Coming”, seguindo imediatamente os caminhos da influência ska em “La Nostra Internazionale” e, reduzindo a sua intensidade mas aumentando o seu balanço, adoptar a voz do reggae em “Reggae Rebels”! Contudo, a base da sonoridade está enraízada no punk e para fazer justiça a essa bagagem também rodam por ali “Non è Questione di Stille”, “You Got Your Soul” ou “Reds In The Blue”, esta última novamente a focar o tema do futebol, aparentemente bastante popular entre estes italianos! Para terminar a rodela em ambiente de festa, gravaram “Bottiglie e Battaglie”, um tema animado que resume o espírito presente na música e na atitude desta banda! Não sendo uma colecção de hinos revolucionários, este “All´ Arrembaggio” deixa-se ouvir confortavelmente e sem dar grande luta, até porque não penso ser essa a idéia geral do disco, estando mais próximo de mais uma etapa cumprida na já longa caminhada que LOS FASTIDIOS têm vindo a fazer ao longo dos seus quase vinte anos de carreira!

http://www.losfastidios.com/
www.myspace.com/losfastidios

PESTILENTIAL SHADOWS - in memoriam ill omen



Esta banda australiana tem neste “In Memoriam - Ill Omen” o seu terceiro registo de originais em formato de longa duração, sucessor do anterior “Cursed”! Apesar de serem originários da ilha-continente, a sua sonoridade é bastante próxima do black-metal nórdico, com grandes influências do contigente norueguês mais tradicional! Ambientes negros servidos numa produção que não prima pela clareza dos instrumentos, no que diz respeito à dimensão e maior peso que poderiam alcançar, querendo talvez isto dizer que a escolha por este tipo de gravação estará relacionada com a tentativa de manter o som da banda o mais tradicional e old-school possível, fiel a muitos dos primeiros lançamentos que surgiram em inícios dos anos noventa para os lados da Noruega, apesar da banda declarar as suas raízes musicais em projectos mais orientados para o ramo death-metal da árvore genealógica da música pesada, algo que não invalida nem desfaz a colagem ao som nórdico!
Os temas vão diversificando a sua estrutura e velocidade, variando entre os ritmos mais acelerados e os momentos mais atmosféricos e compassados, com um estilo vocal semelhante a centenas de outras bandas que vão povoando o meio black-metal hoje em dia, ou seja, neste campo não quiseram mesmo fugir ao standard utilizado habitualmente! De qualquer das formas, a voz acaba por soar bem encaixada nos oito temas que são apresentados neste disco, mesmo não oferecendo momentos destacáveis que acabem por ficar na memória! De facto, não existem aqui grandes pérolas que fiquem para a história, talvez com a excepção do tema “For Man and Heaven’s Ruin”, que possui uma cadência mais compacta no que diz respeito aos seus riffs principais e ao ritmo imposto pela bateria de Sorrow! Parece ter existido aqui uma maior fluidez no momento da composição, o que acabou por tornar este o tema mais equilibrado de todo o disco! Um disco que não será uma obra-prima do black-metal, mas certamente pode agradar aos apreciadores mais curiosos do género!

www.myspace.com/pestilentialshadows

KONAD - terror tv



Este é o mais recente lançamento dos ribatejanos KONAD, depois de em 2007 terem gravado uma demo e um primeiro EP (Mundo de Merda)! Esta é uma banda que nasceu em 1996 como um projecto paralelo de uma outra banda chamada ENCANCRATE (que saudades desses tempos), mas que hoje em dia circula no meio como uma banda sólida e bastante fiel às suas intenções! Neste EP são-nos oferecidos 5 temas ao bom velho estilo de KONAD, ou seja, muita atitude punk à mistura com aproximações ao metal, o que acaba por traduzir da melhor forma as influências dos membros da banda! Todos os temas são cantados em português pela voz energética de Kampino, que também acumula as funções de baterista, o que não retira nem uma grama à dinâmica que a banda transporta quer para o registo audio quer para as suas apresentações ao vivo! Quem tenha dúvidas que se apresente num qualquer concerto destes cavalheiros e certamente terão a oportunidade de ouvir temas como “Mundo Incerto”, “Ser Livre”, “Ké Keu Faço” ou a contagiante “Detalhes” a serem debitados por Karmo, Kampino e Frazão! Mas enquanto isso não acontecer, ensopem os ouvidos com este EP, favorecido também por uma boa produção o que apenas vem ajudar ainda mais a consolidação dos KONAD como uma banda de excelente valor, merecendo todo o nosso apoio e respeito! Podem consultar o myspace da banda para saber como conseguir fazer com este excelente EP vos chegue às mãos!


KONAD: Kem Paga a Cirrose (ao vivo @ CityBar, Vila Franca de Xira)

www.myspace.com/konadmoska
konad2007@gmail.com

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PROPAGANDHI - Supporting Caste



Muitas bandas canadianas passam aqui pelas colunas do meu covil e os PROPAGANDHI também fazem parte dessa mancha geográfica! Estão dentro de um grupo de bandas que começou a ter maior notoriedade no período pós-grunge, quando o punk voltou a despertar graças a algumas bandas oriundas dos Estados Unidos, com a pequena diferença destes canadianos serem muito mais activos politicamente do que os restantes membros dessa safra! Esse facto volta a ser confirmado com este “Supporting Caste”, para além da confirmação de uma maior maturidade musical que tem vindo a ser cimentada desde 2001 com “Today's Empires, Tomorrow's Ashes”, que representou um ligeiro passo à frente em relação aos dois discos anteriores! Por essa altura começou a surgir um leque de influências que os aproximava mais das correntes hardcore, mas com muitos detalhes próprios das bandas de metal! Para esse facto contribui o facto dos seus temas serem bastante mais técnicos que os que habitualmente ouvimos em albuns de outros colectivos semelhantes, situação que encontramos ao longo deste disco de 2009! Para além da inclusão de variados solos, a própria construção de ritmos de guitarra funde diversos dos elementos mencionados anteriormente, com a particularidade de utilizarem notas menos habituais numa banda que é suposto ser directa e to-the-point! Aqui, em temas como “Last Will & Testament”, “Night Letters”, “Dear Coach’s Corner”, “Incalcuable Effects” ou “This Is Your Life”, encontramos todas as influências reunidas, variando em velocidade e agressividade, mas quase sempre mantendo a qualidade ao mesmo nível, mesmo nos temas mais curtos! Em termos de conteúdo lírico, podemos contar com as inclinações políticas de uma banda assumidamente de esquerda com diversas preocupações ambientais e humanistas, que aborda todos estes assuntos nas suas letras, mas nunca assume o papel de pregadora ou fiel de moralidade!


PROPAGANDHI: supporting caste (Live @ Metro Theatre, Australia)

http://propagandhi.com/
www.myspace.com/propagandhi

MYSTICAL FULLMOON - Scoring a Liminal Phase – Ten strategies for postmodern mysticism



Não é nada fácil escrever acerca deste “Scoring a Liminal Phase”, dos italianos MYSTICAL FULLMOON, uma obra conceptual que se foca no misticismo postmoderno! Um trabalho que demorou cerca de seis anos a ser escrito e gravado e que resultou num conjunto de dez temas que mais que se limitar ao espectro black-metal habitual, atravessa outras influências diversificadas que vão desde a forte presença de elementos industriais, até ao rock progressivo e mesmo à música escrita para filmes! Uma das peças que mais salta aos ouvidos é “Daleth Journey (Visio In Yule)”, onde as teclas criam um ambiente soturno para servir de berço a um trabalho de piano e saxofone, no limiar do free jazz, de que se alimenta uma voz que vem das profundezas! Não é o que habitualemnte se espera encontrar numa banda black-metal, mas os adeptos da escuridão também encontram aqui os elementos tradicionais do género, bem como algumas presenças ilustres em termos de convidados vocais, na pele de Aphazel (Ancient) e Wildness Perversion (Mortuary Drape), que participam em três dos temas aqui presentes! Mas voltando à questão da mistura de influências que torna este disco interessante, deve ser feito algum destaque a temas como “Per Speculum In Aenigmate”, “Prometheus Unbound” ou “May Wisdom Bless My Path”, verdadeiros exercícios de composição e que desafiam o ouvido mais crítico, misturando de forma criativa a agressividade e a experimentação com outros ambientes longe do esperado inicialmente! O trabalho gráfico para este disco também não foi descurado e ficou a cargo do talento de Ministry of the Sign, que já efectuou trabalhos anteriores para colectivos como Deathstars ou Ancient! Em todos os campos possíveis, os MYSTICALL FULLMOON não quiseram deixar as coisas por metade e o fruto desse trabalho e dedicação apresenta-se neste album, um destaque no campo do black-metal mais progressivo!

