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domingo, 18 de março de 2012

película: THE OTHER F WORD (2011)


O peso da paternidade e a responsabilidade de uma família é algo que, certamente, acarreta as suas doses iguais de felicidade, sentimento de pertença e preocupação! De certa forma, são esse tipo de questões que são abordadas neste documentário, onde se olha para a paternidade, mas do ponto de vista dos punk-rockers veteranos, que ainda continuam a espalhar a sua rebeldia através da sua música e das suas performances ao vivo ao mesmo tempo que têm que mudar fraldas e levar os miúdos ao infantário de manhã cedo!

Uma das perguntas levantadas a certa altura pretende resolver o dilema de como é que um punk adolescente, anti-sistema e com uma atitude de rebeldia face aos seus pais e família, acaba por se tornar ele próprio num pai, envolto nas redes do sistema e com todas as dificuldades inerentes ao equilíbrio de uma vida na estrada e uma família em casa, com filhos para criar e contas para pagar! Através das respostas dos entrevistados vamos ficando a conhecer um pouco mais do que é isso de se ser um punk de meia idade, como se gere a adrenalina de tocar para algumas centenas/milhares de pessoas e a pura alegria de assistir a um recital da sua filha mais nova! Aprendemos também que mesmo os punks mais duros têm lágrimas dentro deles, que surgem quando tentam explicar que a única coisa que pretendem é ser para os seus filhos e para a sua família aquilo que os seus próprios pais não conseguiram ser para eles ou, no caso específico de Duane Peters, quando recordam a dor de perder um filho e pensar que nada mais vale a pena dali para a frente!

Rob Chaos (Total Chaos), Flea (Red Hot Chili Peppers), Brett Gurewitz (Bad Religion/Epitaph Recs), Lars Frederiksen (Rancid), Tony Hawk (pro-skater), Fat Mike (NOFX), Joe Escalante e Josh Freese (Vandals) ou Mark Mothersbaugh (Devo) e Ron Reyes (Black Flag) são alguns dos pais veteranos que oferecem o seu testemunho para este documentário, onde também acabamos por vislumbrar, quase como um brinde, todo o crescer da situação de desconforto de Jim Lindberg (ex-Pennywise), pelo facto de ser obrigado a passar demasiado tempo afastado da sua mulher e três filhas, devido ao gradual aumento de concertos e digressões por parte dos Pennywise, e que acabou por culminar no seu abandono da banda onde estava há já vinte e um anos!

Aconselhável a todos quantos queiram conhecer uma faceta mais pessoal dos vossos punks preferidos!

segunda-feira, 5 de março de 2012

película: CARNIVAL OF SOULS (1962)

 

Este filme de 1962 está envolto numa estranheza que o torna quase desconfortável. Hoje em dia é considerado por muitos apreciadores como uma película de culto, no que diz respeito ao terror psicológico, uma vez que terá sido uma das primeiras experiências assumida e declaradamente nesse campo, mas mesmo quando fazemos o exercício de o contextualizar no seu tempo, esforço técnico e consequentes resultados, o desconforto não desaparece facilmente!
 
O argumento, muito resumidamente, leva-nos a acompanhar a história da misteriosa protagonista, organista de profissão, que se vê como única sobrevivente de um despiste que leva o carro onde seguia com as suas amigas ao fundo de um rio. Após esta tragédia de estranhos contornos, a nossa loura (Candace Hilligoss), muda-se para outra cidade onde rapidamente começa a sentir que algo de muito misterioso se passa com ela, devido a recorrentes episódios em que se parece encontrar isolada do mundo ao seu redor, às estranhas e frequentes visões de um homem de aspecto macabro, bem como uma inexplicável atracção por um parque de diversões abandonado! Os restantes detalhes e demais evoluções da história deixo para quando quiserem dar uma oportunidade a esta produção independente realizada por Herk Harvey!
 