www.myspace.com/mysticalfullmoon

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SUNYA - time



Este EP também já tem algum tempo (para ser sincero, nem tenho presente a sua data de edição) mas, por uma razão ou por outra, ainda não o tinha colocado a girar... Os SUNYA são uma banda de Lisboa, praticantes de uma onda rock, a que os próprios chamam progressivo, o que não deve andar muito longe do som que fazem, se bem que se enquadram melhor num espectro de rock alternativo com pinceladas melódicas, por isso, não imaginem nada transcendental semelhante a uns Rush ou a uns Floyd! A começar pela vocalização, no caso destes lisboetas, a ser feito por um elemento feminino (Kady, assim se chama a vocalista), passando pelos temas que fazem parte da bagagem dos SUNYA, sejam eles os que decidiram escolher para apresentar neste trabalho ou os restantes que habitualmente se alinham nos seus sets ao vivo, a música aqui presente, sendo agradável de ouvir, por enquanto ainda não contagia. O facto da produção deste EP não ser a melhor, apesar de não ser inaudível (fica-se com a sensação que a gravação serve mais o propósito de promover o nome da banda do que outra coisa), talvez contribua para essa casualidade, até porque ao vivo os SUNYA aparentam uma energia diferente daquela que este disco nos quer fazer crer e que parece ausente dos 5 temas que nele estão incluídos! “On How To Defeat Blind Hate”, “Human Prison”, “Time”, “Troubled Girl In Trouble” (excelente título) e “Equilibrium”, deixam transpirar uma boa voz, com óptimo alcance e algumas idéias para explorar ainda mais no futuro, uma vez que neste EP “Time” as coisas ainda não estão em ponto caramelo, apesar de que, como já disse, em concerto tudo parecer funcionar muito melhor, inclusivelmente os temas presentes deste EP.

www.myspace.com/sunya

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

TESTAMENT – the formation of damnation (2008)



Passaram uns bons anos desde a última vez que deixei os meus ouvidos terem acesso a um disco de Testament! Quero dizer, para escutar com a atenção devida e não apenas para servir de banda sonora para qualquer outra actividade que me esteja a ocupar o tempo naquela ocasião.
Sou pessoa para admitir que a carreira discográfica de Testament me tem passado um pouco ao lado, ou melhor, eu tenho-me desviado um pouco dela, apesar de tentar manter-me informado acerca do que se vai passando por esse mundo sonoro fora.
A minha melhor relação com estes americanos tem quase vinte anos, pois foi “Practice What You Preach” que me preencheu durante mais tempo, no que a Testament diz respeito. Não vou dizer que quase gastei o vinil, porque na verdade nunca foi meu! Naquele tempo havia quem tivesse capital para adquirir muitos discos em vinil e depois havia pessoas como eu e muitos outros, com algumas das rodelas originais e com as nossas singelas cassetes, um album no lado A e outro no lado B. No meu caso, penso que era qualquer coisa de Kreator! Mas isso agora não importa...
O que interessa é que após toda uma larga história de mudanças de formação, experiências e aproximações a diferentes sonoridades, doenças graves e suas recuperações, os Testament editaram este ano o seu décimo disco de originais, reunindo uma forte formação, que se pode chamar clássica pois, à excepção de Paul Bostaph (que apesar de tudo já por ali tinha passado anteriormente), todos os membros são do tempo dos Legacy, primeira encarnação da banda, nos meados dos longíquos anos oitenta. Venha de lá então a inspiração para o título deste disco!
No que me diz respeito, sabe bem ouvir de novo a voz de Chuck Billy num registo semelhante ao que tanto apreciei há uns anos atrás com “Practice What You Preach”, apesar de, como será natural, se poder encontrar num ou outro momento em que essas semelhanças dão lugar à sonoridade ganha em albums anteriores como “Demonic”.
Em termos do equilibrio que ao longo destes novos temas foi procurado pela banda, quer tenha sido intencional ou não, penso que pouco há para dizer para além de que o objectivo está cumprido. Para tal, basta comprovar a velocidade presente no tema “The Formation Of Damnation”, que nada perde para o balanço de “Killing Season” ou com a melodia habitualmente presente na música de Testament, que se vai apresentando aqui e ali ao longo de todo o album. De um modo geral, acaba por se tornar uma prova cabal de que a veterania ainda consegue apresentar bons discos de thrash-metal, com a alma de quem ainda sabe o que faz e que, aparentemente, ainda sente um enorme prazer em fazê-lo!
Quase vinte anos depois, os Testament voltaram a figurar na playlist cá de casa! Ainda bem para mim!

quinta-feira, 1 de junho de 2006

rola na grafonola: POINTING FINGER "milestone"

Assim mesmo é que é! Temos aqui a primeira colaboração para a grafonola, mas estamos a contar que seja a primeira de muitas, ok Joana? ;)

Na sua primeira experiência junto da Bolacha, a Juanica (amiga de longa data e orgulhosamente integrada no colectivo Sisterhood) resolveu partilhar com todos nós as suas ideias acerca deste "milestone" dos algarvios Pointing Finger:

POINTING FINGER - milestone

Quem os viu desde os tempos da casa ocupada, em que tocavam a “posers in the scene”, a “no more violence” ou a “earth first”, tem assistido a um decrescer enorme de aderência aos shows, de singalongs, de apoio em geral pelo pessoal da cena hardcore portuguesa... Aqui está um fenómeno que eu não consigo perceber, já que já estive lá fora com eles e sei bem o feedback que têm do resto da Europa!

Por isso resolvi fazer a review deste cd, porque acho que está MUITO BOM, e não há mais nenhuma banda de hardcore portuguesa com esta qualidade, bem ao estilo sxe youth crew, na onda de gorilla biscuits, chain of strength, champion, ou in my eyes!...

Depois de alguma instabilidade na formação (embora permanecesse sempre o núcleo duro – diogo, david e rafa), juntou-se o Boto, velho amigo da banda e que também os acompanhou desde inicio, sendo igualmente algarvio para não fugir à regra! Com ele veio a estabilidade que eles estavam mesmo a precisar, o que proporcionou o nascer deste último álbum – “MILESTONE”. Este álbum saiu agora em CD pela Goodwill records de Itália, e é composto por 12 músicas, todas elas novas, com excepção da “she won´t forget” que foi regravada! Vinha a ouvir o CD no carro hoje a caminho do trabalho e só me ocorria que o som deles só tem melhorado e como estava tão orgulhosa de termos uma banda old school tão boa na cena hardcore portuguesa! As músicas novas são cheias de tudo a que Pointing Finger já nos tem habituado, boas letras, cheias de “straight edge spirit”, sem abandonar a vertente política e DIY!

Bons coros para o singalong, partes boas para mosh e circle pit e muita melodia, já que gravaram duas guitarras, o que so vem dar mais qualidade ao trabalho que realizaram! No entanto, quem ouve este CD e compara com os anteriores, facilmente se apercebe que este lançamento vem traduzir toda a evolução e maturidade que eles sofreram como banda e pessoas, ao longo destes 6 anos de formação!

Bom fala não só uma amiga, mas acima de tudo uma pessoa que Ama o Hardcore, por isso aconselho-vos a todos que ouçam as músicas novas com atenção! E depois digam-me... se não tenho razão!

Pointing Finger GO GO GOOOOOOO!

Para mais informações acerca deste lançamento e de outros, bem como outras informações a que desejem ter acesso, aqui ficam: www.myspace.com/pointingfinger ou então a distro taketheriskdistro@gmail.com