A estranheza e desconforto de que falava no início, tem mais a haver com a natureza da produção do que propriamente com o filme em si. Isto acontece, porque estamos a falar de uma obra que foi levada a cabo em três semanas, com escassos meios e fundos, por uma equipa técnica de seis pessoas e onde os actores eram maioritariamente amadores! É certo que, de acordo com os especialistas, Carnival Of Souls veio a influenciar o trabalho de nomes com David Lynch ou George Romero, mas a característica independente deste filme sobressai demasiado, por exemplo, nas interpretações dos seus actores. Estranhas. Desconfortáveis e com um sentido de ritmo que deixa muito a desejar. O preço a pagar por um orçamento de pouco mais de 30 mil dólares. Mas é também este tipo de coisas que alimenta as obras que acabam por se tornar em peças de culto cinéfilo!
 
O certo é que CARNIVAL OF SOULS não necessitou de recorrer aos efeitos especiais ou truques de fotografia para inspirar ansiedade e apreensão, valendo-se apenas do ambiente, dos detalhes que ficam por revelar numa história à medida que ela avança, bem como dos jogos psicológicos que tantas vezes são capazes de atraiçoar a razão e o bom senso! Nasce assim uma obra objecto de culto.

película: WHY YOU DO THIS? (2010)

O autor deste documentário, Michael Dafferner, tem duas grandes ocupações na sua vida: trabalha em engenharia aeroespacial e é vocalista de uma banda de metal técnico progressivo chamada CAR_BOMB! Foi exactamente nessa condição que começou a questionar-se e aos seus colegas de banda “porque raio fazemos nós isto?”! Talvez seja, de facto, a questão que mais vezes terá passado pela mente de todo e qualquer músico ligado a uma banda underground, o porquê de perder todo aquele tempo e dinheiro, na grande maioria das vezes abdicando de grande parte da sua vida pessoal, para estar associado a uma banda que, nas palavras do próprio, ninguém conhece e que toca um género de música que poucos querem ouvir, fazendo digressões com outras bandas que ninguém conhece!

 
Ao longo de um período de aproximadamente três anos, de 2007 a 2010, tendo como pretexto três digressões diferentes, Michael Dafferner vai-se debruçando sobre as diferentes motivações e formas de lidar com essa vivência do metal underground, onde mais vezes que poucas, as perdas financeiras e a pouca retribuição e reconhecimento do trabalho levado a cabo por cada banda leva a verdadeiras incursões filosóficas acerca do porquê de todo aquele esforço, todo aquele tempo perdido, todo aquele dinheiro gasto, todas aquelas pequenas partes da vida de cada um que vão ficando pelo caminho!

Pelos caminhos e episódios atravessados durante as três digressões mencionadas, o escritor, produtor e realizador deste documentário, Michael Dafferner, acaba por ter oportunidade de confrontar com estas questões, não só os membros da sua banda, como também alguns outros músicos e outras bandas, tentado estabelecer uma ponte entre a perspectiva e ansiedade imberbe de uns novatos como os UNDEAD SPETZNAZ e a maturidade e experiência, não só de estrada, mas também, e talvez principalmente, de vida de nomes mais consagrados como RICHARD CHRISTY (baterista que passou pelos DEATH ou ICED EARTH e que tem actualmente o seu próprio projecto CHARRED WALLS OF THE DAMNED) ou RANDY BLYTHE (vocalista dos americanos LAMB OF GOD), numa tentativa de encontrar não apenas um motivo para o que fazem, mas também uma espécie de justificação para continuar este caminho musical paralelo, com todas as suas dificuldades e barreiras, principalmente no que diz respeito à procura de todos por uma vida normal, com famílias normais e um pouco de algo que se assemelhe a felicidade! É também nesse contexto que outros nomes mais ou menos conhecidos vão sendo entrevistados e as suas observações vão sendo levadas em consideração, como é o caso de LAST CHANCE TO REASON, BELLA MORTE, GOJIRA, THE CHARIOT ou GOATWHORE!

No fundo, a pergunta que oferece nome a este documentário de pouco mais de uma hora de duração, deve ser a grande questão que ocasionalmente assalta as mentes de todos quantos estão de alguma forma ligados ao underground em geral e ao metal em particular. Porque é que fazemos isto? Porque é que ainda fazemos isto? Não existe uma resposta universal, mas Michael Dafferner parece conseguir algum esclarecimento pessoal, que talvez sirva para outros com semelhantes dúvidas.

Podem ver o documentário WHY YOU DO THIS? na sua totalidade, no vídeo em baixo: